quinta-feira, 29 de julho de 2010
E Se Eu Não Sinto Prazer Obedecendo Deus? - John Piper
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=u2OBMH-JCjA&feature
Via: http://www.vemvertvblog.com/2010/07/e-se-eu-nao-sinto-prazer-
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Treine Sua Mente - John Piper
Pensamentos sobre a importância da leitura
Recentemente, enquanto lia e meditava sobre a carta aos Hebreus, ocorreu-me, vigorosamente, que uma razão básica e constrangedora para a educação — o treinamento rigoroso da mente — é que uma pessoa pode ler a Bíblia com entendimento. Esta afirmativa parece óbvia demais para ser útil ou compelidora, mas isto é porque vemos a preciosidade da leitura como algo garantido. Erramos em não apreciar o tipo de pensamento que uma passagem bíblica complexa exige.
A carta aos Hebreus, por exemplo, é um argumento intelectualmente desafiador, fundamentado em textos do Antigo Testamento. As questões que o autor aborda estão ligadas a observações bíblicas que percebemos tão-somente por uma leitura rigorosa, e não por uma leitura rápida e superficial. Entender as interpretações do Antigo Testamento no texto de Hebreus exige esforço mental e meditação árdua.
O mesmo poderia ser dito sobre os extensivos argumentos de Romanos, Gaiatas e outros livros da Bíblia.
Este é um argumento convincente para darmos aos nossos filhos um treinamento disciplinado e inflexível a respeito de como pensar os pensamentos de um autor, em determinado texto — especialmente, um texto da Bíblia. Temos de aprender o alfabeto, o vocabulário, a gramática, a sintaxe, os rudimentos da lógica e a maneira como o significado é transmitido por meio da conexão de sentenças e parágrafos.
A razão por que os crentes sempre têm estabelecido escolas onde implantam igrejas é que somos um povo dado à leitura de um livro. É verdade que o livro não terá seus efeitos apropriados sem a oração e o Espírito Santo. A Bíblia não é um livro-texto a ser debatido. E uma fonte que satisfaz a sede espiritual e a fome da alma. É umarevelação de Deus, um poder vivificante, uma espada de dois gumes. Nada disso, porém, muda o fato de que, sem a disciplina da leitura, a Bíblia é tão incapaz como o papel. Talvez alguém tenha de ler a Bíblia para você, mas, o fato é que sem a sua leitura, o seu poder e significado permanecem trancados.
Não é notável que muitas vezes Jesus esclareceu grandes assuntos com uma referência à leitura? Por exemplo, quanto ao assunto do sábado, Ele disse: "Não lestes o que fez Davi...? (Mt 12.3) No que concerne ao divórcio e ao novo casamento, Jesus disse: "Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher...?" (Mt 19.4) Sobre a verdadeira adoração e louvor, Ele disse: "Nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?" (Mt 21.16) Quanto à ressurreição, Jesus disse: "Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular?" (Mt 21.42) Ao intérprete da Lei que pro vou a Jesus inquirindo-0 sobre a vida eterna, Ele disse: "Que está escrito na Lei? Como interpretas?" (Lc 10.26)
O apóstolo Paulo também deu à leitura um importante lugar na vida da igreja. Por exemplo, ele disse aos crentes de Corinto: "Porque nenhuma outra coisa vos escrevemos, além das que ledes e bem compreendeis; e espero que o compreendereis de todo" (2 Co 1.13).
À igreja de Éfeso, ele disse: "Pelo que, quando ledes, podeis compreender o meu discernimento do mistério de Cristo" (Ef 3.4). A igreja de Colossos, Paulo disse: "E, uma vez lida esta epístola perante vós, providenciai por que seja também lida na igreja dos laodicenses; e a dos de Laodicéia, lede-a igualmente perante vós" (Cl 4.16). Ler as cartas do apóstolo Paulo era tão importante, que ele o ordenou com uma imprecação: "Conjuro-vos, pelo Senhor, que esta epístola seja lida a todos os irmãos" (1 Ts 5.27).
A habilidade de ler não é intuitiva. Tem de ser ensinada. E aprender a ler com entendimento é uma tarefa vitalícia. As implicações para os crentes são imensas. A educação da mente na rigorosa disciplina de leitura meditativa é um dos primeiros objetivos da educação. Aigreja de Jesus fica debilitada, quando seu povo é seduzido a pensar que é humilde, ou democrático, ou relevante oferecer uma educação prática que não envolve o treinamento rigoroso da mente, para que esta pense com dedicação e interprete o significado de textos difíceis. O assunto de ganhar a vida não é tão importante quanto o de a próxima geração ter acesso direto ao significado da Palavra de Deus.
Precisamos de uma educação que dê o mais elevado valor (depois de o dar ao próprio Deus) ao conhecimento do significado do Livro de Deus e ao desenvolvimento das habilidades que nos trarão as suas riquezas por toda a vida. Seria melhor morrer por falta de alimento do que não assimilar o significado da carta aos Romanos. Senhor, não permita que falhemos para com a próxima geração!
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Nota de tristeza
Quem acompanha as notícias da Igreja Perseguida há algum tempo certamente se lembra do caso das três professoras de escola dominical da Indonésia que foram presas e condenadas por evangelizar crianças muçulmanas. Elas ficaram na cadeia de maio de 2005 a junho de 2007.
Uma delas, a Ratna, faleceu anteontem, em decorrência de lúpus. Oremos pela família. Ela deixou o marido e dois filhos, um de 11 anos e outro de 6.
Nós aqui da Missão acompanhamos muito de perto esse caso, que ocupou várias páginas da revista, em diferentes edições. Abaixo, uma declaração feita por ela enquanto estava presa:
“Antes, eu estava sempre rodeada por irmãos em Cristo. Agora vivo entre pessoas não convertidas. Percebi como é difícil compartilhar o amor de Deus e a minha própria vida com eles. Também é muito difícil ficar longe dos meus filhos e do meu marido. Mas eu estou grata porque o fiel amor de Deus nunca me deixou. Deus me ajuda em todos os momentos. A segunda coisa que me faz pensar é que quando Jesus multiplicou os pães e os peixes para alimentar 5 mil pessoas, Ele transformou nada em alguma coisa. Eu me sinto como pães e peixes insignificantes. O sofrimento que estou passando não é nada comparado com o que outros cristãos ao redor do mundo estão enfrentando. Como o pão, eu fui partida para me tornar uma bênção para muitas pessoas. Estou sendo transformada nesse lugar. Por último, a prisão é uma escola de fé. É aqui que luto pela minha fé, de modo a fazer parte do plano de Deus. Não é uma coincidência que eu esteja aqui na prisão.”
Para quem quiser saber mais ou recordar como foi o reencontro dela com a família, logo depois de sua saída da prisão, clique aqui.
Esboço de sermão 1: Lc 7.36-50
[Sempre tive curiosidade de saber como eram estruturados os
esboços dos pregadores que eu ouvia. E não somente disso, mas eu também desejava ardentemente me apossar daquele pequeno pedaço de papel rabiscado. Sem nenhuma vergonha, vez por outra eu pedia ao pregador que me desse o esboço que ele havia acabado de usar, ao que a maioria me respondia: “Puxa vida! Só tenho este, e não fiz nenhuma cópia. Sinto muito, irmão”. Arghhhhhh! Se pelo menos fosse digitado no computador, o pregador não tinha como escapar, pois eu faria questão de lembrar-lhe de que ele poderia imprimir novamente. Mas a maioria era mesmo manuscrita. Uma xerox? Deixa pra lá.
Não vou prometer, mas sempre que puder estarei posta ndo aqui no Optica Reformata (OR) os esboços que uso em minhas pregações. Algumas sentenças são sucintas justamente por se tratar de um esboço. E, para não ser acusado de plágio, faço questão de dizer que boa parte deles contém excertos de livros que consulto (comentários bíblicos, etc.). Espero que essa série de postagens possa ser útil para alguém].
***
A PECADORA QUE UNGIU OS PÉS DE JESUS E A PARÁBOLA DOS DOIS DEVEDORES (Lc 7.36-50)
Pouca gente percebe, mas no meio do texto que acabamos de ler existe uma parábola. Tal falta de percepção deve-se ao fato de que, à semelhança de parábolas como a do Bom Samaritano (Lc 10.25-37) e a do Camelo e da Agulha (Lc 18.18-30), a presente parábola encontra-se no centro de um diálogo teológico, que acaba por engoli-la. O relato (v. 36-50) está estruturado em sete cenas.
- Introdução (o fariseu, Jesus e a mulher);
- O derramamento do amor da mulher (em ação);
- Um diálogo (Simão julga erradamente);
- Uma parábola;
- Um diálogo (Simão julga retamente);
- O derramamento do amor da mulher (em retrospecto);
- Conclusão (os fariseus, Jesus e a mulher).
1. Introdução
· Um fariseu (Simão) convida Jesus para jantar. Pode ser que ele tenha ficado impressionado com algum discurso que Jesus tenha feito. No século I os grupos religiosos da Palestina reuniam-se para estudar a Torá, muitas vezes até tarde da noite, quando estavam discutindo ou quando havia uma conferência do seu mestre ou de um sábio visitante. Jesus seria, então, esse “sábio visitante”.
· Jesus toma lugar à mesa. Também pode ser traduzido como, “reclinou-se”. Quando os sinóticos falam de “reclinar-se” para uma refeição dentro de casa, referem-se a um banquete. Deitava-se bruços com as pernas esticadas, apoiando-se sobre o cotovelo esquerdo (isto explica porque a mulher chegou-se aos pés de Jesus, por trás dele). A mesa é longa e baixa, e não como as de hoje.
· A recepção do hospedeiro. O fariseu não foi nada gentil para com seu ilustre visitante. Contrariando os costumes comuns de hospitalidade da época, ele não lavou os pés de seu convidado (a primeira coisa que deveria ser feita); nem o beijou (sinal de desprezo – “não confiar em quem não o beija”; inferioridade social), como se faziam com os mestres da época; e nem o ungiu com óleo. (Falar sobre os costumes que adotamos ao receber visitas no mundo de hoje).
Eis que entra em cena uma moradora local – uma prostituta.
2. A ação da mulher e o julgamento (errôneo) de Simão
· Naquela cultura, as portas da casa permaneciam abertas, e os desocupados da aldeia se aglomeravam por detrás dos servos, que ficavam por detrás dos divãs . Foi assim que a mulher obteve acesso à casa do fariseu. E ela fez mais do que cumprir as regras de hospitalidade que o fariseu desprezou. Ela faz três coisas aos pés de Jesus: ela os lava, beija eunge. Não podendo beijar Jesus no rosto (as mulheres não podiam saudar aos homens dessa forma), ela beija seus pés; não tendo óleo para ungir sua cabeça, ela unge seus pés com um valioso perfume (que servia tanto para perfumar o hálito como a pessoa – ela não precisaria mais daquele unguento que usava no dia-a-dia de sua profissão). Em seguida, um ato seu desperta o comentário mordaz que Simão faz consigo mesmo: ela desata os cabelos para enxugar os pés de Jesus. Na cultura oriental, a mulher só deve desatar seus cabelos perante seu marido. O Talmude indica que um marido pode pedir divórcio se sua mulher desatar os cabelos perante outro homem. Em regiões conservadoras do mundo islâmico os cabeleireiros são proibidos de pentear as mulheres. Sugerimos que a mulher não premeditou isso. Ela apenas se deu conta de que não tinha nada com que enxugar os pés de Jesus.
· Vendo aquela cena, Simão, em vez de prontamente reconhecer seu fracasso como hospedeiro, prefere desferir seu golpe mortal contra aquela pecadora; e não somente contra ela, mas também contra o próprio Jesus, a quem ele se refere desdenhosamente como “esteprofeta”, pondo em dúvida inclusive a validade de seu ministério.
3. A parábola de Jesus e o parecer (certeiro) de Simão
Simão, que acabara de negar a onisciência de Jesus, é surpreendido pelo fato de Jesus revelar o que acabara de passar no coração daquele fariseu. A parábola é simples. Um credor perdoa (lit. “oferecer graça”, em Paulo) a dois de seus devedores, cada um em seu nível. A pergunta de Jesus “encurrala” a Simão, e ele percebe de imediato a lógica evidente da parábola.
4. A ação da mulher em retrospecto
Jesus aplica a parábola à mulher, o que evidentemente chocou a todos os hóspedes ali presentes. Ainda que o hóspede não fosse adequadamente recebido pelo anfitrião, ainda assim ele deveria dizer que não era digno de tais cortesias. Jesus simplesmente quebra o decoro! “Não me deste água para os pés”; “não me deste ósculo” (segundo o costume da época, o discípulo beijava o rabi nas mãos); “não me ungiste a cabeça com óleo” (que era um produto barato e muito comum na Palestina do séc. I). Jesus faz questão de comparar o fariseu com a mulher, para a vergonha daquele homem preconceituoso.
5. A reação dos hóspedes e a resposta de Jesus
A pergunta dos hóspedes que ali estavam era um pouco alheia ao assunto. Jesus bem que poderia intervir e reivindicar sua autoridade para perdoar pecados (como fez em Lc 5.17-26), mas ele opta por dirigir-se à mulher. O que salvou aquela mulher não foram suas obras, e sim a sua fé.
Conclusão (temas teológicos da parábola)
[Sugestão: em cada ponto, fazer uma aplicação espontânea às necessidades da igreja local]
1. O perdão é um dom imerecido de Deus e é oferecido gratuitamente àqueles que creem;
2. Uma vez aceita tal oferta, gestos de amor e gratidão são imediatamente desencadeados;
3. Jesus é o único agente de Deus através de quem é anunciado o perdão;
4. Deus não faz acepção de pessoas. Em um mundo de homens e em um banquete de homens, uma mulher desprezada pela sociedade é recebida e exaltada por Jesus.
5. Diante de Jesus, somente duas atitudes são possíveis: fé (no caso da mulher) ou rejeição (no caso do fariseu).
Soli Deo Gloria!
[Sermão pregado na I Igreja Presbiteriana em Santarém/PA, na noite de 25 de julho de 2010]
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Bibliografia consultada: BAILEY, Kenneth. As parábolas de Lucas. Edições Vida Nova, SP, 1995. 3ª Ed. Pág. 37-61.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
João 3.16 & As Doutrinas da Graça
João 3.16
& As Doutrinas da Graça
Marcelo Lemos
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” – João 3.16.
O texto acima tem sido freqüentemente utilizado contra as antigas Doutrinas da Graça. Comumente se alega que doutrinas como a da Eleição Incondicional, por exemplo, não podem ser verdadeiras, já que Deus “amou o mundo de tal maneira”. Se Deus amou o mundo, alegam, não pode ter amado salvificamente apenas os eleitos. Somam a este argumento uma interpretação descontextualizada para a afirmação “para que todo aquele que nele crê”; vendo nela uma prova para a suposta capacidade humana para agradar a Deus.
O homem, todavia, não tem nenhuma capacidade para se fazer agradável a Deus; nem o termo ‘mundo’ presente no versículo serve para negar a doutrina da Eleição Incondicional. A impressão contrária nasce apenas devido ao costume de muitos em isolar este versículo do restante do contexto.
Jesus está conversando com Nicodemos, um grande especialista em religião judaica. Além disso, Nicodemos é também um homem que nutre sincera simpatia por Cristo, v. 2. Porém, este homem ouve uma dura advertência da boca do Senhor:“Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (v.3). Jesus é extremamente descortês com Nicodemos: claramente seu objetivo é sacudir as bases humanísticas da religião adotada até então pelo mesmo. É possível que Nicodemos esperasse ser elogiado pelo Senhor, afinal, mesmo sendo um dos chefes da religião judaica, era capaz de admitir que os sinais operados por aquele humilde Galileu significavam algo mais. Mas, para sua surpresa, Jesus simplesmente ignora o testemunho externo de Nicodemos, e o confronta com algo muito mais importante e profundo: a necessidade de nascer de novo!
Nicodemos pôde perceber que havia algo de especial em Jesus; do mesmo modo que muitos hoje em dia possuem uma impressão muito positiva sobre Cristo. Porém, tal impressão, que poderia até mesmo gerar uma confissão de fé externa, não era suficiente para Jesus. Tal convicção externa deveria ser traduzida em convicção interna, em novo nascimento, em fé genuína na pessoa e na obra do Senhor.
Nicodemos não fazia a menor idéia do que Jesus estava falando: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?” – ele pergunta abismado. Há um detalhe na reação de Nicodemos que passa despercebido para muitos leitores. Nicodemos interpreta a figura utilizada por Jesus de modo literal, fugindo do real ensino pretendido. Mas, conforme nos ensinam diversos comentaristas, tal figura de linguagem não era estranho à própria religião judaica. De fato, ‘novo nascimento’ era a forma como os judeus denominavam a conversão de um prosélito, que abandonava o paganismo para abraçar a religião de Moisés.
Foi o preconceito racial que impediu Nicodemos de compreender corretamente a religião de Jesus Cristo. Para Nicodemos era impensável que um judeu, que se via “filho de Deus” por nascimento, precisasse, assim como os gentios, de um novo nascimento. Tal possibilidade sequer passou por sua cabeça, de modo que sua única opção foi interpretar a figura utilizada por Jesus literalmente – por mais absurda que tal opção fosse!
Nicodemos estava tão sinceramente surpreso com a exigência feita por Jesus, que o Senhor imediatamente passa a esclarecer o assunto:
Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de ter dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito – João 3.5-8.
“O que nasceu da carne, é apenas carne, Nicodemos” – explicou Jesus. Sua origem judaica, sua circuncisão, sua rigidez cerimonial, nem qualquer outro mérito humano, lhe poderão conceder o status de filho de Deus. Carne é apenas o que é, carne! Não importa se você, Nicodemos, é judeu ou gentio; carne só pode dar origem a carne. Apenas o Espírito pode gerar filhos espirituais a Deus, portanto, não fique surpreso por eu lhe dizer que te é necessário nascer de novo!
Nicodemos vivia e pregava uma religião matemática e previsível. O judaísmo tinha sua própria formula para se ganhar o favor de Deus: ser descendente de Abraão; ser circuncidado; obedecer às cerimônias mosaicas. Eles encaixotaram Deus, e a salvação por ele ofertada. Mas, não era este o ensino da religião de Jesus: “o vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”.
Nicodemos vivia e pregava uma religião que pretendia controlar o vento. Porém, ensina Jesus, podemos até ouvir o som do vento, mas não podemos controlar de onde ele vem, nem para onde ele vai. O vento é soberano, e eficaz – não precisa da nossa autorização, nem pode ser resistido. O vento assopra. Ponto final.
Infelizmente muitos vão a João 3.16 procurando identificar ali a causa da salvação, e não a prova e a certeza dela. De fato, o versículo 16 não nos fala diretamente sobre a causa da salvação do pecador, mas sobre aquilo que comprova sua realidade, eassegura o seu resultado. Todo aquele que tem fé em Jesus Cristo, em qualquer lugar do mundo, sendo ou não judeu, não perecerá, mas terá a vida eterna. Uma vida que não pode perecer jamais, isto está assegurada a todos os homens que depositam sua fé em Cristo, independentemente de sua nacionalidade.
Mas, afinal de contas, qual a causa primeira da salvação destes crentes? Jesus já falou sobre ela nos versículos anteriores. Segundo ele, não está nos méritos, nas capacidades ou nos supostos ‘direitos’ naturais do homem. Então, onde está acausa? A resposta de Cristo é definitiva e inquestionável:
“O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito”.
Pense nisso, e creia no Evangelho.
Paz e bem!
Uma Defesa do Calvinismo - Pr. Charles Haddon Spurgeon
Pr. Charles Haddon SpurgeonUma Defesa do CalvinismoTradução: Walter Andrade Campelo É uma grande coisa já começar a vida Cristã crendo em boa e sólida doutrina. Algumas pessoas têm recebido vinte diferentes "evangelhos" neste mesmo número de anos; e quantos mais irão aceitar antes que sua jornada termine é difícil de dizer. Dou graças a Deus por Ele logo cedo ter me ensinado o evangelho, e tenho estado tão perfeitamente satisfeito com ele, que não quero conhecer nenhum outro. Porque, se eu cresse no que alguns pregam sobre uma salvação temporária, e sem importância, que somente dura por um tempo, eu raramente seria grato por ela, se é que seria; mas quando sei que aqueles que Deus salva, Ele os salva com uma salvação eterna, quando sei que Ele lhes dá uma justiça eterna, quando eu sei que Ele os assenta em uma fundação eterna de amor eterno, e que Ele os trará ao Seu reino eterno, oh, então me admiro, e me surpreendo pelo fato de uma bênção tal como esta tenha, em algum momento, sido dada a mim! Suponho que haja algumas pessoas cujas mentes naturalmente se inclinam em direção à doutrina do livre-arbítrio. Eu posso somente dizer que a minha se inclina naturalmente em direção à doutrina da graça soberana. Algumas vezes, quando vejo algumas das piores personalidades na rua, eu sinto como se meu coração devesse jorrar em lágrimas de gratidão, porque se Deus me tivesse deixado só e não me tivesse tocado por Sua graça, que grande pecador eu teria sido! Eu teria ido aos extremos do pecado, mergulhado nas maiores profundezas do mal, também não teria reprimido qualquer vício ou loucura se Deus não me tivesse restringido. Eu sinto que eu teria sido o próprio rei dos pecadores, se Deus me tivesse deixado só. Eu não consigo entender a razão pela qual sou salvo, exceto sobre a base de que Deus queria que isto fosse assim. Eu não posso, se olhar sinceramente, descobrir qualquer tipo de razão em mim mesmo pela qual eu deva ser um participante da graça Divina. Se não estou neste momento sem Cristo, é somente porque Cristo Jesus tem Sua vontade para comigo, e que esta vontade é que eu deveria estar com Ele onde Ele estiver, e que deveria partilhar da Sua glória. Não posso por a coroa em nenhum outro lugar exceto sobre a cabeça Daquele cuja poderosa graça tem me salvado de seguir abaixo para o abismo. Foi Ele que transformou meu coração, e me colocou de joelhos diante de Si. Posso bem me lembrar da maneira pela qual eu aprendi as doutrinas da graça em um único instante. Nascido, como todos nós somos por natureza, um arminiano, ainda cria nas velhas coisas que tinha ouvido continuamente do púlpito, e não via a graça de Deus. Quando estava vindo a Cristo, pensei estar fazendo aquilo tudo por mim mesmo, e ainda que buscasse o Senhor sinceramente, não tinha idéia de que o Senhor estava me buscando. Não penso que o novo convertido esteja, a princípio, consciente disto. Eu posso relembrar o dia e a hora exatos em que pela primeira vez recebi aquelas verdades em minha própria alma, quando elas foram, como diz John Bunyan, gravadas em meu coração como com um ferro em brasa; e eu posso recompor como me senti quando cresci repentinamente de um bebê para um homem que havia feito progressos no conhecimento das Escrituras, por ter encontrado, de uma vez por todas, a chave para a verdade de Deus. Em uma noite de um dia de semana, quando estava sentado na casa de Deus, não estava pensando muito sobre o sermão do pregador, porque não cria nele. Um pensamento me tocou: "Como você veio a ser um Cristão?" Eu vi o Senhor. "Mas como você veio a buscar o Senhor?" A verdade lampejou por minha mente em um momento, eu não poderia tê-lo buscado a menos que tivesse havido alguma influência prévia em minha mente para me fazer buscá-Lo. Eu orei, pensei eu, mas quando perguntei a mim mesmo, como eu vim a orar? Fui induzido a orar pela leitura das Escrituras. Como eu vim a ler as Escrituras? Eu as havia lido, mas o que me levou a assim proceder? Então em um instante, eu vi que Deus estava na base disto tudo, e que Ele foi o Autor da minha fé, e assim toda a doutrina da graça se tornou acessível a mim, e desta doutrina eu não me afastei até hoje, e desejo fazer desta, a minha confissão perpétua: "Eu atribuo minha conversão inteiramente a Deus". Certa vez compareci a um culto aonde o texto veio a ser: "[Ele] escolherá para nós a nossa herança"1 e o bom homem que ocupou o púlpito era mais do que apenas um pouco arminiano. Por esta razão, quando começou, ele disse: "Esta passagem se refere inteiramente à nossa herança temporal, não tem nada a ver com nosso destino eterno, porque", disse ele, "nós não queremos que Cristo faça por nós a escolha do Céu ou do inferno. Isto é tão claro e direto, que cada homem que tenha um grão de senso comum irá escolher o Céu, e nenhuma pessoa será tão desajuizada que escolha o inferno. Não temos qualquer necessidade de alguma inteligência superior, ou de qualquer grande Ser, para escolher Céu ou inferno por nós. Isto é deixado para o nosso próprio livre-arbítrio, e temos bastante sabedoria dando-nos meios suficientemente corretos para julgar por nós mesmos," e, portanto, como ele muito logicamente inferiu, não há necessidade de Jesus Cristo, ou de qualquer outro, fazer a escolha por nós. Nós podemos escolher a herança por nós mesmos sem qualquer assistência. "Ah!" eu pensei, "mas, meu bom irmão, pode ser mesmo verdade que nós podemos, mas penso que precisamos querer algo mais que o senso comum antes que possamos escolher corretamente". Primeiro, deixe-me perguntar, não devemos todos nós admitir uma soberana Providência, e a designação da mão do SENHOR, como os meios através dos quais nós viemos a este mundo? Aqueles homens que pensam que, depois de tudo, nós somos deixados ao nosso próprio livre-arbítrio para escolher este ou aquele para direcionar os nossos passos, deve admitir que nossa entrada neste mundo não aconteceu por nossa própria vontade, mas que Deus teve, naquela hora, que escolher por nós. Que circunstâncias foram aquelas, sob de nosso controle, que nos direcionaram a eleger certas pessoas como sendo nossos pais? Tivemos nós alguma coisa a ver com isto? Não foi o próprio Deus que determinou nossos pais, nosso local de nascimento, e amigos? John Newton costumava contar uma parábola sobre uma boa mulher que, de modo a provar a doutrina da eleição, dizia: "Ah! meu caro, o Senhor deve ter me amado antes de eu nascer, ou caso contrário Ele não teria visto nada em mim para amar depois". Estou certo que é verdade no meu caso; Eu creio na doutrina da eleição, porque estou bem certo que, se Deus não me tivesse escolhido, eu nunca O teria escolhido; e tenho certeza que Ele me escolheu antes de eu nascer, ou caso contrário Ele nunca teria me escolhido depois; e Ele deve ter me eleito por razões desconhecidas por mim, porque eu nunca pude encontrar qualquer razão em mim mesmo pela qual Ele devesse me olhar com especial amor. Se seria admirável ver um rio brotar da terra já crescido, tanto mais seria olhar pasmado para uma vasta fonte da qual todos os rios da terra saíssem borbulhando de uma só vez; um milhão deles nascendo em um só nascimento? Que visão haveria de ser! Quem pode concebê-la. E ainda assim o amor de Deus é aquela fonte, formando cada um dos rios de misericórdia, os quais têm sempre satisfeito nosso povo com todos os rios de graça durante o tempo, e de glória depois de subirem. Minh'alma, permaneça naquele manancial sagrado, e adore e exalte para todo o sempre a Deus, nosso Pai, que tem nos amado! Bem no início, quando este grande universo estava na mente de Deus, como florestas não nascidas na semente do carvalho; muito antes que os ecos acordassem os ermos; antes que as montanhas fossem geradas; e muito antes que a luz rompesse pelo céu, Deus amou estas criaturas escolhidas. Antes que houvesse qualquer ser criado, quando o éter ainda não havia sido agitado pelas asas do anjos, quando o próprio espaço ainda não tinha existência, quando não havia nada exceto Deus somente, mesmo então, naquela solidão de Deidade, e naquela penetrante quietude e profundidade, Seu coração se moveu com amor por seus escolhidos. Seus nomes estavam escritos em Seu coração, e então eram eles queridos de Sua alma. Jesus amou Seu povo antes da fundação do mundo, mesmo da eternidade! E quando Ele me chamou por Sua graça, me disse: "Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí"2. Se qualquer um me perguntasse o que eu entendo por um Calvinista, eu responderia: "Ele é alguém que diz: Salvação do Senhor". Eu não consigo encontrar nas Escrituras nenhuma outra doutrina além desta. É a essência da Bíblia. "Só ele é a minha rocha e a minha salvação"3. Me diga qualquer coisa contrária a esta verdade, e será uma heresia; diga-me uma heresia, e eu acharei sua essência aqui: que ela se afastou desta grande, desta fundamental, desta firme verdade, "Deus é minha rocha e minha salvação". Qual é a heresia de Roma, além da adição de algo aos perfeitos méritos de Jesus Cristo, o acréscimo de obras da carne, para auxiliar em nossa justificação? E qual é a heresia do arminianismo além de adicionar algo à obra do Redentor? Cada heresia, se trazida à pedra de toque, irá se descobrir aqui. Eu tenho minha própria opinião particular de que não há tal coisa como pregar Cristo e Ele crucificado, a menos que nós preguemos que nos dias de hoje isto é chamado de Calvinismo. É um apelido chamar a isto de Calvinismo; o Calvinismo é o evangelho, e nada mais. Eu não creio que podemos pregar o evangelho, se não pregarmos a justificação pela fé, sem obras; nem sem pregarmos a soberania de Deus e Sua dispensação de graça; nem sem exaltarmos a eleição, pelo inalterável, eterno, imutável, conquistador amor do SENHOR; nem penso que podemos pregar o evangelho, a menos que o baseemos sobre a especial e particular redenção de Seu povo eleito e escolhido o qual Cristo formou sobre a cruz; nem posso eu compreender um evangelho que deixa santos decaírem após serem chamados, e sujeitar os filhos de Deus a serem queimados no fogo da condenação após terem uma vez crido em Jesus. Tal evangelho eu abomino. Não há alma viva que defenda mais firmemente as doutrinas da graça que eu, e se algum homem me pergunta se porventura me envergonho de ser chamado Calvinista, respondo que eu não quero ser chamado de nada além de Cristão; mas se você me perguntar, eu defendo a visão doutrinária que foi defendida por João Calvino, eu replico, estou no centro de sua defesa, e estou feliz por professá-la. Mas, longe de mim, sequer imaginar que Sião não contém nada além de Cristãos Calvinistas dentro de seus muros, ou que não há ninguém salvo que não defenda nossa visão. Creio que há multidões de homens que não conseguem ver estas verdades, ou, pelo menos, não conseguem vê-las do modo em que nós as colocamos, mas que não obstante, têm recebido a Cristo como seu Salvador, e são tão queridos do coração do Deus de graça como o mais ruidoso Calvinista dentro ou fora do Céu. Frequentemente é dito que estas doutrinas nas quais nós cremos têm uma tendência de nos levar ao pecado. Eu tenho ouvido isto ser declarado muito positivamente: que aquelas grandes doutrinas que amamos, e que encontramos nas Escrituras, são licenciosas. Não sei quem terá a audácia de fazer esta afirmação, quando considerar que os mais santos dentre os homens têm crido nelas. Pergunto ao homem que se atreve a dizer que o Calvinismo é uma religião licenciosa, o que ele pensa do caráter de Agostinho, ou de Calvino, ou de Whitefield, que em sucessivas eras foram grandes expoentes do sistema da graça; ou o que diria dos Puritanos, cujas obras estão cheias delas? Se um homem tivesse sido um Arminiano naqueles dias, teria sido considerado o mais vil herege vivente, mas agora nós somos vistos como hereges, e eles como ortodoxos. Nós temos retornado à velha escola; nós podemos traçar nossa linhagem desde os apóstolos. É aquele veio de livre-graça, correndo através da pregação de Batistas, os quais nos têm salvado como denominação. Não é por isto que nós não podemos permanecer onde estamos hoje. Nós podemos correr uma linha dourada até o próprio Jesus Cristo, através de uma santa sucessão de vigorosos pais, todos os quais defenderam estas gloriosas verdades; e podemos perguntar a seu respeito: "Onde você encontraria homens melhores e mais consagrados no mundo?". Nenhuma doutrina é tão planejada para preservar o homem do pecado quanto a doutrina da graça de Deus. Aqueles que a têm chamado de "doutrina licenciosa" não sabem nada a seu respeito. Coisas pobres da ignorância, eles mal souberam que seu próprio material ruim foi a mais licenciosa doutrina sob o céu. Se eles conhecessem a graça de Deus em verdade, eles logo iriam ver que não houve nada que preservasse mais da queda que o conhecimento de que somos eleitos de Deus desde a fundação do mundo. Não há nada como a crença na perseverança eterna, e na imutabilidade da afeição de meu Pai, que possa me manter mais perto Dele, pela simples razão da gratidão. Nada faz um homem mais virtuoso que a crença na verdade. Uma mentira doutrinária irá logo produzir uma prática mentirosa. Um homem não pode ter uma crença errada sem em algum momento futuro ter uma vida errônea. Eu creio que uma coisa naturalmente leva à outra. De todos os homens, os que têm a mais desinteressada piedade, a mais sublime reverência, a mais ardente devoção, são aqueles que crêem que são salvos pela graça, sem obras, através da fé, e não de si mesmos, a qual é dom de Deus.4 Os Cristãos devem ter cautela, e ver que isto sempre é assim, a fim de que por quaisquer meios Cristo não seja novamente crucificado, e exposto ao vitupério5. |
Arminianismo X Calvinismo
Quadro Comparativo:
ARMINIANISMO X CALVINISMO | ||
Categoria | Arminianismo | Calvinismo |
1. Livre-Arbítrio ouCapacidade Humana | 1. Incapacidade Total ou Depravação Total | |
Depravação Total | (Is.55:7; Mt.25:41-46; Mc.9:47-48; Rm.14:10-12; 2Co.5:10) Embora a queda de Adão tenha afetado seriamente a natureza humana, as pessoas não ficaram num estado de total incapacidade espiritual. Todo pecador pode arrepender-se e crer, por livre-arbítrio, cujo uso determinará seu destino eterno. O pecador precisa da ajuda do Espírito, e só é regenerado depois de crer, porque o exercício da fé é a participação humana no novo nascimento. | O homem natural não pode sequer apreciar as coisas de Deus. Menos ainda salvar-se. Ele é cego, surdo, mudo, impotente, leproso espiritual, morto em seu pecado, insensível à graça comum. Se Deus não tomar a iniciativa, infundindo-lhe a fé salvadora, e fazendo-o ressuscitar espiritualmente, o homem natural continuará morto eternamente. (Sl.51:5; Jr.13:23; Rm.3:10-12; 7:18; 1Co.2:14; Ef.1:3-12; Cl.2:11-13) |
2. Eleição Condicional | 2. Eleição Incondicional | |
Eleição Incondicional | (Dt.30:19; Jo.5:40; 8:24; Ef.1:5-6,12; 2:10; Tg.1:14; 1Pe.1:2; Ap.3:20; 22:17) Deus escolheu as pessoas para a salvação, antes da fundação do mundo, baseado em Sua presciência. Ele previu quem aceitaria livremente a salvação e predestinou os salvos. A salvação ocorre quando o pecador escolhe a Cristo; não é Deus quem escolhe o pecador. O pecador deve exercer sua própria fé, para crer em Cristo e ser salvo. Os que se perdem, perdem-se por livre escolha: não quiseram crer em Cristo, rejeitaram a graça auxiliadora de Deus. | Deus elegeu alguns para a salvação em Cristo, reprovando os demais. Aos eleitos Deus manifesta a Sua misericórdia e aos reprovados a Sua justiça. Deus não tem a obrigação de salvar ninguém, nem homens nem anjos decaídos. Resolveu soberanamente salvar alguns homens (reprovando todos os demais) e torná-los filhos adotivos quando eram filhos das trevas. Teve misericórdia de algumas criaturas, e deixou as demais (inclusive os demônios) entregues às suas próprias paixões pecaminosas. A salvação é efetuada totalmente por Deus. A fé, como a salvação, é dom de Deus ao homem, não do homem a Deus.(Ml.1:2-3; Jo.6:65; 13:18; 15:6; 17:9; At.13:48; Rm.8:29, 30-33; 9:16; 11:5-7; Ef.1:4-5; 2:8-10; 2Ts.2:13; 1Pe.2:8-9; Jd.4) |
3. Redenção Universal ou Expiação Geral | 3. Redenção Particular ou Expiação Limitada | |
Expiação Limitada | O sacrifício de Cristo torna possível a toda e qualquer pessoa salvar-se pela fé, mas não assegura a salvação de ninguém. Só os que crêem nEle, e todos os que crêem, serão salvos.(Jo.3:16;12:32; 17:21; 1Jo.2:2; 1Co.15:22; 1Tm.2:3-4; Hb.2:9; 2Pe.3:9; 1Jo.2:2) | Segundo Agostinho, a graça de Deus é "suficiente para todos, eficiente para os eleitos". Cristo foi sacrificado para redimir Seu povo, não para tentar redimi-lo. Ele abriu a porta da salvação para todos, porém, só os eleitos querem entrar, e efetivamente entram. (Jo.17:6,9,10; At.20:28; Ef.5:15; Tt.3:5) |
4. Pode-se Efetivamente Resistir ao Espírito Santo | 4. A Vocação Eficaz do Espírito ou Graça Irresistível | |
Graça Irresistível | (Lc.18:23; 19:41-42; Ef.4:30; 1Ts.5:19) Deus faz tudo o que pode para salvar os pecadores. Estes, porém, sendo livres, podem resistir aos apelos da graça. Se o pecador não reagir positivamente, o Espírito não pode conceder vida. Portanto, a graça de Deus não é infalível nem irresistível. O homem pode frustrar a vontade de Deus para sua salvação. | (Jr.3:3; 5:24; 24:7; Ez.11:19; 20; 36:26-27; 1Co.4:7; 2Co.5:17; Ef.1:19-20; Cl.2:13; Hb.12:2) A graça de Deus é infalível: acaba convencendo o pecador de seu estado depravado, convertendo-o, dando-lhe nova vida, e santificando-o. O Espírito Santo realiza isto sem coação. É como um rapaz apaixonado que ganha o amor de sua eleita e ela acaba casando-se com ele, livremente. Deus age e o crente reage, livremente. Quem se perde tem consciência de que está livremente rejeitando a salvação. Alguns escarnecem de Deus, outros se enfurecem, outros adiam a decisão, outros demonstram total indiferença para as coisas sagradas. Todos, porém, agem livremente. |
5. Decair da Graça | 5. Perseverança dos Santos | |
Perseverança dos Santos | (Lc.21:36; Gl.5:4; Hb.6:6; 10:26-27; 2Pe.2:20-22) Embora o pecador tenha exercido fé, crido em Cristo e nascido de novo para crescer na santificação, ele poderá cair da graça. Só quem perseverar até o fim é que será salvo. | (Is.54:10; Jo.6:51; Rm.5:8-10; 8:28-32, 34-39; 11:29; Fp.1:6; 2Ts.3:3; Hb.7:25) Alguns preferem dizer "perseverança do Salvador". Nada há no homem que o habilite a perseverar na obediência e fidelidade ao Senhor. O Espírito é quem persevera pacientemente, exercendo misericórdia e disciplina, na condução do crente. Quando ímpio, estava morto em pecado, e ressuscitou: Cristo lhe aplicou Seu sangue remidor, e a graça salvífica de Deus infundiu-lhe fé em para crer em Cristo e obedecer a Deus. Se todo o processo de salvação é obra de Deus, o homem não pode perdê-la! Segundo a Bíblia, é impossível que o crente regenerado venha a perder sua salvação. Poderá até pecar e morrer fisicamente (1Co.5:1-5). Os apóstatas nunca nasceram de novo, jamais se converteram. |
Rejeitado pelo Sínodo de Dort Este foi o sistema de pensamento contido na "Remonstrância" (embora originalmente os cinco pontos não estivessem dispostos nessa ordem). Esse sistema foi apresentado pelo arminianos à Igreja na Holanda em 1610, mas foi rejeitado pelo Sínodo de Dort em 1619 sob a justificativa de que era anti-bíblico. | Reafirmado pelo Sínodo de Dort Este sistema de teologia foi reafirmado pelo Sínodo de Dort em 1619 como sendo a doutrina da salvação contida nas Escrituras Sagradas. Naquela ocasião, o sistema foi formulado em "cinco pontos" (em resposta aos cinco pontos apresentados pelos arminianos) e desde então tem sido conhecido como "os cinco pontos do calvinismo". | |
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