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domingo, 24 de julho de 2011

O Sofrimento Produz Crentes Fortes – C. H. Spurgeon


Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade.

Lamentações 3.27



Estas palavras são tão boas quanto uma promessa. Tem sido e continuará sendo bom para mim suportar o jugo.


Bem cedo em minha vida, senti o peso da convicção do pecado e, desde então, o jugo tem demonstrado ser algo que enriquece a alma. Eu não teria amado intensamente o evangelho, se não tivesse conhecido, por meio de experiências profundas, a necessidade de ser salvo pela graça. Jabes foi mais ilustre do que seus irmãos, porque a sua mãe o deu à luz em meio a muito sofrimento. Aqueles que sofrem muito para serem nascidos de Deus tornam-se crentes fortes na graça soberana.


O jugo da reprovação é bastante cansativo, mas prepara o homem para honra futura. Não está preparado para ser um líder aquele que não passou pela disciplina do desprezo. O louvor envenena, se não for precedido pela injúria. Os homens que, sem passarem por lutas, são elevados à posição eminência geralmente caem em desonra.


O jugo da aflição, do desapontamento e do trabalho excessivo não é, de maneira alguma, procurado pelas pessoas. Mas, quando o Senhor coloca esse jugo sobre nós, durante nossa mocidade, frequentemente tal jugo desenvolve em nós ti caráter que glorifica a Deus e abençoa a igreja.


Ó minha alma, deves prostrar-te diante de Deus e tomar t tua cruz. Se ela era boa para ti, estando ainda em tua mocidade, ela não te machucará agora. Por amor a Jesus, coloca-a alegremente em teus ombros.
Fonte: [C.H. Spurgeon]

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sem Pontes na Aflição - C. H. Spurgeon


Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimar ás, nem a chama arderá em ti. - Isaías 43.2

Não existe nenhuma ponte. Temos de passar pelas águas e sentir a correnteza dos rios. A presença de Deus nas águas é melhor do que um barco a motor. Seremos provados, mas sairemos triunf antes, pois Jeová mesmo, que é mais poderoso do que as muitas águas, estará conosco. Ainda que em outras circunstâncias o Senhor se encontre afastado de seu povo, certamente estará com eles nos perigos e nas dificuldades. As tristezas da vida podem elevar-se a um nível extremamente alto, mas o Senhor é equivalente a qualquer circunstância.

Os inimigos de Deus podem colocar diante de nós perigos criados por eles mesmos, tais como: perseguição, zombaria impiedosa, que assemelham-se a uma fornalha intensa. O que devemos fazer, então? Andaremos pelo fogo. Se Deus está conosco, não seremos queimados; não, nem mesmo o cheiro de fogo permanecerá sobre nós.

Oh! que maravilhosa segurança desfruta o peregrino nascido do céu e a este destinado! As muitas águas não podem arrastá-lo, nem o fogo, queimá-lo. A tua presença, ó Senhor, é a proteção de teus santos diante dos muitos perigos da jornada. Pela fé, me entrego a Ti, e meu espírito entra em descanso.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Uma Estranha Descoberta - John Piper

                                               "Eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer"


Talvez tenha sido simples obediência ao mandamento de Cristo expresso em Atos 9.15, 16. Quando Jesus enviou Ananias para abrir os olhos de Paulo depois de ele ter ficado cego na estrada para Damasco, disse: "Vai, porque este [Paulo] é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome. Em outras palavras, o sofrimento era simplesmente parte do chamado apostólico de Paulo. Para ser fiel ao seu chamado, ele tinha de receber tudo o que Cristo lhe dava: muito sofrimento.

"Dava" é a palavra certa. Porque, ao escrever aos filipenses, Paulo, incrivelmente, chama o sofrimento de dádiva, do mesmo modo que a fé: "Foi-vos concedida a graça (echaristhe - dar gratuitamente) de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele" (Fp 1.29). Mas isso significaria que a "dádiva" dada a ele como parte do seu apostolado não é vista por Paulo como limitada aos apóstolos. Ela é "concedida" aos crentes de Filipos, a toda a igreja.

Outras pessoas têm feito a mesma descoberta estranha, de que o sofrimento é uma dádiva a ser recebida. Alexander Solzhenitsyn falou do seu tempo na prisão, com todo o seu sofrimento, como uma dádiva. "Foi apenas quando eu estava deitado sobre a palha podre da cela que eu senti dentro de mim o bem se movendo pela primeira vez. Gradualmente, foi-me revelado que a linha que separa o bem do mal não passa entre países, nem entre classes, nem mesmo entre partidos políticos, mas bem pelo meio de todo coração humano — e pelo meio de todos os corações humanos. [...] Bendita seja, prisão, por ter feito parte da minha vida." Solzhenitsyn concorda com o apóstolo Paulo em que o sofrimento é — ou pode ser— uma dádiva não apenas para os apóstolos, mas para cada cristão.

Para mostrar que ele era simplesmente um cristão Isso levanta a seguinte pergunta: será que Paulo acatou seu sofrimento porque isso confirmaria que ele era simplesmente um discípulo fiel de Jesus? Jesus dissera: "Se alguém quer vir após mim, a Si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa, esse a salvará" (Lc 9.23, 24). Portanto, não existe cristianismo verdadeiro sem cruz para carregar e sem morrer diariamente — o que se mostra bem parecido com a exclamação de Paulo: "Dia após dia, morro!" (ICo 15.31). Mais que isso, Jesus tinha dito aos seus discípulos: "Não é o servo maior que o seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros" (Jo 15.20). Por essa razão, alguma coisa estaria errada se Paulo não partilhasse os sofrimentos de Jesus. Jesus dera aos seus discípulos uma imagem sinistra do ministério deles: "Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos" (Lc 10.3). E lhes prometera: "Sereis entregues até por vossos pais, irmãos, parentes e amigos; e matarão alguns dentre vós" (Lc 21.16); "sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome" (Mt 24.9).

É evidente que Paulo não pensava que essas promessas de sofrimento restringiam-se aos primeiros doze apóstolos, porque passou-as às suas igrejas. Por exemplo, ele encorajou todos os seus convertidos, dizendo-lhes: "Através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus" (At 14.22). E animou os atribulados crentes de Tessalônica, dizendo-lhes: "Ninguém se inquiete com estas tribulações. Porque vós mesmos sabeis que estamos designados para isto" (lTs 3.3). E, ao escrever para Timóteo, formulou um princípio geral: "Todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos" (2Tm 3.12). Quando falava dos seus sofrimentos, não dizia que eram exclusivos, mas incentivava as igrejas: "Sede meus imitadores" (ICo 4.16). Portanto, seria compreensível se Paulo aceitasse uma vida de sofrimento porque simplesmente confirmaria que ele era cristão. "Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros."
 
Fonte: http://www.ocristaohedonista.com/2010/07/uma-estranha-descoberta-john-piper.html

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Podemos Passar a Noite em um Corredor da Morte? - J. Piper



Charles Wesley dá-nos um exemplo de como alguém pode obedecer a Hebreus 13.13 e sair "fora do arraial", levando o seu vitupério. Em 18 de julho de 1738, dois meses após sua conversão, Charles Wesley fez uma coisa espantosa. Ele havia passado a semana assistindo aos internos da prisão Newgate com um amigo chamado "Bray", que ele descrevia como"um mecânico pobre e ignorante". Um dos homens a quem ele se dirigiu era um negro [escravo] que tinha roubado o seu patrão." ele estava doente, com febre e tinha sido condenado à morte.
Na terça-feira, Charles e Bray perguntaram se podiam ficar na cela durante a noite com os prisioneiros que deveriam ser executados no dia seguinte[isso é fora do arraial!]. Naquela noite eles pregaram o evangelho. Disseram aos homens que "Um homem veio do céu para salvar os pecadores perdidos". Falaram dos sofrimentos do Filho de Deus, sua dor, agonia e morte.

No dia seguinte os homens foram colocados em uma carroça e levados a Tyburn. Charles foi com eles. Cordas foram colocadas em volta do pescoço de cada um, de modo que a carroça, sendo puxada, deixaria-os pendurados no ar e asfixiados até morrer.

O fruto da longa noite de labor Wesley e Bray foi surpreendente. Eis o que Wesley escreveu:

Eles ficaram alegres; cheios de conforto, paz e triunfo; seguramente persuadidos de que Cristo tinha morrido por eles e esperava recebê-los no paraíso.... O negro... saudou-me com seus olhares. Freqüentemente quando seus olhos encontravam os meus, ele sorria para mim com a fisionomia mais serena e alegre que já tinha visto.

Deixamo-los indo encontrar com o seu Senhor, prontos para as bodas. Quando a carroça arrancou, nenhum deles se mexeu ou lutou pela vida, mas suavemente entregaram seus espíritos. Exatamente às doze horas eles partiram. Eu disse umas poucas palavras apropriadas à mul¬tidão ao redor e retornei, cheio de paz e confiança na felicidade dos nossos amigos. Aquela hora sob o patíbulo foi a mais abençoada da minha vida.

Duas coisas surpreendem-me e inspiram nessa história. Uma é o extraordinário poder da mensagem de Wesley sobre a verdade e o amor de Cristo. Todos os prisioneiros condenados foram convertidos. E foram tão profundamente convertidos que podiam olhar a morte face a face (sem qualquer longo período de "acompanhamento" ou "discipulado") e entregaram suas vidas com a confiança de que Cristo os receberia. Seu sofrimento não foi por amor à justiça. Mas a mesma dinâmica estava em operação para sustentá-los. Eles viram seu sofrimento como algo que deveriam atravessar a caminho do céu, e a esperança da glória foi tão real que eles morreram em paz. Ah, que poder tem o testemunho!

Outra coisa que me surpreende foi o simples fato de Wesley ter entrado na prisão e pedir que fosse trancado a noite toda com criminosos condenados que nada mais teriam a perder se matassem outra pessoa. Wesley não tinha um supervisor dizendo-lhe que essa era a sua função. Ele não era um ministro oficial da prisão. Teria sido confortável e agradável passar a noite em casa conversando com seus amigos. Então, por que ele foi?

Deus pôs em seu coração para que ele fosse e Wesley assentiu. Há centenas de coisas estranhas e radicais para as quais Deus está chamando seu povo em benefício das missões mundiais. Não são todos que ouvem o mesmo chamado. O seu poderá ser único. Pode ser alguma coisa que você nunca tenha sonhado em fazer. Pode ser algo que você apenas sonhou em fazer. Mas insisto que você ouça a orientação do Espírito para ver aonde "fora do arraial" ele o está conduzindo, para que você "[leve] o seu vitupério".