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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A Controvérsia Sobre A Graça - Clovis Golçalves





A controvérsia tem início comPedro Pelágio, nascido na Irlanda em 354, que afirmava quesomos capazes de obedecer. Sua posição foi uma reação a uma oração de Agostinho, que dizia"concedes o que ordenaste". Para ele, se Deus dá o que exige de nós, qual o mérito da obediência? Para Pelágio, a natureza humana é inalteravelmente boa e todos os homens são criados como Adão antes da queda, portanto nós somos capazes de evitar o mal e pode haver homens sem pecado. Como não herdamos a natureza pecaminosa, a graça pode até ajudar a fazer o bem, porém não é necessária para alcançar a bondade. Enfim, a graça não acrescenta nada à natureza humana, pelo contrário, é obtida por mérito.
Aurélio Agostinho, também nascido em 354 no Norte da África, opôs-se ferozmente às idéias de Pelágio, afirmando que somos incapazes de obedecer. Enquanto o monge irlandês negava as conseqüências da queda, Agostinho as enfatizava. Para ele, o homem fez mau uso de seu livre-arbítrio e destruiu a si mesmo e a sua descendência. Pela queda, o homem perdeu a liberdade, teve sua mente obscurecida, perdeu a graça que o assistia para o bem, adquiriu uma tendência para o pecado, tornou-se fisicamente mortal e passou a ter culpa hereditária. Dessa forma, o único jeito do homem ser recuperado desse estado de completa ruína é pela graça de Deus. Para Agostinho, essa graça era livre, visto que não é merecida nem conquistada, indispensável pois é a condição sine qua non da salvação,preveniente pois deve vir antes do pecador se recuperar, irresistível porque cumpre o propósito de Deus em dá-la e infalível porque a liberação da graça é sem falha.
Com a condenação dos ensinos de Pelágio no concílio Geral de Cartago, em 418, a controvérsia chegaria ao fim, não fosse os semi-pelagianos, liderados por João Cassiano, terem continuado a oposição a Agostinho, agora afirmando que somos capazes de cooperar. Cassiano insistia que embora a graça fosse necessária à salvação é o homem, e não Deus, que deve desejar o bem. Assim, a graça é dada a fim de que aquele que começou a desejar seja assistido e não para dar o poder de desejar. Para ele, o início das boas ações, bons pensamentos e fé, entendidos como preparação para a graça, é do homem. Portanto, a graça é necessária para a salvação final, mas não para dar a partida.
No alvorecer da Reforma, Martinho Lutero, nascido em 1483 na Alemanha, revive o agostianismo, afirmando que somos cativos do pecado. Seu livro "De servo arbitrio" é uma resposta a Erasmo de Roterdã, pensador católico romano que definiu o livre-arbítrio como "um poder da vontade humana pelo qual um homem pode se dedicar às coisas que o conduzem à salvação eterna, ou afastar-se das mesmas". Lutero nota que a definição de Erasmo não requer a graça para o homem se voltar para o bem ou para Deus. Em oposição a essa definição, afirma que o livre-arbítrio sem a graça de Deus não é livre de forma nenhuma, mas é prisioneiro permanente e escravo do mal, uma vez que não pode tornar-se em bem. Para Lutero, o livre-arbítrio do homem serve apenas para levá-lo à prática do mal e para a salvação sua dependência da graça é absoluta.
Talvez o nome mais relacionado à controvérsia sobre predestinação e livre-arbítrio seja o de João Calvino, nascido em 1509 na França. Sua ênfase sobre o tema pode ser resumida na expressão somos escravos voluntários. Para ele, quando a vontade humana está acorrentada ao pecado, ela não pode fazer sequer um movimento em direção à bondade, quanto menos persegui-la com firmeza. Calvino sempre procurou preservar a glória divina, por isso, no que concerne ao assunto, afirmou que o homem não pode apropriar-se de nada, por mais insignificante que seja, sem roubar de Deus a honra. Quanto ao homem, afirma que tendo sido corrompido pela queda peca não por propulsão violenta ou força externa, mas pelo movimento de sua própria paixão; e ainda, é tal a depravação de sua natureza que ele não pode mover-se e agir a não ser em direção ao mal. Calvino enfatiza a total dependência do homem da graça dizendo que é obra do Senhor renovar o coração, transformando-o de pedra em carne, dar a tanto a boa vontade como o resultado dela e colocar o temor ao Seu nome em nosso coração para que não retrocedamos.
Tiago Armínio, nascido em 1560 na Holanda, ensinava que somos livres para crer. Embora a controvérsia sobre arminianismo e calvinismo tenham colocado Armínio e Calvino em lados opostos, a verdade é que eles tem muito mais pontos em comum que divergentes. O ponto de afastamento é que Armínio considera que a graça pode ser resistida. Para ele, a graça é uma condição necessária para a salvação, mas não uma condição suficiente. Ou seja, sem a graça o homem é incapaz de aceitar a salvação, mas com a graça ele ainda é capaz de rejeitá-la.
Um ano após a morte de Armínio, seus seguidores, chamados Remonstrantes, apresentaram um protesto composto de cinco pontos, nos quais afirmavam que Deus elege ou reprova com base na fé ou incredulidade previstas, Cristo morreu por todos e cada um dos homens, embora só os crentes sejam salvos, o homem é tão depravado que a graça é necessária para a fé ou para a boa obra, mas essa graça é resistível e se o regenerado vai certamente perseverar requer maior investigação. Esses pontos foram respondidos no Sínodo de Dort, originando os chamados "Cinco Pontos do Calvinismo".
Em 1821, o advogado americano Charles Gladison Finney, nascido em 1792, converte-se ao cristianismo. Ele afirmava que não somos depravados por natureza. Para ele, se a natureza é pecaminosa, de tal forma que a ação é necessariamente pecaminosa, então o pecado em ação deve ser uma calamidade, e não pode ser crime, uma vez que a vontade do homem nada tem a ver com ele. Quanto a regeneração, ele a torna dependente da escolha humana, dizendo que nem Deus, nem qualquer outro ser, pode regenerá-lo se sua vontade não mudar de direção. Se ele não mudar a sua escolha, é impossível que ela possa ser mudada. Afinal, para Finney, a regeneração é mera mudança de escolha e de intenção. Ele negava que a regeneração envolvesse mudança na constituição da natureza humana. Em suma, o homem opera a sua própria regeneração.
Os cristãos modernos alinham-se a uma ou mais dessas ênfases. A igreja romana nunca deixou de afagar seu semi-pelagianismo latente. O arminianismo moderno é essencialmente remonstrante, de uma forma que até Armínio reprovaria. Os calvinistas atuais mantém as posições de Agostinho, Lutero e Calvino, conforme expressas nos Cânones de Dort. Infelizmente, Elvis pode ter morrido, mas Pelágio e Finney continuam vivos entre evangélicos.
PS.: Devo muito a R. C. Sproul na preparação desse resumo histórico.
Clóvis Gonçalves é blogueiro do Cinco Solas e escreve no 5 Calvinistas às segundas-feiras.




domingo, 4 de julho de 2010

Agostinho de Hipona: "Que tens tu que não tenhas recebido?"(354 - 430)



- A luta pessoal de Agostinho em direção à fé cristã reflete os conflitos espirituais de muitos cristãos modernos: como o pecado tem afetado a personalidade humana? Se Deus é infinitamente poderoso e amoroso, por que o mundo está cheio de tanto mal e sofrimento? O que é exatamente o mal? Como o mal entrou na Criação de Deus? Por que somos tão reticentes em fazer o bem? Por que nos encontramos amando as coisas erradas com tanta freqüência? Como podemos aprender a amar o bem? Como o pecado tem afetado nossa capacidade de amar o que é certo e odiar o que é errado?

Em peregrinação

Aurelius Augustinus, mais conhecido como Agostinho, nasceu em Tagaste, na Numídia (hoje Souk-Ahras, na Argélia), província romana ao norte da África, em 13 de novembro de 354. Ele foi o primogênito de Patrício, conselheiro municipal e membro da classe média, que permaneceu pagão até as vésperas de sua morte, e da cristã Mônica, a quem Agostinho atribuiu grande crédito, por suas constantes orações em seu favor. O irmão de Agostinho, Navígio, morreu jovem, e a irmã, Perpétua, foi membro dos primeiros mosteiros.

Em 365, com 11 anos, foi enviado para estudar em Madaura. Em 370, voltou a Tagaste, e, aos 17 anos, transferiu-se para Cartago, para estudar retórica e artes liberais. Seu pai morreu no ano seguinte. Agostinho conheceu uma mulher, com quem se uniu nesse mesmo ano; ela se tornaria sua companheira durante quinze anos — ele a abandonou depois e nunca mencionou seu nome. Em 373, tornou-se maniqueu, sendo esse, provavelmente, o ano do nascimento de seu filho, Adeodato, falecido em 390. Em 374 regressou a Tagaste como professor de gramática e, em 383, foi para Roma, onde continuou a lecionar. Dois anos depois, ganhou a cátedra de retórica da Casa Imperial e foi para Milão, onde conheceu Ambrósio, bispo da cidade. Nessa época, Agostinho já havia abandonado o maniqueísmo e começou a receber influência do neoplatonismo. O neoplatonismo de então era visto como uma filosofia que, com ligeiros retoques, parecia capaz de auxiliar a fé cristã a tomar consciência de sua própria estrutura interna e defender-se com argumentos racionais, elabo-rando-se como teologia.

Por causa do exemplo dos monges e da sua própria formação neoplatônica, Agostinho estava convicto de que teria de renunciar à sua carreira de professor de retórica e a todas as ambições e alegrias dos prazeres sensuais, caso se tornasse um cristão. Este último ponto era a principal dificuldade que ainda o detinha. Ele mesmo conta sua constante oração: Dá-me o dom da castidade, mas ainda não.

Estava ainda fortemente preso à mulher. O apóstolo Paulo não me proibia o matrimônio, se bem me exortasse sobremaneira a escolher um estado mais alto, quando sugeria que, se possível, todos os homens vivessem como ele. Mas eu, ainda bastante fraco, ptocurava uma condição mais cômoda. Era esse, em tudo, o único motivo de minhas hesitações, enfraquecido que estava por preocupações enervantes, pois, devendo entregar-me ávida conjugai, via-me sujeito a outras obrigações que não queria suportar.

Sendo assim, recrudesceu nele a batalha entre o querer e o não querer. Ele queria tornar-se cristão. Mas ainda não. Sabia que não podia mais interpor dificuldades de ordem intelectual, o que fazia a luta consigo mesmo ser ainda mais intensa. De todos os lados vinham notícias de outras pessoas que tinham feito o que ele não arriscava fazer, e ele sentia inveja.

Certo dia, em agosto de 386, Agostinho sentou-se no jardim de uma casa que alugava com alguns amigos. Ele lia com seu amigo Alípio um pergaminho da epístola de Paulo aos Romanos, e conversava sobre o evangelho pregado e ensinado pelo apóstolo. Nesse momento, não podendo tolerar a companhia de seus amigos, e tampouco a sua, ele fugiu para o outro lado do jardim, onde se encontrou em terrível agonia de espírito.

Deixei-me, não sei como, cair debaixo de uma figueira e dei livre curso às lágrimas, que jorravam de meus olhos aos borbotões, como sacrifício agradável a ti. E muitas coisas eu te disse, não exatamente nestes termos, mas com o seguinte sentido: "E tu, Senhor, até quando? Até quando continuarás irritado? Não te lembres de nossas culpas passadas". Sentia-me ainda preso ao passado, e por isso gritava desesperadamente: "Por quanto tempo, por quanto tempo direi ainda: amanhã, amanhã? Por que não agora? Por que não pôr fim agora à minha indignidade?".

Toma e lê. Toma e lê — Tolle, lege. Essas palavras, que alguma criança gritava em seus jogos infantis, flutuaram sobre o jardim e foram chegar aos ouvidos de Agostinho, que sofria profundamente debaixo da figueira. As palavras que a criança gritava pareciam ser um sinal do céu. Pouco antes, Agostinho jogara fora, em outro lugar do jardim, o manuscrito que estivera lendo. Agora voltou para lá, tomou-o e leu as seguintes palavras do apóstolo: "Não em orgias e bebedeiras, não em imoralidade sexual e depravação, não em desavença e inveja. Ao contrário, revistam-se do Senhor Jesus Cristo, e não fiquem premeditando como satisfazer os desejos da carne" (Rm 13.13,14).


Não quis ler mais, nem era necessário. Mal terminara a leitura dessa frase, dissiparam-se em mim todas as trevas da dúvida, como se penetrasse em meu coração uma luz de certeza. Marcando a passagem com o dedo ou com outro sinal qualquer, fechei o livro e, de semblante já tranqüilo, o mostrei a Alípio.

Em resposta às palavras do apóstolo Paulo, Agostinho encontrou o que estivera procurando por muito tempo. Dedicou-se totalmente à vida cristã, deixou sua ocupação de professor e abraçou a vida monástica ao converter sua casa em mosteiro para oração, estudo e reflexão.

De monge a bispo

No ano seguinte, com 33 anos, na noite da Páscoa, de 24 para 25 de abril, foi batizado por Ambrósio, juntamente com o filho Adeodato e com seu amigo Alípio. Após esses eventos, sua piedosa mãe, Mônica, faleceu em Ostia Tiberina, porto de Roma. Agostinho voltou para a África, indo de novo para Tagaste, onde vendeu suas posses e se dedicou ao ideal da vida monástica: estudo, pobre-za, trabalho e meditação.

Pouco depois, mudou-se para Hipona — que ficava próxima da atual Annaba, na Argélia —, "para procurar um lugar onde fundar um mosteiro e viver com seus irmãos". Em 391, foi praticamente obrigado a ser ordenado presbítero. Conforme os planos, fundou um mosteiro e nele viveu, presbítero e monge, no ascetismo e no estudo "segundo a maneira e a regra estabelecida no tempo dos apóstolos".

Quatro anos mais tarde, também contra sua vontade, Agostinho foi eleito bispo auxiliar. O bispo Valério propôs à assembléia designar um ministro com possibilidades de auxiliá-lo, principalmente na pregação. A presença de Agostinho não passara despercebida. Houve um só grito: "Agostinho, bispo". O candidato protestou e chorou. Não adiantou nada: a ordenação estava decidida.

Em 396, aos 42 anos, sucedeu ao bispo Valério, em Hipona. O mosteiro que ele fundou acabou por se tornar um seminário de ministros e bispos para toda a África.

O triunfo da graça

Em seu primeiro grande debate teológico, Agostinho se ocupou dos maniqueus, uma seita dualista que cria que o universo físico se originou das trevas, enquanto a alma humana era produto da luz. Contra essa seita, ele defendeu a dignidade da igreja e seu direito exclusivo de se chamar Igreja de Cristo.

Os maniqueus achavam que poderiam remontar suas crenças ao próprio Jesus Cristo, ao passo que a verdadeira igreja, por meio dos apóstolos, recebe de Jesus sua autoridade, a qual constitui a base da fé cristã.

Agostinho defendeu o Antigo Testamento como preparação do Novo Testamento, que está em harmonia e continuidade com aquele. A Criação é uma obra boa e positiva. O mal é a corrupção do bem e o resultado do livre pecado do homem. Ele denunciou, de forma especial, a dualidade metafísica do maniqueísmo, com seu panteísmo e materialismo.

No trabalho pastoral, Agostinho se viu diretamente confrontado com o donatismo. Esse cisma, cujo nome vem de Donato, bispo de Cartago, surgiu durante a perseguição dos imperadores Décio e Diocleciano. Os donatistas recusaram a ordenação de um bispo suspeito de ter entregue as Escrituras por ocasião de uma perseguição. Eles se percebiam como uma igreja de puros, julgando com severidade os cristãos que acolhiam com indulgência demasiada os convertidos e os fracos, que se desentenderam com o poder romano. Chegaram a rejeitar a validade dos sacramentos administrados por essas pessoas. Mas, para Agostinho, os donatistas eram culpados do pecado de cisma, ao se apartarem da igreja.

Foi por ocasião desse conflito que Agostinho elaborou sua teologia dos sacramentos e da igreja. Ele sustentou firmemente que a graça sacramental age por si mesma, ex opere operado (em virtude do próprio ato), sendo irrelevantes as condições espirituais do ministro. Em seu entendimento, os sacramentos continuam válidos porque é Cristo quem os oferece. Ele elaborou, sobretudo, a doutrina da igreja. A igreja é o corpo de Cristo unificado pelo amor no Espírito. Aqueles que dela se afastam possuem em vão a fé, os sacramentos e mesmo virtudes. Assim, ele foi levado a afirmar uma igreja invisível conhecida apenas por Deus — os eleitos, os verdadeiros cristãos — dentro da igreja visível, que era a igreja na terra. Enquanto esperamos a vinda do Senhor, santos e pecadores estão misturados. Somente Deus conhece seus eleitos. Essa diferenciação entre a igreja visível e a igreja invisível foi enfatizada, mais tarde, por João Calvino e outros teólogos protestantes.

Pela primeira vez na história da igreja, surge a controvérsia sobre as doutrinas da graça. Pelágio, nascido na Grã-Bretanha, famoso por sua disciplina moral, começou a defender o argumento de a vida cristã consistir em um esforço permanente, através da qual a pessoa vence seus pecados e obtém a salvação. O diácono Paulino de Milão acusou o principal discípulo de Pelágio, Celestius, de seis heresias: (1) Adão foi criado mortal e teria morrido, quer tivesse pecado quer não; (2) o pecado de Adão contaminou só a ele e não a raça humana; (3) as crianças recém-nascidas estão naquele estado em que estava Adão antes da queda; (4) a raça humana inteira nem morre por causa da morte de Adão nem ressuscita pela ressurreição de Cristo; (5) a Lei, tanto quanto o Evangelho, conduz ao Reino dos céus; (6) mesmo antes da vinda do Senhor houvera homens sem pecado. Para Pelágio, não haveria a necessidade de alguma graça especial de Deus, pois ela era algo que estaria presente em todos os lugares, em todo momento.

Agostinho se opôs a Pelágio. Para isso, ele se lembrou de como foi difícil sua conversão, em como orava: "Até quando, Senhor, até quando? Amanhã, sempre amanhã? Por que não acaba com minha imundície neste exato momento?". Sua resposta foi abrangente.

1.      A partir da queda de Adão, a humanidade se tornou totalmente depravada, ou seja, todas as esferas de nossa humanidade — razão, vontade e afetos — tornaram-se escravas do pecado. Como herança maldita, recebida de Adão, a natureza humana passou a ser escrava do pecado e sujeita à morte. Como conseqüência, a vontade humana nem sempre é dona de si mesma.

Porque estávamos todos naquele homem, desde que todos nós éramos aquele homem, que caiu em pecado através da mulher que foi feita para ele antes do pecado. Porque ainda não havia a forma particular criada e distribuída a nós na qual, como indivíduos, deveríamos viver, mas a natureza germinal, da qual deveríamos ser propagados, estava lá; e isso tendo sido corrompido pelo pecado e amarrado pela cadeia da morte, justamente condenado, o homem não poderia nascer de outro homem em qualquer outro estado. E assim, do mau uso do livre-arbítrio, orignou-se toda a série de males, da qual, com o seu encadeamento de misérias, escolta a raça humana da sua origem depravada, como de uma raiz corrupta, para a destruição da segunda morte, a que não tem fim, exceção feita para aqueles que são libertos pela graça de Deus.

Conseqüentemente, o ser humano é incapaz de conseguir a própria salvação sem o socorro da graça especial.

2.      Como decorrência, apenas somos salvos por causa da eleição livre e incondicional de Deus. Em sua maravilhosa graça, Deus escolhe pecadores, na eternidade, não por mera previsão de fé ou obras, mas por sua graça e para sua glória. "Deixe-nos, então, entender o chamado por meio do qual eles se tornaram eleitos — não aqueles que são eleitos porque creram, mas que são eleitos para que possam crer". A prioridade da graça livre e soberana de Deus na salvação de pecadores foi afirmada claramente por Agostinho, porque ele entendeu que só sendo livre e soberana a graça pode ser, de fato, imerecida.


3.      Então, a graça age de forma irresistível nos eleitos: o Espírito convence de maneira eficaz os pecadores, atraindo-os irresistivelmente a Cristo, cativando-os com sua beleza e formosura.
Quão doce foi para mim estar liberto subitamente destes prazeres infrutíferos os quais um dia temia perder! Tu os afastaste de mim, tu que és a alegria soberana e verdadeira. Tu os afastaste para longe de mim e tomaste seu lugar, tu que és mais doce que qualquer prazer, embora não o seja para carne e sangue, tu que excedes em brilho toda luz, não obstante mais oculto que qualquer segredo nos nossos corações, tu que sobrepujas toda honra, embora não aos olhos dos que se exaltam a si mesmos... Ó Senhor, meu Deus, minha Luz, minha Riqueza, e minha Salvação.
Agostinho entendeu que até mesmo a fé é um dom de Deus, obra da sua graça imerecida.

4.      Esses pecadores, eleitos e graciosamente atraídos a Cristo, perseverarão. Mais ainda, Deus mesmo persevera sobre eles, para conduzi-los à glorificação.

No caso dos santos predestinados ao Reino de Deus pela graça divina, a ajuda concedida para que perseverassem não foi aquela dada a Adão, mas uma ajuda especial, comportando forçosamente a perseverança de fato, sendo de tal maneira forte e eficaz que os santos não podiam fazer outra coisa senão perseverar de fato.

A salvação, do começo ao fim, é obra da graça de Deus para sua glória. A diferença entre Pelágio e Agostinho prendia-se às considerações que faziam sobre a natureza humana e a graça de Deus. As idéias de Pelágio foram refutadas por Agostinho numa série de tratados que se tornaram conhecidos como tratados antipelagianos.

O pelagianismo foi condenado como heresia pelo bispo de Roma em 417 e 418, e pelos concílios de Cartago, em 418, de Éfeso, em 431 (o terceiro grande concilio eclesiástico), e finalmente pelo de Orange, em 529.

R. C. Sproul está correto ao dizer que "precisamos de um Agostinho ou um Lutero para nos falar novamente; caso contrário, a luz da graça de Deus será não apenas ofuscada, mas extinta por completo na nossa época".

O fim de uma era

Em 430, Genserico atacou a Numídia e cercou Hipona. Agostinho quis morrer sozinho. Em seu leito de morte, ele pediu que as cópias dos salmos penitenciais fossem fixadas nas paredes de seu quarto. Durante a doença, os lia, chorando muito e constantemente. No terceiro mês do cerco, em 28 de agosto de 430, Agostinho morreu, aos 76 anos de vida.

A imensa luta teológica de Agostinho é o exemplo supremo do princípio de que a fé deve buscar a compreensão. Em toda a sua obra teológica, elaborada em clima de oração, estão unidas sabedoria e erudição. Sua capacidade intelectual nos legou algumas obras-primas: Confissões, A Trindade, A doutrina cristã e A cidade de Deus. E não só isso. Sua produção é tão vasta, que falar dela é como que-rer discorrer sobre uma biblioteca, composta de diálogos, comentários, cartas, sermões, tratados sobre diversos temas teológicos, filosóficos, dogmáticos, morais, espirituais, pastorais e históricos.

Agostinho foi o mestre por excelência de uma nova época. E essa influência pode ser encontrada nos grandes escritores cristãos da Idade Média. Os reformadores do século 16, Martinho Lutero e João Calvino, foram profundamente influenciados pelo bispo de Hipona, assim como Jonathan Edwards, o grande teólogo do século 18. Como Colin Brown diz:

Freqüentemente tem sido dito que tanto o catolicismo quanto o protestantismo têm sua origem em Agostinho. O primeiro obtém dele (mas não exclusivamente dele) seu alto conceito da igreja e dos sacramentos. O último segue Agostinho na sua visão da soberania de Deus, da perdição do homem no pecado e da graça de Deus que é o meio exclusivo para trazer a salvação ao homem. Assim como ocorre a todos os ditados

fáceis, esta declaração acerca de Agostinho simplifica demais. Há, certamente, católicos hoje que compartilham do ponto de vista de Agostinho acerca da salvação e protestantes que não compartilham dele. Seja como for, porém, foi de Agostinho mais do que qualquer outro teólogo indivi-dualmente que o pensamento medieval recebeu seu arcabouço teológico de idéias. Mesmo quando pensadores posteriores alteraram a pintura dentto do quadro, o arcabouço com que começaram foi a teologia da igreja primitiva em geral e a de Agostinho em particular.
Portanto, nenhum dos que o antecederam foi tão notável quanto ele, que realizou seu ministério numa pequena cidade do norte da África, mas cuja influência se fez sentir em todo o cristianismo ocidental.

Obras de referência:

AGOSTINHO. A doutrina cristã. São Paulo: Paulus, 2002.
         A graça, I e II. V. I: O espírito e a letra, A natureza e a graça,
A graça de Cristo e o pecado original; v. II: A graça e a liberdade, A correção e a graça, A predestinação dos santos, O dom da perseverança. São Paulo: Paulus, 1998.
         A Trindade. São Paulo: Paulus, 1995.
         A verdadeira religião & O cuidado devido aos mortos. São Pau-
lo: Paulus, 2002.
         Comentário ao Gênesis. São Paulo: Paulus, 2005.
         Comentário aos Salmos. São Paulo: Paulus, 1997, 3 v.
         Confissões. São Paulo: Paulus, 1997.
         Dos bens do matrimônio. São Paulo: Paulus, 2000.
         O livre-arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995.
         Solilóquios & A vida feliz. São Paulo: Paulus, 1998.
BETTENSON, H. (ed.). Documentos da igreja cristã. São Paulo: Aste, 1998, p. 102-17, 139-40.



Franklin Ferreira

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Mantido pela Graça da Soberania - Sempre - John Piper

Jeremias 32:36--41
E por isso agora, assim diz o Senhor, o Deus de Israel, acerca desta cidade, da qual vós dizeis:”Já está dada na mão do rei de Babilónia, pela espada, e pela fome, e pela pestilência,”37 “ Eis que eu os congregarei de todas as terras, para onde houver lançado a minha ira, e no meu furor, e na minha grande indignação; e os tornarei a trazer a este lugar, e farei que habitem nele seguramente. 38 E eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus; 38 E lhes darei um mesmo coração e um mesmo caminho, para que me temam todos os dias, para seu bem e bem dos seus filhos depois deles. 40 “E farei com eles um concerto eterno, que não se desviará deles, para lhes fazer bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim”. 41” E alegrar-me-ei por causa deles, fazendo-lhes bem, e os plantarei nesta terra certamente, e com todo o meu coração e com toda a minha alma.” 42” Porque assim diz o Senhor; Como eu trouxe sobre este povo todo este grande mal, assim trarei sobre ele todo o bem que lhes tenho prometido.”
O Que É Manter A Graça?
Nós estamos a celebrar 125 anos de Deus a manter a Graça. O que é isso? O que é manter a Graça? Deixem-me pôr isso numa rima de quatro linhas:
Não é a graça que impede aquilo que não é do nosso contentamento,
Nem fugir de toda a angústia, mas isto:
A graça que ordena as nossas preocupações e dores,
E depois, na escuridão, está lá para a manter.
Eu insisto nisto porque para celebrar a graça que impede aquilo que não é do nosso contentamento, e que nos dá a fuga para toda a angústia e que não ordena a nossa dor seria biblicamente falso e experimentalmente irrealista.
. . . Numa Colisão Quase fatal
A nossa experiência e a bíblia ensina-nos que a Graça não previne a dor, mas ordena e arranja e mede a nossa dor, e depois na escuridão está lá para a manter. Por exemplo, ontem Bob Ricker, o Presidente da Conferência Batista Geral, falou das preciosas lembranças de Deus em manter a Graça. Quase há dez anos atrás Bob e a filha de Dee estiveram envolvidas num acidente de automóvel sério. Ela está viva hoje por uma razão. Num carro que os seguia estava um médico que por acaso tinha um tubo de ar no bolso. Quando ele chegou junto dela, ela já estava azul. Ele forçou o tubo pela garganta dela e salvou-lhe a vida. No casamento dela há alguns anos atrás, o Bob disse-lhe: Essas marcas faciais terás de viver com elas para sempre – elas são a memória de manter a Graça.
Agora o Bob Ricker não é ingénuo. Ele sabe que Deus pode ordenar que num carro que seguia atrás dele estivesse um médico, e que esse médico tivesse um aparelho de respiração no seu bolso, e que ele tivesse a presença de espírito de o usar sabiamente, então este Deus é completamente capaz de prevenir este acidente em primeiro lugar. De facto, uns momentos antes o Bob tinha citado Efésios 1:11, “Fomos predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade." E ele enfatizou: “ Todas as coisas, quer dizer todas as coisas” – incluindo, eu presumo, os caminhos dos carros e aviões e das setas e balas. Essa foi a inspiração para o meu pequeno poema, “O que é manter a Graça?”
Não é a graça que impede aquilo que não é do nosso contentamento
Nem fugir de toda a angústia, mas isto:
A graça que ordena as nossas preocupações e dores,
E depois, na escuridão, está lá para a manter.
. . . Quando O Carro Avaria
Sábado, há duas semanas atrás, Noel e Abraham e Barnabas e Talitha estavam a viajar para Geórgia num carro e este avariou num pedaço de terra isolado a cerca de uma hora a sul de Indianapolis. O radiador estava furado. Um agricultor por volta dos seus sessenta anos encostou e ofereceu ajuda. A Noel diz que se calhar eles precisavam de um motel e que desejava que na segunda-feira de manhã houvesse uma oficina aberta para lhe reparar o carro. O agricultor diz, “ Gostariam de ficar comigo e com a minha mulher?” Noel hesitou e não os queria pôr numa situação incómoda. Ele diz, “ O Senhor diz que quando servimos os outros, é como se o estivéssemos a servir a ele.” Ela diz, “ Bem, podemos ir consigo à igreja de manhã?” Ele diz, “ Se não te importares de ir a uma Igreja Baptista.”
Então eles ficaram com o agricultor, que também era mecânico de aviação, e que diagnosticou o problema, conduziu até à cidade na Segunda-feira de manhã. Comprou um radiador novo, voltou, montou o radiador a nenhum custo, e mandou a família de volta para o seu caminho. Entretanto Barnabas tirou a sua cana da pesca do carro e apanhou um peixe-gato (ictalurus punctatua) de 48,26 centímetros, que foi a cobertura do bolo.
O Deus que causa um agricultor a parar para ajudar Noel e que vê que ele é Cristão (mesmo um Baptista!), e que ele e a sua mulher tinham um quarto para a família ficar, e que ele é um mecânico, e que ele encontra um radiador a primeira coisa logo de manhã, e que ele está a gastar os eu tempo de boa vontade, e que ele tem um lago com peixes gato este Deus é perfeitamente capaz de impedir que um radiador de fure no meio de algures em Indiana.
. . . Quando A Cura Não Acontece
Mas neste mundo combalido de futilidade isto não é só o que acontece em manter a Graça.
Não é a graça que impede aquilo que não é do nosso contentamento
Nem fugir de toda a angústia, mas isto:
A graça que ordena as nossas preocupações e dores,
E depois, na escuridão, está lá para a manter.
Um dos nossos homens mais novos está a atravessar alguns problemas neste momento que estão a testar a sua fé quase até ao limite. Ele disse-me recentemente: Seria mais fácil se Jesus não tivesse curado mas em vez disso tivesse dado Graça para aguentar a ausência de curas. Uma das coisas que lhe disse foi o seguinte: Foi exactamente isso que Jesus fez – e para essa mesma razão - nos Coríntios 2:9-10 A Graça de Deus ordena que Paulo tenha um pico no seu corpo pelo bem da sua humildade e que depois não o remova em resposta a uma oração. Mas ele diz,
A minha (maneira de manter a) Graça é suficiente para ti, porque o poder é mais perfeito na fraqueza.
Para o qual o Paulo responde,
Muito contente, então, Eu antes quero vangloriar-me da minha fraqueza, para que o poder de Cristo possa viver dentro de mim. Então eu estou muito contente com a fraqueza, com os insultos, com o desespero, com as perseguições, com as dificuldades, pelo bem de Cristo, porque enquanto estou fraco, então eu estou forte.
Não é a graça que impede aquilo que não é do nosso contentamento
Nem fugir de toda a angústia, mas isto:
A graça que ordena as nossas preocupações e dores,
E depois, na escuridão, está lá para a manter.
. . . Quando a Igreja Ardeu
Numa Segunda-feira, a 16 de Março de 1885, quando a Igreja Baptista Belém tinha 14 anos e estava localizada na esquina da 12º Avenida com a 6ª Rua (onde agora está a Companhia Douglas) a igreja incendiou-se. Estava em ruínas para além de reparação. Mas na escuridão havia uma admiração pela Graça de Deus. A parte do telhado onde os bombeiros estiveram em pé foi a única parte que não ruiu. E dentro de sete semanas a igreja comprou o edifício da Igreja da Segunda Congregação onde nós adoramos por 106 anos até que o edifício foi completado em 1991.e
Agora o Deus que pode poupar bombeiros ao suportar uma parte de um telhado frágil. E que pode arranjar um edifício novo e melhor em sete semanas, podia ter prevenido o incêndio em primeiro lugar.
Eu espero que este ponto de vista esteja claro. Nós estamos a celebrar em manter a Graça.
A graça que ordena as nossas preocupações e dores,
E depois, na escuridão, está lá para a manter.
Deus Nem Sempre Poupa A Calamidade
O nosso texto em Jeremias 32 é sobre esse tipo de manter a graça, e detém a chave porque é que a Igreja Baptista de Belém está viva na cidade hoje depois de 125 anos a estar à prova. Jerusalém e os escolhidos por Deus estão na escuridão e em angústia. E foi Deus ele mesmo quem ordenou isso. Veja no verso 36: “E, por isso, agora, assim diz o senhor, O Deus de Israel, acerca desta cidade, da qual vós dizeis: Já está dada na mão do Rei de Babilónia, pela espada, e pela fome, e pela pestilência.” É o que dizem sobre isso. E é verdade. A Graça não os poupou a essa calamidade. Nem a Graça de Deus vos poupará á vossa calamidade apontada.
Mas aquilo que dizem sobre os escolhidos de Deus não é a última palavra. Deus tem a última palavra. E é uma palavra de graça. Verso 37: “Eis que eu os congregarei de todas as terras, para onde os houver lançado na minha ira, e no meu furor, e na minha grande indignação; e os tornarei a trazer a este lugar e farei que habitem nele seguramente.” Então Deus declarou que foi ele que ordenou os problemas e a dor. “Eu conduzi-os” para estas terras desconhecidas. E ele declara que ele próprio os trará para junto dele próprio e para as suas terras. Noutras palavras, manter a Graça irá eventualmente vencer a calamidade.
Como Poderemos Ter A Certeza do Triunfo da Graça?
Como Poderemos Ter A Certeza do Triunfo da Graça? Se Deus é um Deus de justiça que pode mandar Israel para um exílio devastante onde muitos se perdem derivado aos seus pecados e desobediência, então como podemos ter confiança que o mesmo não irá acontecer hoje aos escolhidos por Deus – A igreja, a noiva de Deus, o verdadeiro Israel, você e eu, que fomos chamados para fraternidade do seu Filho? É uma das perguntas a fazer: Porque é que Belém durou 125 anos? Mas uma pergunta ainda mais urgente é: Como podemos ter a certeza que a Graça irá triunfar sobre Belém e nas nossas vidas no futuro? Como poderemos ter a certeza que a Graça nos irá manter até ao fim na nossa fé e na sua santidade que nos trará em segurança para o céu?
É sobre isso que o resto do texto trata. A resposta é: Manter a Graça pelas pessoas escolhidas por Deus é a soberania da Graça. Isto é, manter a Graça é a Graça omnipotente. É a Graça que ultrapassa todos os obstáculos e que preserva a fé e a santidade que nos trará de volta ao céu. Esta é a nossa confiança mais segura para o futuro. Você e eu, em nós próprios, somos completamente inconstantes e duvidosos. Se nós fossemos deixados aos nossos próprios poderes, nós iríamos naufragar na nossa fé, isso de certeza. Por esta razão os santos têm rezado há séculos.
Ai a Graça tão grande a credora
Diariamente eu estou constrangido para ser!
Deixem a bondade como um obstáculo
Junte o meu coração divagando junto ao seu:
Inclinado para divagar, Deus eu sinto-o,
Inclinado para deixar o Deus que eu amo;
Aqui está o meu coração, Ó, leva-o e sela-o
Sela-o nos teus tribunais acima.
É por essa razão por qual os santos devem rezar? É essa a maneira de rezar para o vosso futuro e pelo futuro de Belém? É essa a maneira de rezar? Faça a sua bondade como um obstáculo – uma corrente - que une o meu coração divagando junto ao teu. Sela o meu coração com uma união inquebrável pelos tribunais do céu. Noutras palavras: Guarda-me! Preserva-me! Derruba todas as rebeliões que se erguerem! Ultrapassa todas as dúvidas irritantes! Entrega de todas as tentações destrutivas! Invalida todos os encantos fatais! Expõe todas as decepções demónicas! Rasga todos os argumentos arrogantes! Dá-me forma! Inclina-me! Segura-me! Domina-me! Faz o que for necessário para eu continuar a confiar em ti e a ter medo de ti até que Jesus venha ou chame. Se calhar nós – deveríamos nós – rezar e cantar assim?
A resposta para esse texto é sim. Esse tipo de cantar e rezar esta enraizado no novo convénio da manter, manter a Graça. Vamos lê-la. Guarda na memória: Esta é uma das várias promessas do Testamento Antigo do novo convénio que Jesus disse que tinha selado com o seu próprio sangue por todos nele. Não é só pelos Judeus, mas por todos aqueles que são verdadeiros Judeus por virtude da união com Jesus, a semente de Abraão (Gálatas 3:7, 16). Jeremias 32:38 — 41 diz,
38 E eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus; 39 E lhes darei um mesmo coração e um mesmo caminho, para que me temam todos os dias, para seu bem e bem dos seus filhos depois deles. 40 “E farei com eles um concerto eterno, que não se desviará deles, para lhes fazer bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim”. 41” E alegrar-me-ei por causa deles, fazendo-lhes bem, e os plantarei nesta terra certamente, e com todo o meu coração e com toda a minha alma.”
Quatro Promessas de Manter, Suster a Graça
Nota as quatro promessas de manter, suster a Graça.
1. Deus Será o nosso Deus
Deus promete ser o nosso Deus Verso 38: “E eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus” Todas as promessas dele ao povo estão resumidas nisto: “Eu serei o vosso Deus” Isto é, Eu usarei tudo o que sou como Deus – toda a minha sabedoria, todo o meu poder, e todo o meu amor – para garantir que vocês sejam o meu povo. Tudo o que sou como Deus, eu usarei para o vosso bem.
2. Deus Promete Mudar Os Nossos Corações
Deus promete mudar os nossos corações e fazer com que o amemos e tenhamos medo dele. Verso 39: “E lhes darei um mesmo coração e um mesmo caminho, para que me temam todos os dias." . . (v. 40b)” Porei o meu temor nos seus corações.” Noutras palavras, Deus não vai ficar a ver se nós, pelos nossos poderes, temos medo dele; ele de forma soberana, de forma suprema, com piedade, dá-nos o coração que necessitamos, e dá-nos a fé e o medo de Deus que nos levará para o céu. Esta é a soberania, de manter a Graça. (Ver Deuteronómio 30:6; Ezequiel 11:19-20; 36:27.)
3. Deus Promete Que Nós Não Lhe Vamos Virar As Costas
Deus promete que não nos irá virar as costas e que nós não lhe vamos virar as costas. Verso 40: “E farei com eles um concerto eterno, que não se desviará deles, para lhes fazer bem, e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim. Isto é o que é novo sobre o novo convénio: Deus promete satisfazer pelo seu poder as condições que nós teremos de encontrar. Nós temos de ter medo dele, de o amar e de confiar nele. E ele diz, Eu farei com que isso aconteça. “Eu porei o medo por mim nos seus corações” – não para ver o que eles farão com ele, mas de uma maneira que “ eles não me virarão as costas.” Isto é a soberania, manter a Graça.
4. Deus Promete Fazer Isto Com Intensidade Infinita
Finalmente, deus promete fazer isto com a sua maior intensidade imaginável. Ele expressa isso de duas maneiras, uma no início e uma no fim do verso 41: “E alegrar-me-ei por causa deles, fazendo-lhes bem; e os plantarei nesta terra certamente, com todo o meu coração e com toda a minha alma.” Primeiro ele diz que ele exercerá esta soberania, mantendo a Graça com alegria: “ Eu alegrar-me-ei” Depois ele diz ( no fim do verso 41) que ele exercerá esta soberania, sustendo Graça “com alegria “ com todo o (seu) coração e com toda a (sua) alma.”
Qual O Tamanho Do desejo de Deus Em Fazer O Bem Para Você?
Ele alegra-se de o suster a si e ele alegra-se com todo o seu coração e com toda a sua alma. Agora pergunto-lhe, sem nenhum exagero de sermão ou retórico floreado ou com qualquer sentido de demasiada importância – eu pergunto-lhe, eu desafio-o, você pode conceber de uma intensidade de desejo maior que um desejo com o poder de “todo o coração de Deus e toda a alma de Deus”? Vamos fazer de conta que você leva todo o desejo de comida, de sexo, de dinheiro, de fama, de poder, de significado, dos amigos e da segurança nos corações e nas almas de todos os seres humanos na terra – digamos uns seis biliões – e se você pusesse todo esse desejo, multiplicava por seis biliões de corações e almas, num recipiente. Como é que isso se comparava com o desejo de Deus para vos fazer bem implicado nas palavras “ com todo o seu coração e com toda a sua alma”? Seria como comparar um dedal ao Oceano Pacifico. Porque o coração e a alma de Deus são infinitos. E os corações e almas dos homens são limitados. Não há intensidade maior que a intensidade de “ todo o coração de Deus, toda a alma de deus.”
E essa é a intensidade da alegria que ele tem em mantê-lo com a soberania da Graça: “ Eu alegrar-me-ei por causa deles, fazendo-lhes bem, e os plantarei nesta terra certamente, com todo o meu coração e toda a minha alma.” Alguns de vocês poderão estar a saborear a doçura da Graça pela primeira vez esta manhã. Esse é o trabalho do Espírito Santo na vossa vida, e eu imploro-vos para a guardarem para vós e para serem comandados pela soberania, mantendo a Graça.
Outros de vocês têm vivido com esta doce segurança há décadas e simplesmente se juntam a mim esta manhã em exultação desta gloriosa realidade nas nossas vidas. Eu convido-vos a todos para cantar comigo, para abençoar o Pai e o Filho e o Espírito Santo pela soberania de manter a Graça que nos manteve a nós como igreja há 125 anos e que guardará a eleição de Deus na fé até Jesus chegar ou até Jesus chamar.
Não é a graça que impede aquilo que não é do nosso contentamento
Nem fugir de toda a angústia, mas isto:
A graça que ordena as nossas preocupações e dores,
E depois, na escuridão, está lá para a manter.
Vamos abençoar Deus juntos com o hino #9, “ Canta Louva o Pai” – e quando nós chegarmos ao verso 3, festejem comigo nesta verdade que o Espírito apressa, e corteja, e domina, e sela, e apresenta-nos com a perfeito, sem falhas para Deus.
Tradução: Olivia Monteiro E Rodrigo Silva