Mostrando postagens com marcador 5 Solas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 5 Solas. Mostrar todas as postagens

domingo, 26 de dezembro de 2010

A Salvaçao e a responsabilidade humana. Doutor Biblia Responde!



Por Marcelo Lemos


A pergunta de hoje foi enviada por Jânio Ramos Morais, e tenha haver com a Doutrina da Salvação:

“Se a salvação é dom de Deus, onde entra a responsabilidade do homem...”.
O aparente conflito entre Soberania de Deus e Responsabilidade Humana sempre causa questionamentos, inclusive no meio teológico . Ao contrário do que muitos pensam, afirmo que trata-se de um conflito apenas aparente, mas não é real. 


Sempre desconfio quando tenho que lidar com “verdades conflitantes”, pois uma verdade não pode ser contradita, nem mesmo por outra verdade; se duas afirmações levam a conclusões diferentes, uma delas é falsa (ou as duas são falsas). Assim, a Soberania de Deus não pode conflitar com a Responsabilidade Humana. 
Me antecipando aqueles que possam objetar que minha posiçao transforma o homem em mero fanfoche, recomendo a leitura de "Mais que um oleiro", de Vincent Cheung.
Alguns teólogos buscam resolver o 'conflito' minimizando a Soberania de Deus; com um Deus menos soberano nas mãos, se julga resolver a questão, uma vez que Deus passa a não decidir sobre as escolhas humanas. No entanto, o que ocorre é tornar a primeira afirmação falsa (Soberania de Deus), para salvar a segunda (Responsabilidade Humana).  
Em outras palavras, esses teólogos abrem mão de um Deus completamente soberano sobre tudo e todos, a fim de salvarem a liberdade dos homens. A Soberania de Deus, porem, jamais se negocia.
De modo que, de fato, resolvem o conflito, já que não existe mais Soberania de Deus, que destruíram. Alguns calvinistas incorrem em erro semelhante, ao resolverem o conflito destruindo a Responsabilidade Humana – a estes normalmente damos o nome de “hiper-calvinistas”. 

Erroneamente, alguns espíritos preconceituosos, ou desprovidos de conhecimento, classificam como “hiper-calvinistas” aqueles que acreditam nos Cinco Pontos do Calvinismo . Um grande erro!
A chave para se compreender adequadamente esta questão está em compreendermos corretamente o conceito bíblico de responsabilidade. Comummente se supõe que ser responsável implica ser livre, mas não é assim que ocorre. Com efeito, a base da responsabilidade é a Soberania. Somos declarados responsáveis por quem tem legítima autoridade sobre nós. Se fossemos livres, ninguém nos diria responsáveis.


Deus, por exemplo, não possui responsabilidades, nem obrigações. Ele é o Ser Livre por natureza, não havendo ninguém acima de Si, a quem deva prestar contas por seus atos. Algumas pessoas se queijam: “Deus é responsável pela morte do meu filho!”. Bobagem! Deus poderia matar todos os homens agora mesmo, sem qualquer aviso prévio, e ninguém poderia responsabilizá-Lo por seus atos! A tal pessoa eu diria: Deus só poderia ser responsabilizado pela morte de seu filho, se houvesse alguém acima dele, a quem Ele estaria obrigado a prestar contas; esse alguém não existe, e se existisse, não seria você. 


Somos responsáveis, pois Deus nos declara responsáveis, e não temos a menor liberdade para escapar do Seu Juízo . O princípio da nossa responsabilidade não reside em alguma liberdade do nosso ser; mas sim, na Sua total autoridade sobre nós. Um exemplo simples deste fato encontramos no pecado original.


Segundo as Escrituras, nosso primeiro pai, Adão, pecou; nós, que não tivemos qualquer escolha no pecado de Adão, somos julgados juntamente com ele, e passamos a fazer parte de uma Humanidade corrompida, afastada de Deus, e condenada a Morte. 

“... portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte; assim também a morte passou a todos os homens, por isso todos pecaram” (Romanos 5.21).
Eu não tive qualquer escolha no pecado de Adão, mas Deus me julgou juntamente com ele. Deus me fez responsável, mesmo que eu não tenha tido liberdade, nem oportunidade, de escolher . Se verdade fora que responsabilidade fundamenta-se em liberdade, Deus jamais nos responsabilizaria pelo pecado de Adão! 


No entanto, em Sua completa Soberania, Deus ligou toda a Humanidade ao pecado de Adão, tornando-nos, todos, responsáveis pelo pecado, destituídos de Sua Glória, e carentes de Sua Graça, em Cristo . Milhões de pessoas nasceram, viveram, e morreram sem que jamais tenham ouvido a Mensagem do Evangelho . Elas nasceram em lugares, e épocas sem a Luz de Cristo, não por simples azar; mas porque Deus assim decretou:

“E de um só sangue fez todas as gerações dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação” (atos 17.26).
Deus decretou sua escuridão espiritual, assim como decretou que somos pecadores juntamente com Adão; e ao mesmo tempo, lhes dá a obrigação de buscar a Deus, “tateando”, por meio da religião natural, que não pode salvar: “para que buscassem ao Senhor se porventura , tateando, o pudessem achar” (27). Na verdade, conclui Lucas, o Senhor não está longe de ninguém, porém, a religião natural não pode abrir nossos olhos para vê-lo . A cegueira de tais povos, em nada diminui sua responsabilidade.


Um outro exemplo interessante são os carrascos de Cristo . A Escritura diz que eles fizeram aquilo que Deus havia decretado desde a Eternidade:
“... verdadeiramente contra o teu Santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pilatos, juntamente com os gentios e as tribos de Israel; para fazerem tudo o que Tua Mão e o teu Conselho tinham anteriormente determinado que haveria de acontecer” (atos 4.27,28).
Ora, se foi Deus quem decretou o crime daqueles homens contra o Cristo, seria razoável supor que Deus não os responsabilizaria por suas atrocidades? Muito pelo contrário! Deus os declara responsáveis, e condena-os: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o transpassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão por Ele” (Apocalipse 1.7).


Assim, a Salvação é, como diz a Bíblia Sagrada, um “dom de Deus”, e o homem permanece responsável por seus pecados. Se a salvação é Dom de Deus, permanece posto que Deus é Soberano, e permanece posto que o homem é responsável perante Deus. Não há, portanto, nenhum conflito entre Soberania de Deus e Responsabilidade Humana, já que nossa responsabilidade nasce do fato de que Deus é absolutamente soberano, e não, como falsamente se supõe, em alguma liberdade do nosso ser.

Um capitulo magistral das Escrituras sobre este assunto e Romanos 9; não é atoa teólogos sinergistas fazerem de tudo para lhe destituir do significado original.

Doutor Bíblia Responde. Envie suas perguntas, ou acesse os demais artigos da série clicando AQUI.

Sobre o editor: Marcelo Lemos Gonçalves é Bacharel em Teologia, pastor, apaixonado por pregação, liturgia, anglicanismo e escola dominical. Casado, com Meirelene Gonçalves,  é pai de dois filhos, Yagoe Yuri; e nas horas nada vagas, atua como blogueiro. De vez em quando, acha que sabe fritar pastéis, fazer churrasco e escrever artigos.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Fonte: [Olhar Reformado]

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Solus Christus: O Nosso Único Mediador


Na Idade Média, o ministro era considerado como tendo uma relação especial com Deus, na medida em que mediava a graça de Deus e o perdão através dos sacramentos. Mas havia outros desafios. Muitas vezes pensamos em nossa própria época como única, com o seu pluralismo e o advento de tantas religiões. Mas não muito tempo antes da Reforma, o pensador renascentista Petrarca clamava por uma Era do Espírito no qual todas as religiões seriam unidas. Muitas mentes da Renascença estavam convencidas de que havia uma revelação salvífica de Deus na natureza e que, portanto, Cristo não era o único caminho. O fascínio pela filosofia pagã incentivou a idéia de que a religião natural tinha muito a oferecer - na verdade, até mesmo a salvação - para aqueles que não conheciam a Cristo.

A Reforma foi, mais do que qualquer outra coisa, um assalto à fé na humanidade e uma defesa da idéia de que só Deus revela a Si mesmo e nos salva. Nós não o encontramos; Ele nos encontra. Essa ênfase foi a causa do clamor "Somente Cristo!" Jesus era a única maneira de se saber como Deus realmente é, a única forma de se entrar em um relacionamento com Ele como Pai em vez de juiz, e a única forma de ser salvo da Sua ira.

Hoje, mais uma vez, esta afirmação está em apuros. Segundo o sociólogo James Hunter, da Universidade da Virgínia, 35% dos seminaristas evangélicos negam que a fé em Cristo seja absolutamente necessária. De acordo com George Barna, esse é o mesmo percentual para os Protestantes evangélicos e conservadores na América: "Deus salvará todas as pessoas boas quando morrerem, independentemente de terem confiado em Cristo"; e eles concordaram.

Oitenta e cinco por cento dos adultos norte-americanos acreditam que comparecerão perante Deus para serem julgados. Eles acreditam no inferno, mas apenas 11% acham que podem ir pra lá. R. C. Sproul observou que na mesma medida em que as pessoas acham que são suficientemente boas para serem aprovadas na inspeção divina, e se esquecem da santidade de Deus, nessa mesma medida não vêem Cristo como necessário. É por isso que mais de um quarto dos evangélicos "nascidos de novo" entrevistados, concordaram com uma declaração que deveria levantar uma bandeira vermelha, mesmo entre aqueles que poderiam concordar com uma versão mais sutil desta mesma declaração: "Se uma pessoa é boa ou faz coisas suficientemente boas para os outros durante a vida, ela irá ganhar um lugar no céu". Além disso, quando perguntados se concordavam com a afirmação seguinte: "Os cristãos, judeus, muçulmanos, budistas e outros, todos oram ao mesmo Deus, embora eles usem nomes diferentes para esse Deus", dois terços dos evangélicos não acharam que essa afirmação fosse questionável. Barna observa "quão pequena é a diferença entre as respostas das pessoas que freqüentam regularmente os cultos e aquelas que estão sem igreja". Um entrevistado, um Fundamentalista independente, disse: "O que é importante, no caso deles, é que eles cumpriram a lei de Deus como eles a conhecem em seus corações."

Mas essa influência cultural para o relativismo não é apenas aparente nas massas; é auto-conscientemente afirmada por muitos dos próprios mestres do evangelicalismo. 
Clark Pinnock declara, "A Bíblia não ensina que se deve confessar o nome de Jesus Cristo para ser salvo. A questão que Deus leva em conta é direção do coração, não o conteúdo de sua teologia." Para aqueles de nós que têm alguma noção a respeito da direção do seu coração (cf. Jeremias 17:9), isso pode não ser tão reconfortante como Pinnock supõe.

Dizer Solus Christus, não significa que não acreditemos no Pai ou no Espírito, mas isto enfatiza que Cristo é a única auto-revelação encarnada de Deus e redentor da humanidade. O Espírito Santo não chama a atenção para si mesmo, mas nos leva a Cristo, no qual encontramos a nossa paz com Deus.

Michael Horton
Fonte: [ Reformation Essentials - Five Pillars of the Reformation ]
Tradução: Reforma & Razão
Via: [ Reforma & Razão ]
.


http://bereianos.blogspot.com/2010/04/solus-christus-o-nosso-unico-mediador.html