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quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Como lidar com filosofias competidoras? - John Piper
Fonte: [Youtube]
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Filosofia Humana,
John Piper
sábado, 25 de setembro de 2010
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Confissão Positiva
Há realmente poder em nossas palavras?
por :Antônio Pereira da Costa Júnior
por :Antônio Pereira da Costa Júnior
Há alguns dias entrei numa livraria evangélica. Olhando as novidades, vi, estupefato, que as obras que estavam à vista eram aquelas que falavam sobre o poder inerente da língua. Como: “Há poder em suas palavras”, “Zoe: a própria vida de Deus”, “A sua saúde depende do que você fala”, etc.
Conversando com a atendente perguntei-la sobre os livros que estavam mais escondidos, como por exemplo, os livros de teologia, de referências, de história da Igreja, etc. Ela respondeu-me que são livros que não sai das estantes, a não ser que algum pastor, professor ou seminaristas venham a adquiri-los. E disse-me que mais de 90% das pessoas que freqüentam a livraria só compram livros dessa “nova teologia”.
É lamentável que isto seja um reflexo da falta de conhecimento da Igreja hodierna. As pessoas não querem mais pesquisar a fundo o que se vende ou se escuta por ai. Só querem bênçãos, sem se importar com o abençoador. Querem as coisas de Deus, embora não pensem em conhecê-Lo. Buscam o pão da terra, mas rejeitam o pão do céu. Nestas poucas linhas tentarei demonstrar que apesar de estar impregnada na Igreja como um todo, a confissão positiva é uma falha grave da chamada “teologia moderna”.
DEFININDO OS TERMOS
O que é o Movimento do Pensamento Positivo? É a crença em que o pensamento de uma pessoa é o fator primordial em relação a suas circunstâncias. Só em ter pensamentos positivos todas as influências e circunstâncias negativas serão vencidas.
E o Movimento de Confissão Positiva? É a versão cristianizada do pensamento positivo que essencialmente substitui a fé em Deus pela habilidade de ter fé em si mesmo. O simples fato de confessar positivamente o que se crê faz com que o desejo confessado aconteça. (1)
O verbo decretar está sendo conjugado dia-a-dia pelas mais variadas denominações. Não são poucas as pessoas que usam o jargão evangélico: “Tá decretado!” Não faz muito tempo às famosas frases de efeito no meio evangélico eram outras bem menos danosas para a fé cristã, como, por exemplo: “O sangue de Cristo tem poder” – nem sempre usada no contexto correto –, “Tá amarrado!” etc.
Mas, qual o motivo da frase “tá decretado” – e suas variações – estar errada? Não temos que reivindicar os nossos direitos junto ao Pai? Não somos filhos do Rei? As nossas palavras não possuem poder?
Para responder, sinceramente, a estas e outras perguntas, gostaria de dar algumas explicações do por quê não creio na assim chamada “confissão positiva”.
Devemos também lembrar-nos de que o termo “decreto” pertence somente ao Senhor de Toda Glória, como bem falou Rubens Cartaxo Junior: “ Os Decretos eternos de Deus é exclusivo de Sua pessoa o qual fez desde a Eternidade - Sl 33.11; Is 14.26-27; 46.9-10; Dn 4.34-35; Mt 10.29-30; Lc 22.22; At 2.23; 4.27-28; 17.26; Rm 4.18; 8.18-30; I Co 2.7; Ef 1.11; 2.10; II Tm 1.8-9; I Pe 1.18-20. Estes textos demonstram que Deus tem um propósito, ou um plano, para o Universo que criou. Este plano existe antes da criação. É um plano sábio, de acordo com o conselho de Deus. Ninguém pode anulá-lo, pois é Eterno”. (2)
A “confissão positiva” é parte da “teologia da prosperidade”, tão divulgada e recebida pela Igreja brasileira. Esta doutrina vem sendo divulgada há alguns anos no Brasil, especialmente por R. R. Soares que é o responsável pela divulgação dos livros de Kenneth E. Hagin, principal expositor desta doutrina. Hagin diz que recebeu a fórmula da fé diretamente de Jesus, e mandou escrever de 1 a 4 esta “fórmula”. Com ela, diz, pode-se conseguir tudo. Consiste em:
(1) "Diga a coisa" , positiva ou negativamente, tudo depende do indivíduo.
(2) "Faça a coisa" , o que nós fazemos irá determinar a nossa vitória.
(3) "Receba a coisa", a fé irá dinamizar a ação e Deus tem que responder, pois está preso a “leis espirituais”.
(4) "Conte a coisa", para que outras pessoas possam crer. Deve-se usar palavras como: decretar, exigir, reivindicar, declarar, determinar, e não se pode pedir “se for da tua vontade”, pois isso destrói a fé.
Não são poucos os líderes que adotam e pregam essa doutrina. Como disse o próprio R. R. Soares em uma entrevista para a Revista Eclésia, quando perguntado se ele era adepto da teologia da prosperidade, ele respondeu:
“...Agora, eu prego a prosperidade. Prefiro mil vezes pregar teologia chamada da prosperidade do que teologia do pecado, da mentira, da derrota, do sofrimento... A teologia da prosperidade, pelo que se fala por aí, eu bato palmas. Não creio na miséria. Essa história é conversa de derrotados. São tudo um bando de fracassados, cujas igrejas são um verdadeiro fracasso”. (3)
Para muitos, ganhar e ter dinheiro viraram sinônimos de vitória. E o que mais nos impressiona é a suposta “base bíblica” para defender seus devaneios. Um exemplo clássico é o texto de Filipenses 4:13 – que virou um moto na boca dos cristãos hodiernos – que diz: “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece” . Só que os adeptos da teologia da prosperidade ignoram por completo o contexto da passagem. Veja o que diz os versos 11 e 12: “Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter em abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade”.
Em outras palavras Paulo diz-nos que poderia passar por qualquer situação – fome, abatimento, necessidade, ter de tudo e não ter nada – pelo simples fato de que a sua força, em momentos de tribulação ou não, era Jesus Cristo.
Esse movimento pensa que a língua e a mente têm um poder que pode criar as circunstâncias ao nosso redor. Não é mais do que uma “parapsicologia evangélica”. Muitas das coisas que os “doutores da fé” dizem são clones dos ensinamentos do poder da mente, muito explorado pelo Dr. Joseph Murphy anos atrás. Ele escreveu alguns livros como: “Como usar as leis da mente”, “Conversando com Deus”, “As grandes verdades da Bíblia”, “A magia do poder extra-sensorial”, “O poder do subconsciente”, dentre outros.
Vou apenas citar um trecho do livro “A paz interior”, do Dr. Murphy para vermos que se parece muito com os “doutores da fé”. Comentando João 1:5-7 ele diz: “As trevas referem-se à ignorância ou falta de conhecimento da maneira como a mente funciona. Estamos nas trevas quando não sabemos que somos o que pensamos e sentimos. O homem está num estado condicionado do Não-condicionado, com todas as qualidades, atributos e potenciais de Deus . O homem está aqui para descobrir quem é. Não é um autônomo. Tem a capacidade de pensar de duas maneiras: positivamente e negativamente . Quando começa a descobrir que o bem e o mal que experimenta são decorrentes exclusivamente da ação de sua própria mente, começa a despertar do senso de escravidão e limitação ao mundo exterior. Sem conhecer as leis da mente , o homem não sabe como produzir seu desejo”. (4) (grifo nosso)
Vejamos ainda o que Jorge Linhares diz em seu livro: “Bênção e Maldição”, onde mostra um Deus dependente do homem, este é o Evangelho da Confissão Positiva e do Evangelho da Maldição – “Palavras produzem bênção... [ou] maldição... Palavras negativas... dão lugar a opressão demoníaca... ...Palavras positivas (confissão positiva), amorosas, de fé, de confiança em Deus, liberam o poder divino para desfazer a opressão...” (5)
SUPOSTA BASE BÍBLICA DA CONFISSÃO POSITIVA
Existem algumas supostas bases bíblicas que os defensores da confissão Positiva usam para defender esta doutrina, vamos dar apenas três passagens para não tomar muito tempo, no entanto, as demais passagens seguem basicamente esta linha de interpretação.
Marcos 11:22-23 – “E Jesus, respondendo, disse-lhe: Tende fé em Deus; Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito”.
Os defensores apregoam que o verso acima ensina que devemos ter a fé de Deus, ou seja, a confissão que gera as coisas. Declarar a existência de coisas que do nada virão a existir, podendo assim criar a realidade que quisermos.
O Pr. Jorge Issao Noda explica muito bem esta passagem em seu livro: “Somos deuses?”, ele diz; “Copeland editou uma Bíblia de referência onde este texto tem uma leitura alternativa: ‘Tende a fé de Deus'. Capps, Price, Hagin, são unânimes nesta interpretação. Hagin afirma, inclusive, que ela está de acordo com a visão dos eruditos em grego. O texto diz: echete (tende) pistin (fé) theou (de Deus). De Deus? Então Deus tem fé! Sendo assim, os mestres da Fé têm razão. Os cristãos, através dos séculos, estiveram interpretando erroneamente este texto. Xeque-mate? De maneira nenhuma. Robertson, um dos maiores eruditos em grego, afirma que o texto deve ser traduzido para ‘tende fé em Deus' porque se trata de um genitivo objetivo. Neste caso Deus não é o sujeito da fé (fé de Deus), mas o objeto da fé (fé em Deus). Os eruditos em grego maciçamente concordam com Robertson, contrariando a afirmação de Hagin”. (6)
Temos que ter fé em Deus, essa nossa fé em Deus é que faz com que os montes que enfrentamos a cada dia sejam superados, não pelo poder inerente a fé, mas no poder inerente do doador da fé, ou seja, o nosso Deus. Sem essa fé não venceremos, mas com Ele somos mais do que vencedores.
Provérbios 6:2 – “E te deixaste enredar pelas próprias palavras; e te prendeste nas palavras da tua boca”.
Este texto, dizem, significa que o poder de não passar por problemas está na língua. No entanto, Salomão está falando da pessoa que ficou por fiador de outro, como expressa o versículo anterior: “Filho meu, se ficasse por fiador do teu companheiro, se deste a tua mão ao estranho, e te deixaste enredar pelas próprias palavras; e te prendeste nas palavras da tua boca”. (grifo nosso)
A Bíblia de Genebra explica o termo “enredado”: “Pedir dinheiro emprestado é uma coisa, mas prover segurança para outrem é caminhar para dentro de uma armadilha feita pelo próprio indivíduo”. (7)
Provérbios 18:21 – “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto”.
Este versículo explica que devemos ter o cuidado de que nossas palavras não venham a nos trazer situações embaraçosas. Temos que saber como dizer as coisas, pois certamente colheremos situações que são causadas por nós mesmos. No entanto, este verso não dá margem para dizer que são as palavras em si que nos dá o controle das circunstâncias da nossa vida. São situações específicas e não o destino do ser humano que é traçado pela verbalização dos nossos desejos interiores.
Para uma compreensão melhor do que eu quero dizer, deixe-me mostrar-lhes algumas implicações práticas sobre a Confissão Positiva. Se você crer nesta doutrina, então terá que desconsiderar aquilo que eu irei falar a seguir. Mas se você quer ponderar o assunto, leia com atenção as frases seguintes.
IMPLICAÇÕES PRÁTICAS DE SE CRÊ NA DOUTRINA DA CONFISSÃO POSITIVA
Citaremos algumas implicações preocupantes que comprovam a periculosidade desta doutrina para os cristãos menos desavisados:
1 – A Doutrina da confissão positiva aniquila a Soberania de Deus.
Deus não depende das palavras dos homens para agir. Deus é e sempre será Soberano. Soberania é o atri buto pelo qual Deus possui completa autoridade sobre todas as coisas criadas, determinando-lhe o fim que desejar (Gn 14:19; Ne 9:6; Ex 18:11; Dt 10:14-17; I Cr 29:11; II Cr 20:6; Jr 27:5; At 17:24-26; Jd 4; Sl 22:28; 47:2,3,8; 50:10-12; 95:3-5; 135:5; 145:11-13; Ap.19:6).
Já imaginou um Deus que depende do homem para agir? Com certeza Ele entraria em enrascada se estivesse sujeito às oscilações da vontade humana. Eu mesmo não queria um Deus desse tipo. Prefiro o Deus da Bíblia que “tudo faz como lhe apraz”. (Sl 115:3).
2 – A Doutrina da confissão positiva enaltece o homem.
Quando entendemos biblicamente quem na realidade é o homem, ficamos sobremaneira conscientes de nossas falhas e limitações. Quanto mais a confissão Positiva enaltece o homem, mais eu vejo o seu erro. A Bíblia nos mostra claramente que o homem nada é comparado ao Senhor nosso Deus.
A Bíblia retrata como na verdade é o homem (Ezequiel 16:4-5; Is 1:6 Rm 3:10-18; Sal 51:5; 58:3; Is 48:8; João 5:40; Rm 1:28; 3:11, 18; II Pedro 3:5; Rm 8:8; Jr 13:23; João 6:44-45; Rm 8:6-8; Ef 4:18; Rm 1:21; Jr 17:9).
3 – A Doutrina da confissão positiva dá mais valor a palavra falada do que às Escrituras.
Onde fica a luta de reformadores como Lutero? Muitos foram aqueles que lutaram para que hoje tivéssemos a Palavra de Deus em nossas mãos. Muito sangue foi derramado para que pudéssemos ler às Escrituras sem a interferência da vontade humana. Onde fica o princípio da “Sola Scriptura”? A Bíblia deixou de ser relevante para as nossas vidas? Creio firmemente que não e os textos bíblicos confirmam isso - Sl 19:7-11; Sl 119; Jo 5:39; Rm 15:4; II Tm 3:16-17.
Amado irmão, se precisássemos apenas falar e declarar para que as circunstâncias adversas fossem resolvidas e vivêssemos rica e abundantemente sem problemas, então porquê a Bíblia dá tanta ênfase a suportar o sofrimento? Se Paulo tivesse o poder de parar de sofrer decretando, então como foi que ele teve que ficar com o espinho na carne? Deixemos de incoerência e vivamos a verdade da Palavra do Senhor!
“Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte”. II Co 12:10.
4 – A Doutrina da confissão positiva dá um conceito simplista da fé cristã.
O evangelho de Cristo é o evangelho da cruz, da renúncia, do arrependimento, do nascer de novo. O cristianismo de hoje é um cristianismo sem cruz, sem sacrifícios. Gosto de dizer que é o “evangelho boa vida”, evangelho “não-faça-nada-e-ganhe-tudo”. Esse não é o evangelho de Cristo. Basta vermos alguns textos para comprovar o que estou dizendo – Jo 3; Mt 16:24; Mc 8:34; Lc 9:23; Gl 6:12; Mt 3:8; Lc 5:32; II Pd 3:9, etc.
5 – A Doutrina da confissão positiva não tem o respaldo na História da Igreja.
Fico imaginando Lutero ou Calvino orando da seguinte maneira: “Eu decreto que a partir de hoje o papado vai morrer, reivindico que todos os inimigos do evangelho sejam transportados para o inferno. Declaro explicitamente que não mais haverá mais heresias e que os inimigos da cruz de Cristo vão desaparecer da face da terra. Está decretado em nome de Jesus!”
Essa oração nunca aconteceu. Dentro da História da Igreja não se tem notícia de coisas absurdas como essa. Será que todos os grandes homens de Deus estavam enganados a respeito de sua fé? Quando examinamos biografias diversas dos homens de Deus, seja de quem for, notamos uma única nota coerente em todos: Verdadeira humildade. Todos foram humildes em afirmar a soberania de Deus e a fraqueza do homem. Agora, o homem quer mandar em Deus? Meus amados somos servos e não senhores. E basta para nós sermos apenas servos.
Conclusão: Estude a Palavra e não fique por ai repetindo, como papagaio, aquilo que você escuta na televisão. É muito fácil pregar heresias. É muito prático dizer um “abracadabra” evangélico para que tudo se resolva. Difícil é estudar com afinco às Escrituras, passar horas debruçado sobre as páginas santas desse livro. Buscar de Deus o verdadeiro sentido da vida, entender às verdades centrais desse livro, no entanto, é salutar.
Como a Igreja do Senhor está precisando de bereanos hoje em dia. Você quer ser um deles? Oxalá que sim! Deus o abençoe.
SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER
NOTAS:
(1) A Sedução do Cristianismo, pg 268.
(2) Retirado da Internet - http://br.geocities.com/ipnatal
(3) Revista Eclésia, Ano V, Nº 67, Junho de 2001, pg 26.
(4) A paz Interior, pg 14-15, 8 a . edição, Record, Rio de Janeiro - 1979.
(5) Linhares, Pg. 16, 18.
(6) Somos Deuses? P. 28
(7) Bíblia de Genebra, p.732
Sobre o autor: O Pr. Antônio Pereira da Costa Júnior, nasceu em Esperança – PB. Co-Pastor da 1ª. Igreja Congregacional em St a Cruz do Capibaribe – PE. Faz parte do quadro de ministros da AIECB (Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil). Casado com Esther Monteiro da Costa, e Pai de Rachêl Hellen Monteiro da Costa. Palestrante e pesquisador na área de Apologética em geral, Técnico Agrícola pela UEPB e Bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional). E fez um curso de Apologética por extensão pelo ICP (Instituto Cristão de Pesquisas). Faz Especialização em Teologia Bíblica pelo SPN – Extensão Campina Grande. E-mail:juniorapologista@yahoo.com.br
Fonte: [ Monergismo ]
Via: [ Presbiterianos Calvinistas ]
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terça-feira, 18 de maio de 2010
Uma nova reforma .
Uma nova reforma é o título de um livro de J. A . T. Robinson, edição da Moraes Editora, de Lisboa. Lançado em 1965 (inglês), o livro veio na esteira dos debates da teologia da morte de Deus. Bafejada pelo existencialismo, esta corrente propunha a secularização do cristianismo. A nova reforma de que falo não é esta, a dessacralização do evangelho. É uma volta às origens, principalmente hermenêuticas, da Reforma. Um dos nossos maiores problemas, hoje, está na área de hermenêutica: como interpretar a Bíblia, a fé e a denominação.
Segundo Mondin (Antropologia teológica, Paulinas, 1979), há dois princípios na formação de uma corrente teológica, o arquitetônico e o hermenêutico. O arquitetônico é o conteúdo da revelação. A teologia deriva da revelação bíblica. Se não fosse assim, não teríamos uma corrente teológica, mas filosófica. Mondin cita o sistema de pensamento de Hegel. Os mistérios do cristianismo estão presentes nele, mas como foram dessacralizados, despidos de seu conteúdo sobrenatural, é um sistema filosófico e não teológico.
O princípio hermenêutico é o instrumento pelo qual se interpreta a revelação. Geralmente é de conteúdo filosófico. É que a teologia é a interpretação da revelação pela razão. Os dois princípios são necessários e se entendem bem à luz da palavra de Bruner, segundo a qual, para se entender a Palavra de Deus é necessário um ponto de encontro entre ela e a mente humana. A Palavra é o princípio arquitetônico. A mente humana é o princípio hermenêutico.
O catolicismo faz teologia usando como princípio hermenêutico a autoridade da Igreja. O pressuposto filosófico é que ela detém a Verdade. Para Agostinho, por exemplo, a Igreja Católica era o ponto culminante da história. Há suporte filosófico para a interpretação da Igreja Católica: ela tem a verdade e seu magistério a expressa. A Reforma tirou a base hermenêutica da Igreja e a pôs na Bíblia, interpretada pelo crente, regenerado pelo Espírito. Roma deixou de ter a palavra final em matéria de interpretação. Esta postura foi mudada pelo pentecostalismo e carismatismo, pulverizando a interpretação. Colocando a base não mais na Bíblia, mas no crente, estes intimizaram a hermenêutica, com sonhos e interpretações na base de "o Senhor revelou". Toda a estrutura de uma denominação, seu conteúdo teológico e seu passado doutrinário são irrelevantes. O crente é a palavra final. A diversidade de interpretações, mesmo as mais absurdas, partem daqui. "O Espírito me falou" ou "Deus me revelou" são expressões comuns para legitimar teorias as mais esdrúxulas. O critério de interpretação não é mais Cristo. É o "Espírito", entendendo-se assim a subjetividade do intérprete. É significativo que a Universal do Reino de Deus tenha substituído a cruz pela pomba. É o Espírito (subjetivo) e não mais Jesus (objetivo) o critério de interpretação. Não há como argumentar com quem tem uma relação especial com o Espírito que nós, "tradicionais e carnais", não temos. A leitura de Benny Him, Hagin e os sermões de Valnice mostram isso. Estas pessoas alegam ter uma autoridade que elas não podem provar, mas que nós não podemos contestar.
Hagin recebe visitas de Jesus. Outros têm revelações especiais de Deus. Nós "só" temos a Bíblia. A Palavra se subordinou à palavra. A subjetividade de sonhos, experiências e intuições se sobrepõe à exegese centenária e até milenar do evangelho. Assim, se "reinventa" o evangelho constantemente.
Há, em nosso cenário, três grandes vertentes em termos de teologia e de práxis: a recatolização, a rejudaização e a influência baixo-espírita. Cada uma delas mostra que as pessoas assumiram princípios hermenêuticos estranhos, nunca antes sustentados, recebidos por "revelação", "iluminação" ou "capacitação especial". Assim desfiguram o evangelho, fazendo uma salada religiosa que nada têm a ver com o ensino bíblico.
1. A Recatolização Contemporânea do Evangelho
Vê-se a recatolização no entendimento cada vez mais acentuado, de que temos um clero e um laicato. Preocupa-me ver, cada vez mais, as igrejas terem ministros formados e assalariados para tudo. Acho correto termos ministros de música, de educação religiosa, de missões, etc., em nossas igrejas. Milito na educação ministerial, sou presidente da ABIBET e não poderia pensar doutra maneira.
Mas me preocupa a possibilidade de estarmos dizendo ao nosso povo que só pessoas formadas em seminários e remuneradas podem fazer a obra de Deus. Pode-se criar uma mentalidade daninha: os ministros fazem o trabalho e os crentes pagam a conta. A incidência do uso do termo "leigo" para os não consagrados aos ministérios é reveladora. Todos nós somos ministros, pois todos somos servos. E todos somos leigos, porque todos somos povo (é este o sentido da palavra "leigo", alguém do povo). Não temos clero nem laicato. Somos todos ministros e somos todos povo. Mas cada vez mais as bases ministeriais são buscadas no Antigo Testamento e não no Novo. Usamos os termos do Novo com a conotação do Antigo. O pastor do NT passa a ter a conotação do sacerdote do AT. É o "ungido", detentor de uma relação especial com Deus que os outros não têm. Só ele pode realizar certos atos litúrgicos, como o sacerdote do AT. Por exemplo, batismo e ceia só podem ser celebrados por ele. Assumimos isto como postura, mas não é uma exigência bíblica. No meio carismático isto é mais forte. Os pastores tornam a igreja dependente deles. Só eles têm a oração poderosa, a corrente de libertação só pode ser feita por eles e na igreja, só eles quebram as maldições, etc.
O sentido teológico do sacerdote hebreu parece permear fortemente o sentido teológico do pastor neotestamentário. Este conceito convém ao pastor carismático. Ele se torna um homem acima dos outros, incontestável, líder que deve ser acatado. Tem uma autoridade espiritual que os outros não tem. O Antigo Testamento elitiza a liderança. O Novo Testamento democratiza. Para o carismático, o Novo Testamento, a mensagem da graça e a eclesiologia despida de objetos, palavras e gestual sagrados não são interessantes. Assim, ele se refugia no AT. Por isso há igrejas evangélicas com castiçais de sete braços e estrelas de Davi no lugar da cruz, bandeira de Israel, guardando festas judaicas, e até incensários em seus salões de cultos. Há evangélicos que parecem frustrados por não serem judeus. A liturgia pomposa do judaísmo é mais atraente e permite mais manobra ao líder que se põe acima dos outros.
2. A Rejudaização, um Produto Tanto Teológico Quanto Comercial
A rejudaização do evangelho tem um lado comercial e outro teológico. O comercial se vê nas propagandas para visita à "Terra Santa". O judaísmo girava ao redor de três grandes verdades: um povo, uma terra e um Deus. No cristianismo há um povo, mas não mais como etnia. A Igreja é o novo povo de Deus, herdeira e sucessora[1] de Israel, composta de "toda a tribo, e língua, e povo, e nação" (Ap 5.9). Há também um Deus, que se revelou em Jesus Cristo, sua palavra final (Hb 1.1-2). Mas não há uma terra santa. No cristianismo não há lugares e objetos santos. O prédio onde a Igreja se reúne e que alguns chamam, na linguagem do Antigo Testamento, de "santuário", não é santuário nem morada de Deus. É salão de cultos. O Eterno não mora em prédios, mas em pessoas. Elas são o santuário (At 17.24, 1Co 3.16, 6.19 e Hb 3.6). Deus não está mais perto de alguém em Jerusalém que na floresta amazônica, nos condomínios, favelas e cortiços das grandes cidades. No cristianismo, santo não é o lugar. São as pessoas. Não é o chão. É o crente. E Deus pode ser encontrado em qualquer lugar. Não temos terra santa, e sim gente santa.
A propaganda gera uma teologia defeituosa. Pessoas vão a Israel para se batizar nas águas onde Jesus se batizou. Ora, o batismo é único, singular e irrepetível. Ele segue a conversão e mostra o engajamento da pessoa no propósito eterno de Deus. Uma pessoa que foi batizada, após conversão e profissão de fé, numa igreja bíblica, não se batiza no rio Jordão. Apenas toma um banho. E, sem o sentido filosófico do ser e do vir a ser de Heráclito, aquele não é o Jordão onde Jesus foi batizado porque as águas são outras. As moléculas de hidrogênio e oxigênio que compunham aquele Jordão podem estar hoje em alguma nuvem. Ou na bacia amazônica. Ou no mar. Até no Tietê. É mero sentimentalismo e não identificação com Jesus. É lamentável que pastores conservadores em teologia "batizem" crentes já batizados no Jordão. Isto é vulgarizar o batismo, tirando seu valor teológico.
Não sou contra o turismo. Faça-o quem puder e regozije-se com a oportunidade. Sou contra o entortamento da teologia como apelo turístico. Temos visto pastores com sal do mar Morto, azeite do monte das Oliveiras (há alguma usina de beneficiamento de azeitonas lá?) e até crucifixos feitos da cruz de Jesus (pastores evangélicos, sim!). Há um fetichismo com terra santa, areia santa, água santa, sal santo, folha de oliveira santa, etc. No cristianismo as pessoas são santas, mas as coisas não. A rejudaização caminha paralelamente com a superstição e feitiçaria. É parente da paganização.
Não estou tecendo uma colcha de retalhos. Tudo isto é produto de uma hermenêutica defeituosa, que não compreende as distinções entre os dois Testamentos, os critérios diferentes para interpretá-los, a pompa e liturgia do judaísmo em contraposição à desburocratização do cristianismo e que a palavra final de Deus foi dada em Jesus Cristo. É o NT que interpreta o AT e não o AT que interpreta o NT.
3. O Fetichismo como Produto do Neopentecostalismo
O neopentecostalismo (ou baixo-pentecostalismo) trouxe um problema sério. Derrubou o muro entre feitiçaria e evangelho. Já vi "tapete ungido" que chupa as enfermidades e pecados, água santa após a oração pastoral (como Alziro Zarur fazia nos anos sessentas), bênção de carteiras de dinheiro, envelope de pagamento e cartão de crédito, repreensão de maldição sobre carros e eletrodomésticos para que não tenham mais defeitos, etc. Um pastor apresentou na televisão o homossexualismo como maldição hereditária. É a mesma hermenêutica do psicólogo ou psiquiatra ateu que o justifica como hereditariedade genética. A responsabilidade pessoal do indivíduo se dilui na maldição ou nos genes. A ignorância do ensino global das Escrituras, incluindo a responsabilidade da pessoa, com a capacidade de tomar decisões, sendo responsável por elas, produz estas distorções. De novo um problema hermenêutico: não há hereditariedade espiritual no Novo Testamento. Ezequiel antecipava o evangelho ao escrever seu capítulo 18.
Em correntes de oração, leva-se uma foto da pessoa para ungi-la e ela deixar o pecado ou o vício. Se não pode levar a foto, leve uma muda de roupa. Vi isso na minha infância, no baixo espiritismo. Choca-me vê-las entre evangélicos. Surpreende-me o ibope dado ao diabo, que já teve até microfone de televisão na boca em programa evangélico. Só faltou dizer: "Agora, ao vivo, em cores, via satélite, o Diabo fala para todos".
Boa parte dos evangélicos busca sensacionalismo e vive à cata de eventos. Um pastor que seja sério, expositor bíblico, conselheiro, amigo, mas que não faça pirotecnia no púlpito corre o risco de ser considerado ultrapassado. Busca-se o showman, o espetáculo, o fantasioso. Declarações levianas são feitas com ar de seriedade. Tempos atrás, o dono de uma seita que eu desconhecia, declarou numa revista evangélica que havia denominações demais e sugeriu a fusão dos batistas e presbiterianos. O ridículo da história é que a pessoa era contra o excesso de denominações, queria que as grandes se fundissem, e produziu mais uma, nanica.
Esta confusão hermenêutica gerou denominações exóticas: Igreja Evangélica Pentecostal Independente Peregrinos na Fé do Senhor Conforme Hebreus Capítulo 11, Igreja Pedra Angular O Anjo da Colheita na América Latina, Igreja Pentecostal A Chegada de Jesus Com Poder e Glória, etc.. Conheci uma Igreja Pocalipi. O nome intrigou-me. Não conseguia ver nexo nele, até entender que era Apocalipse, nome que seu pastor não conseguia ler corretamente. Como uma pessoa que não consegue ler a palavra "apocalipse" pode fazer uma interpretação doutrinária correta? Não se trata de elitismo. É minha perplexidade para compreender a facilidade com que se interpreta a Bíblia hoje. Qualquer pessoa o faz, desprovida de bom senso elementar, sob a desculpa "o Senhor revelou". As bases hermenêuticas foram aniquiladas. O movimento evangélico está desfigurado, é palco de gente vaidosa que deseja fundar uma igreja, e nesta desfiguração, recebe todo tipo de heresias e tolices. Está calcado na subjetividade e não em verdades históricas.
Temos uma descaracterização doutrinária pelo neocatolicismo, neojudaísmo e pela entrada do baixo espiritismo que nos vem pelo baixo pentecostalismo. Que fazer? É aqui que entra a necessidade de uma nova Reforma, com algumas idéias que devem ser trabalhadas em nosso meio.
4. A Nova Reforma Propriamente Dita
1) Precisamos de uma volta às Escrituras com estudo bíblico sério. A hermenêutica e a exegese criteriosa devem ser preferidas à pregação tópica e às ilustrações de reis, rainhas, mães morrendo e crianças atropeladas. Isto requer trabalho, mas a preguiça deve ser banida do nosso meio. Todas as denominações declaram a Bíblia como regra de fé e prática e depois formulam seus credos encaixando-a neles e dizendo o que pode ser descoberto nela. Nunca vi uma denominação evangélica negar a Bíblia. Todas a afirmam, mas usam-na para validar suas posições. Deve haver um estudo sério para rever nossas práticas à luz da Bíblia e não usá-la para legitimar nossas práticas. Isto requer que a herança teológica do passado seja buscada. Tenho me edificado com a leitura de grandes vultos do passado. Negar que Lutero, Calvino e teólogos posteriores, de grande conteúdo, tenham o que ensinar, é insensatez. A Igreja Católica tem o peso da Tradição. Temos ojeriza a este nome, mas precisamos resgatar a teologia do passado, com sua erudição e profundidade. E a livre interpretação (não o livre exame) da Bíblia precisa ter contornos mais bem definidos.
2) O doutrinamento das igrejas deve ser privilegiado. É falsa a dicotomia vida espiritual ou doutrina. As doutrinas bíblicas não são estéreis e sem vida. São fonte de vida. Preguei numa reunião jovem e, a seguir, deselegantemente, o líder do grupo disse: "Não me interesso por doutrina, só por Jesus". Mas, que Jesus se tem, sem uma doutrina sólida sobre ele? O evangelho não é evento ou show, mas pressupõe conteúdo teológico. E este deve ser fio de prumo e não suporte para a repetição de modelos e esquemas denominacionais que sacralizamos e fora dos quais tudo está errado.
3) Precisamos de mais zelo ao encaminhar jovens aos seminários, ao criar seminários, ao formar currículos e conteúdo programáticos, e ao consagrar pastores ao ministério. Criticam-se os seminários, mas manda-se gente imatura para lá, na esperança de que ele a torne madura. O seminário não é casa de correção, mas lugar de estudo e de aprofundamento teológico e espiritual. Porque teologia e espiritualidade não são antitéticas. Entrar em um seminário deve ser visto com muita seriedade. E o seminário também não pode ser um curso técnico, tipo SENAC ou SENAI, ensinando operacionalidade. Deve ser um centro de reflexão.
4) Por último: precisamos de uma reforma eclesiológica. Muitas de nossas igrejas não estão crescendo como deveriam. Há pastores que querem ver seu ministério deslanchar e não conhecem muitos ministérios modelos. E não encontram alternativas litúrgicas, quando vêem que a nossa não atrai muito. Só conhecem a nossa e lhes dizem que desviar-se dela é ser pentecostal (em tempo: a liturgia da minha igreja é tradicional). No seminário me ensinaram Isaías 6 como modelo de liturgia. Não creio que o texto foi produzido com a finalidade de dar um modelo de ordem de culto para as igrejas ocidentais do século presente. Por que não uma liturgia baseada no Novo Testamento, mais precisamente em 1Coríntios 14.26, com a participação do povo e não apenas dos oficiais do culto? Por que não mais espontaneidade e menos formalismo? O culto não precisa ser monótono. O pastor jovem, idealista, querendo realização no ministério, não vai se mirar em ministérios estagnados. Vai olhar quem está fazendo algo marcante. Buscará referenciais positivos e se não os encontrar em nossa denominação, em nossa linha, mas em outros grupos, irá imitá-los. Nossos jovens pastores estão aprendendo mais sobre igrejas funcionais em congressos da SEPAL e da VINDE que em nossas ordens de pastores.
Isto não me agrada, mas caminhamos para uma época pós-denominacional. A maior parte dos crentes não está interessada em denominação. O termo se associou, na mente de muitos, à estrutura. O apelo ao denominacionalismo tem pouco resultado prático. As pessoas querem resultados. Ouço muito perguntas como estas: por que nossa editora se desmontou e a de outros grupos vai bem? Por que ainda não temos um programa de televisão batista enquanto outros grupos têm redes? Por que grupos que chegaram depois de nós nos ultrapassaram? Estas coisas fazem os crentes pensar se vale a pena enfatizar tanto a denominação, que tem sido mostrada mais como instituição do que como um aglomerado de igrejas locais. Não endosso o que está por trás das perguntas, mas elas são feitas!
Esta reforma deve examinar também nossas estruturas. São bíblicas? São funcionais e viabilizam a divulgação do evangelho ou atendem a segmentos que não querem perder patrimônio, influência e posições? As igrejas devem se adaptar ao que a estrutura lhes dá ou esta deve mudar e se ajustar a novos tempos e satisfazê-las? Infelizmente, as igrejas não socorreram a JUERP, como esperávamos. Presidente que era da Convenção do Amazonas, duas vezes enviei cartas às igrejas e falei ao Conselho. Não houve atendimento. Creio que não socorrerão nenhuma junta. Há uma exaustão de igrejas e pastores não ligados ao esquema estrutural com o que se chama denominação. Nossa reforma deve começar aqui: devemos ser mais bíblicos e menos programáticos e institucionais. A excessiva institucionalização do evangelho é responsável pela apatia de muitos com a denominação. E isto faz surgir os desvios doutrinários. E não adianta apertar em outros lados. Obreiros e igrejas querem funcionalidade e o progresso espiritual e não apenas institucional do reino. A Reforma desburocratizou a religião, na tentativa de acabar com a institucionalização da fé. Foi o que Jesus fez: ele desinstitucionalizou a religião. Hoje se vê a institucionalização da fé evangélica, descendente da Reforma. A Campanha Nacional de Evangelização de 65, na minha adolescência, mobilizou as igrejas. Institucionalizada, perdeu o vigor. Até para testemunhar já temos um dia no calendário.
Sou batista convicto. Um batista histórico (prefiro este termo a tradicional porque acho que diz mais, mas não rejeito ser tradicional) que ama sua denominação. Não a rejeito nem condeno. Minhas palavras não são desabridas, mas expressam o que vejo: desalento e desinteresse com a estrutura denominacional. Nosso povo quer espiritualidade e santidade de vida, mais que outra coisa. Necessitamos de uma teologia correta. Não apenas de doutrina correta sobre Espírito Santo e louvor, mas uma restauração de valores, conceitos e cosmovisão. Precisamos de ortodoxia, de ortopraxia, de ortolalia, de transparência de ações à luz da Bíblia.
Há heresias que nos ameaçam. Mas há outros perigos, entre eles o desinteresse de igrejas e pastores pela denominação. A causa disto parece-me ser a institucionalização como a que subjugou o cristianismo pré-Reforma, tornando-o mais uma empresa que agência espiritual. Por isso, necessitamos de uma nova Reforma. Que ponha o espiritual acima do material, do administrativo e do funcional. Que submeta tudo, e não apenas alguns aspectos doutrinários, ao crivo das Escrituras. O agir, o funcionar e o viver de nossa denominação, em todos os níveis, é bíblico ou foi secularizado? Buscamos mais Qualidade Total ou o poder do Espírito Santo? Prédios, coisas e regulamentos estão ocupando mais nossas mentes e nossa vida que a Palavra? Então, uma Reforma é necessária.
Autor: Isaltino Gomes Coelho Filho - é pastor batista, pastoreando a Igreja Batista do Cambuí – Campinas – SP, Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, Bacharel em Filosofia pela Faculdade 9 de Julho e tem formação em Psicanálise Clínica pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Cristã. É Pós-Graduado em Educação com especialização em Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Católica de Brasília e Mestre em Teologia com especialização em Antigo Testamento pelo Seminário Teológico Batista Equatorial.
Nota:1 - N.R. - Há que se advertir que a Igreja é sim co-herdeira com Israel, mas não sua sucessora, vide Romanos 11:25-27 ("25 Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. 26 E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades. 27 E esta será a minha aliança com eles, Quando eu tirar os seus pecados").
Fonte: [ Luz para o Caminho ]
Segundo Mondin (Antropologia teológica, Paulinas, 1979), há dois princípios na formação de uma corrente teológica, o arquitetônico e o hermenêutico. O arquitetônico é o conteúdo da revelação. A teologia deriva da revelação bíblica. Se não fosse assim, não teríamos uma corrente teológica, mas filosófica. Mondin cita o sistema de pensamento de Hegel. Os mistérios do cristianismo estão presentes nele, mas como foram dessacralizados, despidos de seu conteúdo sobrenatural, é um sistema filosófico e não teológico.
O princípio hermenêutico é o instrumento pelo qual se interpreta a revelação. Geralmente é de conteúdo filosófico. É que a teologia é a interpretação da revelação pela razão. Os dois princípios são necessários e se entendem bem à luz da palavra de Bruner, segundo a qual, para se entender a Palavra de Deus é necessário um ponto de encontro entre ela e a mente humana. A Palavra é o princípio arquitetônico. A mente humana é o princípio hermenêutico.
O catolicismo faz teologia usando como princípio hermenêutico a autoridade da Igreja. O pressuposto filosófico é que ela detém a Verdade. Para Agostinho, por exemplo, a Igreja Católica era o ponto culminante da história. Há suporte filosófico para a interpretação da Igreja Católica: ela tem a verdade e seu magistério a expressa. A Reforma tirou a base hermenêutica da Igreja e a pôs na Bíblia, interpretada pelo crente, regenerado pelo Espírito. Roma deixou de ter a palavra final em matéria de interpretação. Esta postura foi mudada pelo pentecostalismo e carismatismo, pulverizando a interpretação. Colocando a base não mais na Bíblia, mas no crente, estes intimizaram a hermenêutica, com sonhos e interpretações na base de "o Senhor revelou". Toda a estrutura de uma denominação, seu conteúdo teológico e seu passado doutrinário são irrelevantes. O crente é a palavra final. A diversidade de interpretações, mesmo as mais absurdas, partem daqui. "O Espírito me falou" ou "Deus me revelou" são expressões comuns para legitimar teorias as mais esdrúxulas. O critério de interpretação não é mais Cristo. É o "Espírito", entendendo-se assim a subjetividade do intérprete. É significativo que a Universal do Reino de Deus tenha substituído a cruz pela pomba. É o Espírito (subjetivo) e não mais Jesus (objetivo) o critério de interpretação. Não há como argumentar com quem tem uma relação especial com o Espírito que nós, "tradicionais e carnais", não temos. A leitura de Benny Him, Hagin e os sermões de Valnice mostram isso. Estas pessoas alegam ter uma autoridade que elas não podem provar, mas que nós não podemos contestar.
Hagin recebe visitas de Jesus. Outros têm revelações especiais de Deus. Nós "só" temos a Bíblia. A Palavra se subordinou à palavra. A subjetividade de sonhos, experiências e intuições se sobrepõe à exegese centenária e até milenar do evangelho. Assim, se "reinventa" o evangelho constantemente.
Há, em nosso cenário, três grandes vertentes em termos de teologia e de práxis: a recatolização, a rejudaização e a influência baixo-espírita. Cada uma delas mostra que as pessoas assumiram princípios hermenêuticos estranhos, nunca antes sustentados, recebidos por "revelação", "iluminação" ou "capacitação especial". Assim desfiguram o evangelho, fazendo uma salada religiosa que nada têm a ver com o ensino bíblico.
1. A Recatolização Contemporânea do Evangelho
Vê-se a recatolização no entendimento cada vez mais acentuado, de que temos um clero e um laicato. Preocupa-me ver, cada vez mais, as igrejas terem ministros formados e assalariados para tudo. Acho correto termos ministros de música, de educação religiosa, de missões, etc., em nossas igrejas. Milito na educação ministerial, sou presidente da ABIBET e não poderia pensar doutra maneira.
Mas me preocupa a possibilidade de estarmos dizendo ao nosso povo que só pessoas formadas em seminários e remuneradas podem fazer a obra de Deus. Pode-se criar uma mentalidade daninha: os ministros fazem o trabalho e os crentes pagam a conta. A incidência do uso do termo "leigo" para os não consagrados aos ministérios é reveladora. Todos nós somos ministros, pois todos somos servos. E todos somos leigos, porque todos somos povo (é este o sentido da palavra "leigo", alguém do povo). Não temos clero nem laicato. Somos todos ministros e somos todos povo. Mas cada vez mais as bases ministeriais são buscadas no Antigo Testamento e não no Novo. Usamos os termos do Novo com a conotação do Antigo. O pastor do NT passa a ter a conotação do sacerdote do AT. É o "ungido", detentor de uma relação especial com Deus que os outros não têm. Só ele pode realizar certos atos litúrgicos, como o sacerdote do AT. Por exemplo, batismo e ceia só podem ser celebrados por ele. Assumimos isto como postura, mas não é uma exigência bíblica. No meio carismático isto é mais forte. Os pastores tornam a igreja dependente deles. Só eles têm a oração poderosa, a corrente de libertação só pode ser feita por eles e na igreja, só eles quebram as maldições, etc.
O sentido teológico do sacerdote hebreu parece permear fortemente o sentido teológico do pastor neotestamentário. Este conceito convém ao pastor carismático. Ele se torna um homem acima dos outros, incontestável, líder que deve ser acatado. Tem uma autoridade espiritual que os outros não tem. O Antigo Testamento elitiza a liderança. O Novo Testamento democratiza. Para o carismático, o Novo Testamento, a mensagem da graça e a eclesiologia despida de objetos, palavras e gestual sagrados não são interessantes. Assim, ele se refugia no AT. Por isso há igrejas evangélicas com castiçais de sete braços e estrelas de Davi no lugar da cruz, bandeira de Israel, guardando festas judaicas, e até incensários em seus salões de cultos. Há evangélicos que parecem frustrados por não serem judeus. A liturgia pomposa do judaísmo é mais atraente e permite mais manobra ao líder que se põe acima dos outros.
2. A Rejudaização, um Produto Tanto Teológico Quanto Comercial
A rejudaização do evangelho tem um lado comercial e outro teológico. O comercial se vê nas propagandas para visita à "Terra Santa". O judaísmo girava ao redor de três grandes verdades: um povo, uma terra e um Deus. No cristianismo há um povo, mas não mais como etnia. A Igreja é o novo povo de Deus, herdeira e sucessora[1] de Israel, composta de "toda a tribo, e língua, e povo, e nação" (Ap 5.9). Há também um Deus, que se revelou em Jesus Cristo, sua palavra final (Hb 1.1-2). Mas não há uma terra santa. No cristianismo não há lugares e objetos santos. O prédio onde a Igreja se reúne e que alguns chamam, na linguagem do Antigo Testamento, de "santuário", não é santuário nem morada de Deus. É salão de cultos. O Eterno não mora em prédios, mas em pessoas. Elas são o santuário (At 17.24, 1Co 3.16, 6.19 e Hb 3.6). Deus não está mais perto de alguém em Jerusalém que na floresta amazônica, nos condomínios, favelas e cortiços das grandes cidades. No cristianismo, santo não é o lugar. São as pessoas. Não é o chão. É o crente. E Deus pode ser encontrado em qualquer lugar. Não temos terra santa, e sim gente santa.
A propaganda gera uma teologia defeituosa. Pessoas vão a Israel para se batizar nas águas onde Jesus se batizou. Ora, o batismo é único, singular e irrepetível. Ele segue a conversão e mostra o engajamento da pessoa no propósito eterno de Deus. Uma pessoa que foi batizada, após conversão e profissão de fé, numa igreja bíblica, não se batiza no rio Jordão. Apenas toma um banho. E, sem o sentido filosófico do ser e do vir a ser de Heráclito, aquele não é o Jordão onde Jesus foi batizado porque as águas são outras. As moléculas de hidrogênio e oxigênio que compunham aquele Jordão podem estar hoje em alguma nuvem. Ou na bacia amazônica. Ou no mar. Até no Tietê. É mero sentimentalismo e não identificação com Jesus. É lamentável que pastores conservadores em teologia "batizem" crentes já batizados no Jordão. Isto é vulgarizar o batismo, tirando seu valor teológico.
Não sou contra o turismo. Faça-o quem puder e regozije-se com a oportunidade. Sou contra o entortamento da teologia como apelo turístico. Temos visto pastores com sal do mar Morto, azeite do monte das Oliveiras (há alguma usina de beneficiamento de azeitonas lá?) e até crucifixos feitos da cruz de Jesus (pastores evangélicos, sim!). Há um fetichismo com terra santa, areia santa, água santa, sal santo, folha de oliveira santa, etc. No cristianismo as pessoas são santas, mas as coisas não. A rejudaização caminha paralelamente com a superstição e feitiçaria. É parente da paganização.
Não estou tecendo uma colcha de retalhos. Tudo isto é produto de uma hermenêutica defeituosa, que não compreende as distinções entre os dois Testamentos, os critérios diferentes para interpretá-los, a pompa e liturgia do judaísmo em contraposição à desburocratização do cristianismo e que a palavra final de Deus foi dada em Jesus Cristo. É o NT que interpreta o AT e não o AT que interpreta o NT.
3. O Fetichismo como Produto do Neopentecostalismo
O neopentecostalismo (ou baixo-pentecostalismo) trouxe um problema sério. Derrubou o muro entre feitiçaria e evangelho. Já vi "tapete ungido" que chupa as enfermidades e pecados, água santa após a oração pastoral (como Alziro Zarur fazia nos anos sessentas), bênção de carteiras de dinheiro, envelope de pagamento e cartão de crédito, repreensão de maldição sobre carros e eletrodomésticos para que não tenham mais defeitos, etc. Um pastor apresentou na televisão o homossexualismo como maldição hereditária. É a mesma hermenêutica do psicólogo ou psiquiatra ateu que o justifica como hereditariedade genética. A responsabilidade pessoal do indivíduo se dilui na maldição ou nos genes. A ignorância do ensino global das Escrituras, incluindo a responsabilidade da pessoa, com a capacidade de tomar decisões, sendo responsável por elas, produz estas distorções. De novo um problema hermenêutico: não há hereditariedade espiritual no Novo Testamento. Ezequiel antecipava o evangelho ao escrever seu capítulo 18.
Em correntes de oração, leva-se uma foto da pessoa para ungi-la e ela deixar o pecado ou o vício. Se não pode levar a foto, leve uma muda de roupa. Vi isso na minha infância, no baixo espiritismo. Choca-me vê-las entre evangélicos. Surpreende-me o ibope dado ao diabo, que já teve até microfone de televisão na boca em programa evangélico. Só faltou dizer: "Agora, ao vivo, em cores, via satélite, o Diabo fala para todos".
Boa parte dos evangélicos busca sensacionalismo e vive à cata de eventos. Um pastor que seja sério, expositor bíblico, conselheiro, amigo, mas que não faça pirotecnia no púlpito corre o risco de ser considerado ultrapassado. Busca-se o showman, o espetáculo, o fantasioso. Declarações levianas são feitas com ar de seriedade. Tempos atrás, o dono de uma seita que eu desconhecia, declarou numa revista evangélica que havia denominações demais e sugeriu a fusão dos batistas e presbiterianos. O ridículo da história é que a pessoa era contra o excesso de denominações, queria que as grandes se fundissem, e produziu mais uma, nanica.
Esta confusão hermenêutica gerou denominações exóticas: Igreja Evangélica Pentecostal Independente Peregrinos na Fé do Senhor Conforme Hebreus Capítulo 11, Igreja Pedra Angular O Anjo da Colheita na América Latina, Igreja Pentecostal A Chegada de Jesus Com Poder e Glória, etc.. Conheci uma Igreja Pocalipi. O nome intrigou-me. Não conseguia ver nexo nele, até entender que era Apocalipse, nome que seu pastor não conseguia ler corretamente. Como uma pessoa que não consegue ler a palavra "apocalipse" pode fazer uma interpretação doutrinária correta? Não se trata de elitismo. É minha perplexidade para compreender a facilidade com que se interpreta a Bíblia hoje. Qualquer pessoa o faz, desprovida de bom senso elementar, sob a desculpa "o Senhor revelou". As bases hermenêuticas foram aniquiladas. O movimento evangélico está desfigurado, é palco de gente vaidosa que deseja fundar uma igreja, e nesta desfiguração, recebe todo tipo de heresias e tolices. Está calcado na subjetividade e não em verdades históricas.
Temos uma descaracterização doutrinária pelo neocatolicismo, neojudaísmo e pela entrada do baixo espiritismo que nos vem pelo baixo pentecostalismo. Que fazer? É aqui que entra a necessidade de uma nova Reforma, com algumas idéias que devem ser trabalhadas em nosso meio.
4. A Nova Reforma Propriamente Dita
1) Precisamos de uma volta às Escrituras com estudo bíblico sério. A hermenêutica e a exegese criteriosa devem ser preferidas à pregação tópica e às ilustrações de reis, rainhas, mães morrendo e crianças atropeladas. Isto requer trabalho, mas a preguiça deve ser banida do nosso meio. Todas as denominações declaram a Bíblia como regra de fé e prática e depois formulam seus credos encaixando-a neles e dizendo o que pode ser descoberto nela. Nunca vi uma denominação evangélica negar a Bíblia. Todas a afirmam, mas usam-na para validar suas posições. Deve haver um estudo sério para rever nossas práticas à luz da Bíblia e não usá-la para legitimar nossas práticas. Isto requer que a herança teológica do passado seja buscada. Tenho me edificado com a leitura de grandes vultos do passado. Negar que Lutero, Calvino e teólogos posteriores, de grande conteúdo, tenham o que ensinar, é insensatez. A Igreja Católica tem o peso da Tradição. Temos ojeriza a este nome, mas precisamos resgatar a teologia do passado, com sua erudição e profundidade. E a livre interpretação (não o livre exame) da Bíblia precisa ter contornos mais bem definidos.
2) O doutrinamento das igrejas deve ser privilegiado. É falsa a dicotomia vida espiritual ou doutrina. As doutrinas bíblicas não são estéreis e sem vida. São fonte de vida. Preguei numa reunião jovem e, a seguir, deselegantemente, o líder do grupo disse: "Não me interesso por doutrina, só por Jesus". Mas, que Jesus se tem, sem uma doutrina sólida sobre ele? O evangelho não é evento ou show, mas pressupõe conteúdo teológico. E este deve ser fio de prumo e não suporte para a repetição de modelos e esquemas denominacionais que sacralizamos e fora dos quais tudo está errado.
3) Precisamos de mais zelo ao encaminhar jovens aos seminários, ao criar seminários, ao formar currículos e conteúdo programáticos, e ao consagrar pastores ao ministério. Criticam-se os seminários, mas manda-se gente imatura para lá, na esperança de que ele a torne madura. O seminário não é casa de correção, mas lugar de estudo e de aprofundamento teológico e espiritual. Porque teologia e espiritualidade não são antitéticas. Entrar em um seminário deve ser visto com muita seriedade. E o seminário também não pode ser um curso técnico, tipo SENAC ou SENAI, ensinando operacionalidade. Deve ser um centro de reflexão.
4) Por último: precisamos de uma reforma eclesiológica. Muitas de nossas igrejas não estão crescendo como deveriam. Há pastores que querem ver seu ministério deslanchar e não conhecem muitos ministérios modelos. E não encontram alternativas litúrgicas, quando vêem que a nossa não atrai muito. Só conhecem a nossa e lhes dizem que desviar-se dela é ser pentecostal (em tempo: a liturgia da minha igreja é tradicional). No seminário me ensinaram Isaías 6 como modelo de liturgia. Não creio que o texto foi produzido com a finalidade de dar um modelo de ordem de culto para as igrejas ocidentais do século presente. Por que não uma liturgia baseada no Novo Testamento, mais precisamente em 1Coríntios 14.26, com a participação do povo e não apenas dos oficiais do culto? Por que não mais espontaneidade e menos formalismo? O culto não precisa ser monótono. O pastor jovem, idealista, querendo realização no ministério, não vai se mirar em ministérios estagnados. Vai olhar quem está fazendo algo marcante. Buscará referenciais positivos e se não os encontrar em nossa denominação, em nossa linha, mas em outros grupos, irá imitá-los. Nossos jovens pastores estão aprendendo mais sobre igrejas funcionais em congressos da SEPAL e da VINDE que em nossas ordens de pastores.
Isto não me agrada, mas caminhamos para uma época pós-denominacional. A maior parte dos crentes não está interessada em denominação. O termo se associou, na mente de muitos, à estrutura. O apelo ao denominacionalismo tem pouco resultado prático. As pessoas querem resultados. Ouço muito perguntas como estas: por que nossa editora se desmontou e a de outros grupos vai bem? Por que ainda não temos um programa de televisão batista enquanto outros grupos têm redes? Por que grupos que chegaram depois de nós nos ultrapassaram? Estas coisas fazem os crentes pensar se vale a pena enfatizar tanto a denominação, que tem sido mostrada mais como instituição do que como um aglomerado de igrejas locais. Não endosso o que está por trás das perguntas, mas elas são feitas!
Esta reforma deve examinar também nossas estruturas. São bíblicas? São funcionais e viabilizam a divulgação do evangelho ou atendem a segmentos que não querem perder patrimônio, influência e posições? As igrejas devem se adaptar ao que a estrutura lhes dá ou esta deve mudar e se ajustar a novos tempos e satisfazê-las? Infelizmente, as igrejas não socorreram a JUERP, como esperávamos. Presidente que era da Convenção do Amazonas, duas vezes enviei cartas às igrejas e falei ao Conselho. Não houve atendimento. Creio que não socorrerão nenhuma junta. Há uma exaustão de igrejas e pastores não ligados ao esquema estrutural com o que se chama denominação. Nossa reforma deve começar aqui: devemos ser mais bíblicos e menos programáticos e institucionais. A excessiva institucionalização do evangelho é responsável pela apatia de muitos com a denominação. E isto faz surgir os desvios doutrinários. E não adianta apertar em outros lados. Obreiros e igrejas querem funcionalidade e o progresso espiritual e não apenas institucional do reino. A Reforma desburocratizou a religião, na tentativa de acabar com a institucionalização da fé. Foi o que Jesus fez: ele desinstitucionalizou a religião. Hoje se vê a institucionalização da fé evangélica, descendente da Reforma. A Campanha Nacional de Evangelização de 65, na minha adolescência, mobilizou as igrejas. Institucionalizada, perdeu o vigor. Até para testemunhar já temos um dia no calendário.
Sou batista convicto. Um batista histórico (prefiro este termo a tradicional porque acho que diz mais, mas não rejeito ser tradicional) que ama sua denominação. Não a rejeito nem condeno. Minhas palavras não são desabridas, mas expressam o que vejo: desalento e desinteresse com a estrutura denominacional. Nosso povo quer espiritualidade e santidade de vida, mais que outra coisa. Necessitamos de uma teologia correta. Não apenas de doutrina correta sobre Espírito Santo e louvor, mas uma restauração de valores, conceitos e cosmovisão. Precisamos de ortodoxia, de ortopraxia, de ortolalia, de transparência de ações à luz da Bíblia.
Há heresias que nos ameaçam. Mas há outros perigos, entre eles o desinteresse de igrejas e pastores pela denominação. A causa disto parece-me ser a institucionalização como a que subjugou o cristianismo pré-Reforma, tornando-o mais uma empresa que agência espiritual. Por isso, necessitamos de uma nova Reforma. Que ponha o espiritual acima do material, do administrativo e do funcional. Que submeta tudo, e não apenas alguns aspectos doutrinários, ao crivo das Escrituras. O agir, o funcionar e o viver de nossa denominação, em todos os níveis, é bíblico ou foi secularizado? Buscamos mais Qualidade Total ou o poder do Espírito Santo? Prédios, coisas e regulamentos estão ocupando mais nossas mentes e nossa vida que a Palavra? Então, uma Reforma é necessária.
Autor: Isaltino Gomes Coelho Filho - é pastor batista, pastoreando a Igreja Batista do Cambuí – Campinas – SP, Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, Bacharel em Filosofia pela Faculdade 9 de Julho e tem formação em Psicanálise Clínica pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Cristã. É Pós-Graduado em Educação com especialização em Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Católica de Brasília e Mestre em Teologia com especialização em Antigo Testamento pelo Seminário Teológico Batista Equatorial.
Nota:1 - N.R. - Há que se advertir que a Igreja é sim co-herdeira com Israel, mas não sua sucessora, vide Romanos 11:25-27 ("25 Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. 26 E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades. 27 E esta será a minha aliança com eles, Quando eu tirar os seus pecados").
Fonte: [ Luz para o Caminho ]
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Teologia da prosperidade - análise completa
Por: João Rodrigo Weronka
A Bíblia Sagrada, conforme os cristãos afirmam, trata-se da única fonte de autoridade, regra de fé e moral; a Palavra de Deus deve ser a bússola que indica se o caminho que estamos seguindo de fato corresponde ao “norte” espiritual.
Em textos anteriores já falei sobre a triste condição da igreja brasileira, que dia-a-dia se deixa contaminar por valores nada cristãos, que nada tem da Palavra de Deus. A Bíblia é muito mal utilizada, e ao invés de trazer edificação e genuíno alimento espiritual, tem sido empregada por homens perversos que fazem dela um instrumento de escravidão, manipulação e tortura espiritual. Tal instrumento de tortura se forma pela distorção de textos isolados que estes falsos mestres fazem, coagindo o povo despreparado, com uma enxurrada de textos descontextualizados.
Modas sempre são bem-vindas neste meio tão sedento por atalhos. Emocionalismo barato vale mais que sã doutrina e os valores do capitalismo passam a fazer parte da igreja, fazendo desta um lucrativo negócio. Neste texto vamos tratar da Teologia da Prosperidade, uma corrente nefasta que tem semeado discórdia e inversão de valores na igreja.
História
Marca registrada de praticamente todas as igrejas neopentecostais, avançando com força contra as confissões pentecostais e fisgando muitos tradicionais, esta corrente enganosa produz toneladas de livros, manuais, Bíblias de Estudo (estudo?) DVDs, CDs, filmes e até grifes que movimentam muito dinheiro.
Tais materiais e seus divulgadores se tornaram parte do cotidiano de muitos crentes que estão com os lábios cheios de clichês como “eu profetizo”, “eu determino”, “eu reivindico”, “eu tomo posse”, “eu exijo meus direitos”, “eu resgato” ou o absurdo “eu ordeno minha benção”. Repare que o “eu” é o eixo desta teologia. O antropocentrismo que vemos hoje em dia é também conhecido como movimento da “Confissão Positiva”, “Palavra da Fé” ou “Evangelho da Saúde e da Prosperidade”.
Por se tratar de algo tão nocivo, não é de se estranhar que suas origens são influenciadas por misticismo, esoterismo e heresias. O que hoje é um movimento que tem se espalhado como fogo em palha, possui uma história, um ícone, divulgadores e seguidores.
O precursor: Essek Willian Kenyon
Poucos dos crentes que abraçam a Teologia da Prosperidade sabem que a ideologia desta remonta a um homem chamado Essek Willian Kenyon (1867-1948).
A conversão de Kenyon ocorreu em sua adolescência. Posteriormente ele se envolveu com movimentos metafísicos e recebeu forte influência de Mary Baker Eddy, fundadora da herética Ciência Cristã. [1]
Kenyon é o pai de uma expressão que se desdobrou com o tempo. É dele a frase “o que eu confesso, eu possuo”. É o embrião da Confissão Positiva.
Como sempre existe alguém disposto a levar adiante uma distorção feita por um falso mestre, coube a Kenneth Hagin divulgar o pensamento de Kenyon.
O proclamador: Kenneth Erwin Hagin
Muitos acreditam que as origens da Teologia da Prosperidade estavam em Hagin (1917-2003). Fato este devido ao nível de divulgação e influência que Hagin conseguiu, através do vasto material por ele publicado. Após passar por uma experiência miraculosa relacionada à cura de sérios problemas de saúde na infância e adolescência, Hagin passa a militar em favor da filosofia que hoje influencia a vida de muitos crentes.
Hagin acreditava que era necessário seguir passos para a vitória. Era necessário crer, declarar verbalmente a fé e então agir como se já tivesse recebido a benção. [2]
Sua vida foi um apanhado de inúmeras experiências pessoais que, ao serem registradas em livros, folhetos e áudio, viraram regra de fé e prática para milhares de incautos seguidores. Como é de se supor, suas vastas experiências carecem de suporte bíblico, como por exemplo, viagens até o inferno para “provar” da realidade daquele lugar.
O legado de Hagin e os desdobramentos no Brasil
Muitos são os pregadores da fé que deram continuidade naquilo que Kenyon criou e que Hagin difundiu, e destes, a grande maioria é muito conhecida no Brasil, onde seus ensinos são divulgados por livros, programas de TV, DVDs e congressos.
Nomes internacionais como Kenneth Copeland, Benny Hinn, Frederick Price, Paul (David) Yonggi Cho, Mike Murdock e Morris Cerulo fazem parte do cotidiano de muitos líderes da igreja brasileira, que por força da sua influência, tem levado o membro comum a achar que este tipo de literatura é boa, quando na verdade são materiais e ensinos cheios de sofismas e engano.
No Brasil, também existe uma relação de nomes que são responsáveis pela divulgação deste veneno espiritual: Edir Macedo, René Terranova, R.R. Soares, Valnice Milhomens, Cristiano Netto e tantos outros que no seu anonimato continuam a propagar este falso evangelho de riquezas.
Como o povo brasileiro em geral, e o crente em específico, são amantes de novidades, modinhas e métodos que servem como atalho, a Teologia da Prosperidade veio importada dos EUA encontrando solo fértil por aqui, infelizmente.
Males da Teologia da Prosperidade: minha vivência
Minha conversão se deu numa denominação que apregoa demasiadamente a Teologia da Prosperidade e seus métodos falaciosos. Agradeço ao Senhor pois - ainda no erro - pude conhecê-Lo, e na medida que a verdade me confrontava, o engano era retirado de minha vida, ao ponto de romper definitivamente com coisas que não encontram conformidade com o genuíno Evangelho de Cristo. A maravilhosa graça do Pai me alcançou, e hoje reconheço inteiramente que o mérito em tudo é de Cristo, e que não posso fazer do Reino de Deus um negócio. A Teologia da Prosperidade que outrora movia minha vida, hoje faz parte de um passado distante.
Não tenho por costume cuspir no prato onde comi – isso é deselegante e antiético. Mas minha conversão não teve por conseqüência o suicídio da razão, sendo assim, tenho plena liberdade de discordar das coisas que são apregoadas sem o respaldo bíblico. A discordância não representa um meio de menosprezar e ridicularizar a crença alheia, mas nos motiva a desmascarar o erro por amor e benefício do próximo. Nos primeiros passos como cristão, vi e vivi muito dos ensinos da Teologia da Prosperidade, e sei, na prática, do potencial maléfico que ela tem.
Participei de dezenas das famosas “campanhas” de fé e finanças, onde a mola mestra era a barganha com Deus. Tudo girava em torno dos “sacrifícios” financeiros onde até mesmo valores mínimos de oferta eram exigidos. Pregadores negavam a suficiência da cruz e o Sacrifício Supremo de Jesus e estabeleciam parâmetros esdrúxulos, ao ponto de dizer: “EU não aceito menos de R$ 30,00 neste envelope (por exemplo)”. Quanto maior o sacrifício, maior a profecia, a benção, a visão, a unção - como se Deus fosse um menino que Se vende por agrados.
Os “valentes” recebiam doses especiais de poder e seu ego era alimentado por fazer parte da classe dos que faziam sacrifícios acima da média. Expressões como “se garantir a festa na casa de Deus, Deus garante a festa na minha casa”, ou “o valor que você der de oferta vai determinar o valor que Deus dará ao seu próximo ano”, além de anti-bíblicas, manipulam, enchem de medo e apartam o cristão redimido no sangue de Cristo das genuínas benesses do Calvário.
Para variar, o Novo Testamento era praticamente esquecido em tais campanhas, e textos mal-emendados da Antiga Aliança – e promessas exclusivas do povo judeu naquele contexto – eram “liberadas” sobre a igreja – desnutrida e mal alimentada da Palavra. Desta forma, o palco para apostasia fica completo.
Num contexto como esse, não é de se admirar que muitos se apartaram, partindo para pastos onde alimento genuíno é servido. Infelizmente, muitos dos que receberam uma avalanche de promessas nunca cumpridas – e irresponsavelmente “liberadas” – fazem parte do contingente de decepcionados com Deus e com a igreja. Um contingente que cresce de modo alarmante. Assim como disse Karl Kepler, isso faz parte de uma neurose:
“Com o fenômeno das igrejas neopentecostais, uma nova safra de crentes evangélicos inundou o Brasil e, à medida que os anos passam e as promessas de prosperidade não se cumprem, uma nova safra de ex-crentes decepcionados deve estar voltando para as ruas”. [3]
E ainda pude constatar uma coisa neste tempo: a Teologia da Prosperidade funciona muito bem, mas apenas para aqueles que a pregam. Nas palavras de Hank Hanegraaff:
“Basta caminhar pelo estacionamento dessas conferências ou mesmo dum culto dominical, ligado ao movimento da Fé, para responder à pergunta: ‘Esse tipo de ensino realmente funciona?’ Fi-lo recentemente no quartel-general e igreja dum dos principais mestres da Fé e obtive minha resposta. Havia Cadillacs, Mercedes e uns poucos reluzentes Lexus ali estacionados – todos eles porém, nos lugares reservados aos pastores e seu pessoal. No mais, entretanto, o parque de estacionamento parecia com qualquer outro, numa grande variedade de cupês, pick-ups e furgões. Ouça cuidadosamente: Era como qualquer outro parque de estacionamento da cidade. Ora, como é que pode ser isso?” [4]
Muito simples: a Teologia da Prosperidade é falaciosa. Doutra forma, todos que a seguem deveriam ser CEO de multinacionais, possuir jatinho próprio, carros importados e mansão em Miami, afinal, devem ser cabeça e não cauda! Mas a realidade é diferente do mundo encantado apregoado pelos mestres da riqueza. Enquanto eles se deleitam na gordura do sacrifício alheio, estão cegos para as verdades espirituais, tal como o sacerdote Eli (1Sm 1 e 2).
Comerciantes da Fé
Tenho uma graduação em Ciências Econômicas, e através desta ciência aprendi sobre a Lei de Mercado ou Lei de Oferta e Demanda, que pode ser assim definida: “conjunto de conceitos que designam a disponibilidade de bens e serviços à venda no mercado, por um lado, e sua demanda solvável, por outro”. [5]. Em resumo, para que o mercado da fé exista, é necessário que existam os que ofertam o serviço e os que demandam o serviço, ou seja, os “profetas” da prosperidade são os agentes de oferta, e os crentes imaturos são os agentes de demanda. Cada qual com sua responsabilidade neste emaranhado de erros.
O modelo a seguir representa o que temos visto nos dias de hoje em muitos templos e denominações “evangélicas”:
Fico pasmo em saber que isso é tão somente a ponta do iceberg. Ao ver declarações como as que seguem abaixo, fico a me perguntar até que ponto os pregadores de riquezas chagarão um dia:
“Deus está falando que a benção será triplicada, O seu salário vai se multiplicar por três. Quando você receber seu salário ainda terá do antigo para gastar. É tempo de fartura. É tempo de Deus. Todos os moradores da terra receberão a notícia de que é tempo de restituição.”[6]
“Faça esta oração: Senhor meu Deus, ao ler este livro, aprendi que, se desejo receber muito dinheiro, devo plantar o equivalente em Tua obra no mundo.” [7]
“Mais uma vez, como profeta de prosperidade para estes negros dias de crise, eu afirmo: DEUS ESTÁ INTERESSADO NO BOM ANDAMENTO DE SUAS FINANÇAS. Acredite nisso. Ele é um Pai amoroso. Pare um pouco, respire fundo e repita em voz audível e com convicção, por três vezes: DEUS ESTÁ INTERESSADO EM MEU SUCESSO FINANCEIRO. Agora repita em voz alta, como um brado de vitória: DEUS VAI MUDAR MINHA VIDA FINANCEIRA PARA MELHOR (ênfase do autor)” [8]
“Muitas pessoas acreditam que Jesus Cristo foi muito ‘pobrezinho’ mas a verdade é que Jesus foi a pessoa mais próspera que já pisou sobre a face da Terra. (...) Ele andava montado num burro, que era o ‘cadilac’ da época.” [9]
“Você estará colhendo de acordo com a espécie que você mesmo determinar. Lembre-se: Se você plantar carro, vai nascer carro! Se você plantar emprego, nascerá emprego! Se você plantar uma casa própria, nascerá uma casa própria! Você acredita na Palavra de Deus?”[10]
“Agora, você já sabe que é você quem determina, fixa os limites e diz o que você terá ou não. Por isso, pare de orar chorando, de se lamentar, suplicando que Deus, com Sua bondade, lembre-se de você. Esse tipo de oração pode parecer espiritual. Alguém pode achar lindo orar assim, mas isso não ter valor algum.” [11]
Reparou como as declarações destes homens se aproximam muito daquilo que Essek W. Kenyon entendia (o que eu confesso, eu possuo)? E o que mais espanta são as declarações a seguir:
“Estejam ou não a par disso, são seus pensamentos predominantes de riqueza que lhe trazem riqueza” [12]
“Como em todas as leis da natureza, nessa também a perfeição é absoluta. Você cria sua vida. Você colherá tudo o que semear! Seus pensamentos são sementes, e sua colheita dependerá do que plantar.”[13]
“Esta é a sua vida, e está esperando que você a descubra! Até agora você talvez tenha pensado que a vida é dura, uma luta, e, portanto, pela lei da atração, deve ter sentido a vida como dura e uma luta. Comece imediatamente a gritar para o Universo: “A vida é tão fácil! A vida é tão boa! Todas as coisas boas vêm até mim”. [14]
“O que de fato você quer? Sente-se e escreva numa folha de papel, usando o presente do indicativo. Você poderia começar assim: ‘Eu estou tão feliz e grato neste momento que...’ E então explique como você quer que sua vida seja, em qualquer área.” [15]
“Mas, se você quer uma máquina de costura, guarde a imagem dela com a certeza absoluta de que ela está sendo feita ou de que está a caminho. Depois de formar o pensamento uma vez, acredite absoluta e definitivamente que a máquina de costura está a caminho. Nunca pense ou fale nela a não ser com a certeza de que vai chegar. Afirme que ela já é sua”. [16]
“Nunca olhe para as provisões invisíveis; olhe sempre para as riquezas ilimitadas na Substância Informe e SAIBA que elas estão vindo em sua direção tão depressa quanto você pode recebê-las e usá-las”. [17]
Se você ainda não conferiu as notas no final deste estudo, eu pergunto: de qual pregador de prosperidade são as declarações acima? Infelizmente, são declarações de obras de cunho esotérico, mas que se forem “cristianizadas” por um dos mestres da riqueza (e muitas já o são), facilmente se tornarão Best Sellers nas fileiras do gospel Brasil. Realmente é chocante a semelhança entre o pensamento positivo dos esotéricos e do positivismo e determinismo apregoado pela Teologia da Prosperidade. E esta semelhança se dá, pois ambos têm o mesmo foco: o eu do homem. O homem é o centro. O ego é deus.
Enquanto a Bíblia nos adverte a focar os esforços nas coisas eternas e atemporais (sem tratar com relaxo das coisas temporais, evidentemente), os profetas da riqueza direcionam o rebanho a focar os esforços naquilo que é passageiro e que a ferrugem e a traça devoram.
A recente crise econômica mundial (2008-2009) afetou diversos setores da economia. Vimos conglomerados financeiros sendo derrubados como castelos de cartas, impérios de poder ruindo como castelos de areia a beira-mar, massas de pessoas sendo demitidas. Será que no meio destas milhares – ou milhões – de pessoas não tínhamos sequer um cristão? Será que nenhum crente em Jesus perdeu seu emprego? Endividou-se? Entrou no vermelho? Creio piamente que Deus cuida dos Seus. Creio que no meio de tantas lutas Ele provém sustento, mas chega ao ponto do ridículo imaginar que crises não atingem crentes. Mas ainda assim os profetas da riqueza, tomados pela ganância, lançaram correntes e campanhas para amarrar a crise e prosperar os crentes.
Este episódio me lembra de dois personagens bíblicos. Jeremias e Hananinas. Veja este exemplo:
“O problema não é de hoje. É multissecular. O profeta Jeremias fazia o que podia para convencer os reis e o povo de Israel da famosa tríade que estava para chegar a qualquer momento: a guerra, a fome e a peste (Jr 14.12; 21.7; 24.10; 27.8; 29.17; 32.24; 34.17; 38.2; 42.17; 44.13). Enquanto isso, o profeta Hananias, no mesmo lugar e para o mesmo público, profetizava “prosperidade” (Jr 28.9, NVI e BP), ou “paz” (NTLH, ARA e BV), ou “felicidade” (Tradução da CNBB). Um e outro usavam a mesma introdução: ‘Assim diz o Senhor’”. [17]
E como já falamos muito sobre história, é hora de, partindo por estes dois exemplos, refutar, de modo bíblico e definitivo, a falaciosa Teologia da Prosperidade.
A Verdade Bíblica
Quando observamos as verdades Bíblicas nos confrontamos de modo profundo com aquilo que é ensinado pela Teologia da Prosperidade. A bem da verdade, muitos de nós já ouviram por aí absurdos sem fim para defender que o crente deve ter riquezas e uma saúde de ferro, e claro, aqueles que assim ensinam tentam respaldar-se na Bíblia. De fato, se tomarmos meia dúzia de textos isolados (principalmente promessas de bênçãos materiais feitas aos judeus), poderemos com base na Bíblia criar extravagâncias e aberrações diversas. Muitas são as seitas que aplicam este método falacioso. São muitos os problemas que a ignorância bíblica pode produzir no rebanho e essa sonolência espiritual tem permitido a entrada de falsos mestres e falsos ensinos no meio da igreja. Concordo plenamente com John MacArthur quando afirma que:
“Talvez a igreja hoje seja bem mais suscetível aos falsos mestres, aos pervertedores de doutrinas e ao terrorismo espiritual do que em qualquer outra geração na história da igreja. A ignorância bíblica dentro da igreja talvez seja muito mais profunda e mais generalizada do que em qualquer outra época desde a Reforma Protestante. Se você duvida disso, escolha aleatoriamente um dos sermões de qualquer dos principais pregadores evangélicos anteriores a 1850 e o compare com o sermão típico de hoje. Além disso, compare a literatura cristã de hoje com qualquer obra publicada há cem anos ou mais, pelas editoras evangélicas. (...) Os temas característicos dos sermões estão carregados de questões centralizadas no homem (tais como relacionamentos pessoais, vida bem-sucedida, auto-estima, listas de ‘como fazer’ e assim por diante) – a ponto de excluir muitos pontos da doutrina bíblica que exaltam doutrinários nas Escrituras que enaltecem a Cristo.” [18]
Pois bem, se você chegou até aqui, percebeu que os problemas mencionados nos seguintes textos bíblicos são reais em nossos dias:
“Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” 1Tm 6.9-10
“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” 2Pe 2.1-3
Entendendo que o amor ao dinheiro e poder está no coração dos pregadores da Teologia da Prosperidade e que eles estão no nosso meio, pois o joio cresce com o trigo (Mt 13.30), passamos a examinar as palavras do Senhor Jesus sobre as questões materiais.
Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. (Mt 6.19-20)
Creio que as palavras de Russel N. Champlin caem como uma luva neste contexto, quando diz que “o deus Mamom atrai mais que o Cristo da Galiléia”[19]. Forte e duro, mas real. Será que o modelo de vida seguido por Jesus está ultrapassado para a igreja pós-moderna (ou hiper-moderna?)?
Se os membros destas igrejas se dessem ao trabalho de examinar as Escrituras, descobririam que nossa riqueza está em boas obras (1Tm 6.18), na fé (Tg 2.5) e que somos herdeiros das insondáveis riquezas que estão em Cristo (Ef 3.8). Os divulgadores da Teologia da Prosperidade estão cegos em suas ambições materialistas e não percebem que Jesus deixou muito claro que as riquezas não são o alvo da igreja. Jesus não morreu para que nós O fizéssemos um banqueiro. É triste constatar isso, mas muitas das igrejas evangélicas, e muitos dos que carregam o rótulo de “evangélico” não estão mais adorando ao Deus Vivo, mas estão prestando culto à Mamom. Muitas igrejas nos dias de hoje são altares dedicados à Mamom.
E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui. (Lc 12.15)
Certa feita, ouvi de um destes profetas da riqueza que acabara de comprar um bem de alto valor, que tal fato tinha ocorrido por ser um presente de Deus para ele. Ressalva: creio que Deus concede dádivas aos Seus filhos, porém dentro da Sua soberania e vontade, e nunca na nossa vontade. No entanto, em tom de superioridade, estes pregadores cortam o coração das ovelhas ao dizer que são merecedores de tais dádivas mais que os meros mortais do rebanho, ou seja, Deus tem nestes homens Seus filhinhos preferidos, a ponto de conceder presentinhos a uns, mantendo outros em angustia.
Outro destes profetas comprou, com recursos eclesiásticos, um automóvel importado de quase R$ 100.000,00 para que, através do uso “pastoral” pudesse ostentar quão abençoado ele é. O problema surgiu quando as fontes da igreja começaram a minguar, sendo rapidamente achada a solução: levantar, durante os cultos, apelos de gordas ofertas para quitação das parcelas do veículo de uso “pastoral”. Mais uma vez, ovelhas manipuladas como fantoches financiando a carruagem de ministros de impérios e reinos próprios. Um ultrage à cruz de Cristo e ao puro Evangelho da Graça.
Como o texto bíblico acima mencionado diz, é preciso tomar muito cuidado com a avareza e com o amor pela ostentação. A vida cristã é muito mais que isso. É infinitamente mais que isso.
O anseio por uma vida de luxo e riquezas traz de “brinde” a atrofia espiritual e desvirtua o cristão do seu caminho.
Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. (Jo 16.33)
Talvez você foi mal orientado e “programado” que deve orar demasiadamente por algo. Talvez tenha sido ensinado a sempre “profetizar”, “determinar”, “tomar posse”, “exigir seus direitos” e as coisas nem sempre aconteceram como você queria. Ao invés da tão esperada benção, houve um silêncio incomensurável. Mas não se desespere! O modelo dos pregadores da Teologia da Prosperidade não segue o modelo bíblico e não condiz com o que Jesus ensinou.
As tribulações existem. Elas virão sobre muitos cristãos. Ainda assim não devemos desanimar, pois estamos ligados nEle independente de circunstancias externas (2Co 4.8-9). Se Deus deu o privilégio de todos desfrutarem do Sol e da chuva (Mt 5.45), por que pensar que sendo cristãos não teríamos problemas, lutas e tribulações? Se Cristo passou pelo que passou, seus discípulos não passariam? Tente imaginar esta mensagem de saúde de ferro e prosperidade financeira sendo pregada no contexto da Igreja Primitiva ou – em nossos dias – em países como Afeganistão, Sudão e Coréia do Norte, onde o simples viver é a maior de todas as bênçãos?! As prioridades foram invertidas, as raízes do cristianismo bíblico precisam ser expostas.
Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. (Mt 6.33)
Este versículo é o supra-sumo, conclusão, síntese daquilo que Jesus deixou como a verdadeira prioridade de vida para o cristão. O propósito sublime está no Reino de Deus. É impossível que um pregador da Teologia da Prosperidade não se incomode com a verdade explícita registrada neste versículo.
Se tais homens realmente tivessem o Reino de Deus e Sua justiça impregnados no coração, de modo algum estariam propagando as mensagens que assombram a igreja, seja nos templos, na TV, no rádio, internet ou livros. É hora de dar um basta nisso! Se você ainda é um seguidor de tal teologia, faço um apelo que leia imediatamente o capítulo seis do Evangelho de Mateus e veja que Jesus faz ali um verdadeiro manifesto contra o materialismo; peça que o Espírito Santo lhe dirija na busca e descoberta da verdade do Reino de Deus. O Consolador te levará ao Senhor Jesus, e nunca a Mamom. Em seu comentário bíblico, disse William MacDonald sobre este versículo específico:
“O Senhor, portanto, faz um pacto com seus seguidores. Em resumo, ele diz: ‘Se você colocar os interesses de Deus em primeiro lugar na sua vida, eu garantirei suas necessidades futuras. Se você buscar,pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, então eu cuidarei para que nunca lhe falte as necessidades da vida’” (destaque do autor) [20]
Dada a exposição das Escrituras, não vamos nos ater tão somente a mostrar o problema e expor a ferida. Propomos uma solução à questão.
Solucionando o Problema
Alguns se conformam com a existência desta falsa teologia e de seus mestres simplesmente por considerar que isso é parte da apostasia do tempo do fim. Ignorar este problema é um grave erro.
Outros acham que o crente não pode, em hipótese alguma almejar um equilíbrio em sua vida. Estes são os adeptos da “Teologia da Miséria”, pois bradam em alta voz que “crente bom, é crente miserável”. Não! Este também não é o caminho. Acredito que o equilíbrio é o ideal. Nem oito nem oitenta.
Acredito também que ficarmos tão somente apontando problemas sem indicar soluções é perda de tempo. Por isso, proponho o seguinte:
1. Equilíbrio, moderação e bom senso: Todos nós ansiamos por coisas boas, isso é um fato. A grande maioria trabalha duro, estuda, se especializa com o objetivo de desenvolver carreira profissional e um bom salário, e nisso não há pecado algum. É evidente que quando projetamos tal aspecto em nossas vidas ansiamos em dar melhores condições de para nossos familiares e devemos almejar alcançar os aflitos com estes recursos. Se não fosse assim, tornar-nos-íamos ascetas nômades que tocariam a vida no modelo socioeconômico do escambo.
O que moldará a diferença em nossas vidas é o principal objetivo, é aquilo que está no centro de nosso coração. Nosso alvo deve ser acima de tudo e de todos, o Senhor Deus. O texto a seguir resume o que quero dizer: “não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume; para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e tome o nome de Deus em vão”. (Pv 30.8-9).
Ou ainda, nas palavras de Craig L. Blomberg: “O principio de moderação explica as preocupações de Jesus e Paulo por uma vida simples, particularmente quando envolvidos no ministério, para não dar brecha desnecessária à má reputação do Evangelho”. [21]
2. Ensino Bíblico em todas as áreas da igreja local: O ensino sadio é algo de fundamental importância para que nossas igrejas sejam realmente sadias. Discutimos isso em maior amplitude no texto “Tripé Básico do Cristianismo – Parte 2: Ensinar”, mas quero ressaltar aqui que o ensino não está condicionado a uma estrutura de classe em Escola Bíblica.
O púlpito deve ser um local de exclusiva exposição clara da verdade da Palavra de Deus. Os informativos e jornais locais devem ser mais que um calendário de eventos e datas de aniversário, podendo ser um instrumento de edificação e evangelismo quando trouxer breves reflexões e devocionais bíblicos. O louvor deve glorificar o Senhor e ser carregado da mensagem cristã.
Desta forma, proponho banir de uma vez por todas o triunfalismo barato que invadiu os púlpitos, retornando a exposição clara das verdades contidas na Palavra de Deus, sem manipulação ou adulteração, para todo o que a ouve possa chegar ao conhecimento da verdade (2Co 4.2).
3. Mergulhar na graça e soberania divina: A graça é um favor de Deus para nós. A graça do Senhor soberano sobre tudo e todos nos foi concedida. Imagine só! O Deus todo-poderoso se importou conosco no mais sublime de Sua soberania (Mc 14.36; Mt 26.42; 1Jo 5.14).
Durante muito tempo minha vida foi aterrorizada pelo fantasma do merecimento, do legalismo e da autojustificação. Pensava que precisava fazer obras para me justificar diante de Deus e então passar a receber boas coisas da parte dEle. Pensava que os famosos sacrifícios, propósitos, votos, dos mais variados meios e formas, dos mais distintos valores, eram uma espécie de meio de troca dos favores de Deus para com o homem.
Até que um dia a venda da religiosidade caiu, e pude contemplar a graça de Deus em minha vida. Compreendi que acima de quem sou ou faço o Senhor Excelso cuida de mim, zela por mim, provê em minha vida e me sustém em Sua mão. Confio nEle. Que Ele faça o que quer em mim e por mim. Sigo o exemplo de Cristo: faça Sua vontade Deus, e não a minha. A benção da graça precisa ser capturada pelo coração dos crentes.
Enfim, o materialismo da Teologia da Prosperidade é uma grande prova de apostasia. Entendemos sim que somos mordomos daquilo que Ele nos concedeu cuidado e que se Ele quiser proverá coisas boas em nossas vidas, porém nunca nos deixaremos dominar pelo materialismo.
Deus não é fantoche de ninguém e não pode ser manipulado por Suas criaturas.
Seja você um cristão genuinamente bíblico e deixe de procurar por mensagens agradáveis que você e seu ego desejam, mas busque aquilo que o Senhor quer para você, lembrando sempre:
“Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.” 2Co 4.18
Toda honra e glória ao Senhor!
Notas:
[1] Fundada por Mary Baker Eddy, a Ciência Cristã ensina – baseada no conceito dualista grego – que toda matéria é má, que o mundo material é uma ilusão e que a mente é a única realidade. Deus é um conceito estranho, relacionada a mente; Jesus foi uma figura histórica apenas; o pecado não existe e o inferno não passa de um mau estado mental.
[2] MATOS, Alderi de Souza. Raízes Históricas da Teologia da Prosperidade. Site Revista Ultimato
[3] KEPLER, Karl. Neuroses Eclesiásticas. Arte Editorial. São Paulo, SP: 2009. p.18
[4] HANEGRAAFF, Hank. Cristianismo em Crise. CPAD. Rio de Janeiro, RJ: 1996. p.235-236
[5] SANDRONI, Paulo. Novíssimo Dicionário de Economia. Editora Best Seller. São Paulo, SP: 2001. p.336
[6] ENGEL, Joel. A Festa do Jubileu, 3ªed. Ministério Engel. Sobradinho, RS: 2004. p.77
[7] NETTO, Cristiano. Como Prosperar em Tempos de Crise, 6ªed. Edição do Autor. Curitiba, PR: 2003. p.64
[8] NETTO, Cristiano. Como Prosperar em Tempos de Crise. p.20.
[9] NETTO, Cristiano. O Melhor Vencedor do Mundo, 5ª ed. Ed. e Distr. Provisão e Vida. Curitiba, PR: 2003. p.90
[10] SOUZA, Raul de. A Lei da Semeadura. Épta Produções. Curitiba, PR: 2005. p.46
[11] SOARES, R.R. Como Tomar Posse da Benção. Graça Editorial. Rio de Janeiro, RJ: 2004. p.47-48
[12] BYRNE, Rhonda. O Segredo. Ediouro. Rio de Janeiro, RJ: 2007. p.6
[13] BYRNE, Rhonda. O Segredo. p.17
[14] BYRNE, Rhonda. O Segredo. p.41
[15] BYRNE, Rhonda. O Segredo. p.47
[16] WATTLES, Wallace Delois, A Ciência de Ficar Rico, 6ªed. Editora Best Seller. Rio de Janeiro, RJ: 2008. p.41
[16] WATTLES, Wallace Delois, A Ciência de Ficar Rico. p.38
[17] Texto “Hananias, o mago da prosperidade”. Site Revista Ultimato
[18] MACARTHUR, John F. A Guerra pela Verdade. Editora Fiel. São José dos Campos, SP: 2008. p.200-201
[19] CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, vol. 1. Editora Hagnos São Paulo, SP: 2002. p.326
[20] MACDONALD, William. Comentário Bíblico Popular – Novo Testamento. Ed. Mundo Crsitão. São Paulo, SP: 2008. p.31
[21] BLOMBERG, Craig L. Nem riqueza, nem pobreza. Editora Esperança. Curitiba, PR: 2009. p.245-246
Autor: João Rodrigo Weronka
Fonte: [ NAPEC ]
http://bereianos.blogspot.com/2009/11/teologia-da-prosperidade-analise.html
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