Mostrando postagens com marcador Discipulado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Discipulado. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O Cálice que Jesus não Bebeu – C. H. Spurgeon




Deram-lhe a beber vinho com mirra; ele, porém, não tomou. – (Mc 15.23)


Uma verdade preciosa se revela no fato de que nosso Senhor recusou-se a beber vinho com mirra. Antecipadamente, o Filho de Deus havia voltado seu olhar para nosso mundo e avaliado a imensa descida às profundezas da miséria dos homens.

Ele somou as agonias que a expiação exigiria e não recusou nenhuma delas. Solenemente, o Filho de Deus determinou oferecer ao Pai um sacrifício expiatório suficiente. Ele tinha de seguir todo aquele caminho, desde o trono de glória até à cruz da mais profunda aflição. Esse cálice de mirra, com sua influência anestésica, teria aliviado um pouco do sofrimento de nosso Senhor; mas Ele o recusou.

O Senhor Jesus não amenizaria todo o sofrimento que deter-minara suportar em favor de seu povo. Muitos de nós temos lamentado depois de livramentos de aflições que nos teriam causados muitos danos! Você sempre ora com ansiedade petulante e obstinada, suplicando alívio de um trabalho árduo e de sofrimento? Suponha que lhe tenha sido dito: "Se você deseja, pode conservar consigo aquilo que você ama, mas Deus será desonrado por meio disso". Você poderia abandonar essa tentação e dizer: "Seja feita a tua vontade"? E agradável ser capaz de afirmar: "Meu Senhor, eu preferiria não sofrer; todavia, se posso te honrar mais por meio do sofrimento e se a perda de todas as minhas coisas terrenas trará glória para Ti, então, que o sofrer seja a minha porção.

Recuso a consolação, se esta se coloca à frente de tua honra". Oh! Que abandonemos disposta e espontaneamente o pensamento de egoísmo e de consolação quando ele interfere na concretização da obra que Deus nos deu para realizarmos!

/ On : 14:14/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Uma Estranha Descoberta - John Piper

                                               "Eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer"


Talvez tenha sido simples obediência ao mandamento de Cristo expresso em Atos 9.15, 16. Quando Jesus enviou Ananias para abrir os olhos de Paulo depois de ele ter ficado cego na estrada para Damasco, disse: "Vai, porque este [Paulo] é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome. Em outras palavras, o sofrimento era simplesmente parte do chamado apostólico de Paulo. Para ser fiel ao seu chamado, ele tinha de receber tudo o que Cristo lhe dava: muito sofrimento.

"Dava" é a palavra certa. Porque, ao escrever aos filipenses, Paulo, incrivelmente, chama o sofrimento de dádiva, do mesmo modo que a fé: "Foi-vos concedida a graça (echaristhe - dar gratuitamente) de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele" (Fp 1.29). Mas isso significaria que a "dádiva" dada a ele como parte do seu apostolado não é vista por Paulo como limitada aos apóstolos. Ela é "concedida" aos crentes de Filipos, a toda a igreja.

Outras pessoas têm feito a mesma descoberta estranha, de que o sofrimento é uma dádiva a ser recebida. Alexander Solzhenitsyn falou do seu tempo na prisão, com todo o seu sofrimento, como uma dádiva. "Foi apenas quando eu estava deitado sobre a palha podre da cela que eu senti dentro de mim o bem se movendo pela primeira vez. Gradualmente, foi-me revelado que a linha que separa o bem do mal não passa entre países, nem entre classes, nem mesmo entre partidos políticos, mas bem pelo meio de todo coração humano — e pelo meio de todos os corações humanos. [...] Bendita seja, prisão, por ter feito parte da minha vida." Solzhenitsyn concorda com o apóstolo Paulo em que o sofrimento é — ou pode ser— uma dádiva não apenas para os apóstolos, mas para cada cristão.

Para mostrar que ele era simplesmente um cristão Isso levanta a seguinte pergunta: será que Paulo acatou seu sofrimento porque isso confirmaria que ele era simplesmente um discípulo fiel de Jesus? Jesus dissera: "Se alguém quer vir após mim, a Si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa, esse a salvará" (Lc 9.23, 24). Portanto, não existe cristianismo verdadeiro sem cruz para carregar e sem morrer diariamente — o que se mostra bem parecido com a exclamação de Paulo: "Dia após dia, morro!" (ICo 15.31). Mais que isso, Jesus tinha dito aos seus discípulos: "Não é o servo maior que o seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros" (Jo 15.20). Por essa razão, alguma coisa estaria errada se Paulo não partilhasse os sofrimentos de Jesus. Jesus dera aos seus discípulos uma imagem sinistra do ministério deles: "Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos" (Lc 10.3). E lhes prometera: "Sereis entregues até por vossos pais, irmãos, parentes e amigos; e matarão alguns dentre vós" (Lc 21.16); "sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome" (Mt 24.9).

É evidente que Paulo não pensava que essas promessas de sofrimento restringiam-se aos primeiros doze apóstolos, porque passou-as às suas igrejas. Por exemplo, ele encorajou todos os seus convertidos, dizendo-lhes: "Através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus" (At 14.22). E animou os atribulados crentes de Tessalônica, dizendo-lhes: "Ninguém se inquiete com estas tribulações. Porque vós mesmos sabeis que estamos designados para isto" (lTs 3.3). E, ao escrever para Timóteo, formulou um princípio geral: "Todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos" (2Tm 3.12). Quando falava dos seus sofrimentos, não dizia que eram exclusivos, mas incentivava as igrejas: "Sede meus imitadores" (ICo 4.16). Portanto, seria compreensível se Paulo aceitasse uma vida de sofrimento porque simplesmente confirmaria que ele era cristão. "Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros."
 
Fonte: http://www.ocristaohedonista.com/2010/07/uma-estranha-descoberta-john-piper.html

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A verdadeira oração – Dietrich Bonhoeffer – (1906 – 1945)


- Jesus ensina os discípulos a orar. Sem dúvida, a oração é uma necessidade natural do coração humano, mas isso ainda não lhe empresta validade perante Deus. Mesmo quando praticada com disciplina e experiência, pode ser estéril e sem promessa. Os discípulos podem orar porque Jesus o diz a eles, ele que conhece o Pai. Dá-lhes a promissão de serem ouvidos por Deus. Assim os discípulos oram unicamente porque estão em comunhão com Jesus, em seu discipulado. Quem, no discipulado, está em comunhão com Jesus tem por ele acesso ao Pai. Assim, toda oração verdadeira é oração mediada. Nem mesmo na oração há acesso imediato ao Pai. Somente por meio de Jesus Cristo podemos, na oração, encontrar o Pai. O pressuposto para orar é a fé, a comunhão com Cristo. Ele é o único mediador de nossa oração. Oramos com base em sua palavra. Assim nossa oração será sempre oração vinculada à sua palavra.

“E, quando orarem, vocês não serão como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos seres humanos. Em verdade lhes digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, e, fechada a porta, orarás a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E, orando, não usem de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não se assemelhem, pois, a eles; porque Deus, o seu Pai, sabe o de que vocês têm necessidade, antes que lho peçam”. (Mt 6.5-8).

Oramos a Deus no qual cremos por Cristo. Por isso, a oração ja-mais será uma conjuração de Deus; não nos precisamos mais apresentar diante dele. Podemos confiar que ele sabe do que necessitamos antes que o pecamos. É isso que dá à oração confiança e alegre certeza. Não a fórmula, nem o número de palavras, e sim a fé tange o coração paterno de Deus, que há muito nos conhece.

A oração verdadeira não é uma obra, um exercício, uma atitude piedosa, mas simplesmente o pedido do filho ao coração do Pai. Por isso, uma oração jamais é demonstrativa nem perante Deus, nem perante nós mesmos, nem perante terceiros. Se Deus já não soubesse do que necessito, eu teria de ficar refletindo sobre como dizê-lo a Deus, o que dizer e até mesmo se vou dizê-lo a ele. Mas a fé na qual oro exclui qualquer reflexão, exclui qualquer demonstração.

A oração é o secreto absoluto. É totalmente oposta à publicidade. Quem ora já não conhece a si mesmo, mas somente a Deus a quem invoca. Como a oração não influi sobre o mundo, mas é dirigida unicamente a Deus, ela é a ação antidemonstrativa por excelência.

Entretanto, existe também a oração transformada na demonstração que revela o que está em secreto. Isto acontece não somente na oração pública que se transforma em palavreado. Tal fato será raro em nossos dias. Mas não há diferença, ao contrário, é bem mais pernicioso se me transformo eu mesmo em espectador de minha oração, quando oro diante de mim mesmo, seja desfrutando este estado como espectador satisfeito, seja surpreendendo a mim mesmo espantado ou envergonha¬do neste estado. A publicidade de rua não passa de uma forma mais ingênua da publicidade que eu mesmo me preparo. Também no recolhimento do quarto posso encenar-me uma vistosa demonstração. Até esse ponto é possível distorcer a palavra de Jesus! A publicidade que procuro consiste então no seguinte: eu sou o que ora e o espectador ao mesmo tempo. Sou meu próprio espectador, eu me ouço a mim mesmo. Por não querer esperar até que Deus me ouça, por não querer que, algum dia, Deus me revele que me ouviu, cuido eu mesmo do atendimento de minha oração. Constato que orei piedosamente, e nesta constatação consiste a satisfação do atendimento. Minha oração foi atendida. Já tenho a recompensa. Porque atendi a mim mesmo, Deus já não me atenderá; porque eu mesmo preparei a recompensa da publicidade, Deus já não me recompensará.

O que é o quarto a que Jesus se refere, se não estou seguro nem diante de mim mesmo? Como fechá-lo de tal forma que nenhum espectador venha perturbar o segredo da oração, levando-me a recompensa da oração em secreto? Como proteger-me contra mim mesmo, contra a tentação da reflexão? Como matar a reflexão pela reflexão? Está aí a palavra: a vontade própria de impor-se através da oração precisa morrer. Quando a vontade de Jesus reina exclusivamente em mim, e toda a minha vontade se resume na dele, na comunhão com Jesus, no discipulado, então morre a vontade própria. Posso então orar que se faça a vontade daquele que sabe do que necessito antes que eu o peça. Minha oração só será certeira, forte e pura quando emanar da vontade de Jesus. Então orar será realmente pedir. O filho pede ao pai, o qual conhece. Não a adoração geral, mas a prece é a essência da oração cristã. Isso corresponde à atitude do ser humano perante Deus, pedindo de mão estendida àquele que ele sabe ter um coração paternal.

A verdadeira oração é assunto secreto; isso não exclui, todavia, a comunhão de oração, mesmo conhecendo os perigos que esta encerra. A publicidade de rua e o quartinho, orações longas ou curtas, seja na litania da oração da Igreja, seja o suspiro de oração de quem não sabe o que orar, o indivíduo ou a congregação, nada disso é decisivo. O que importa unicamente é o reconhecimento: seu Pai sabe do que vocês necessitam. Isso orienta a oração exclusivamente para Deus. Isso livra o discípulo da hipocrisia das obras.

Portanto, vocês orarão assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal, pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém. Porque se vocês perdoarem aos seres humanos as suas ofensas, também seu Pai celeste lhes perdoará; se, porém, não perdoarem aos seres humanos as suas ofensas, tampouco seu Pai lhes perdoará as suas ofensas. (Mt 6.9-15).

Jesus ensinou aos discípulos não somente como orar, mas também o que orar. O Pai-Nosso não é apenas um exemplo de oração para os discípulos. Jesus quer que eles orem como ele lhes ensinou. O Pai-Nosso é a oração por excelência. Toda oração dos discípulos tem nele sua substância e seus limites. Jesus não deixa os discípulos na incerteza; o Pai-Nosso lhes dá clareza total em assuntos de oração.