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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sua exigência é total. – M. Lloyd-Jones



Ambos (Deus e as riquezas) fazem-nos uma exigência totalitária. Como já vimos, é fato que as coisas do mundo fazem uma exigência totalitária. Como elas tendem a agarrar a personalidade inteira e como nos afetam em todos os aspectos da vida! Exigem nossa total devoção, querem que vivamos absolutamente para elas. Sim, mas Deus também exige. . . Não necessariamente num sentido material, mas em algum outro sentido Ele diz-nos a todos: «Vai, vende o que tens. . . então vem, e segue-me». «Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim». É exigência exclusivista. . . É uma alternativa exclusivista: «ou. . .ou»; neste ponto é impossível qualquer meio termo. «Não podeis servir a Deus e às riquezas».

Isto é algo tão sutil que muitos de nós somos completa-mente incapazes de percebê-lo. . . Alguns entre nós se opõem violentamente àquilo que chamamos de «materialismo ateu». Mas. . . entendamos que a Bíblia nos fala que todo materialismo é ateu. . . Assim, se um ponto-de-vista materialista nos está controlando, somos ímpios, não importando o que digamos. Há muitos ateus que falam com linguagem religiosa. . . O homem que se julga religioso porque fala acerca de Deus, diz crer em Deus e ocasionalmente vai a um lugar de culto, mas na verdade vive em prol de certas coisas terrenas — quão grandes são as trevas desse homem!. . . Estude cuidadosamente 2 Reis 17.24-41, . . Os assírios conquistaram certa área. Depois tomaram gente do seu próprio povo e a colocaram naquela área. Esses assírios, naturalmente, não cultuavam ao Senhor. Então apareceram alguns leões e destruíram as propriedades deles. «Isso nos aconteceu», disseram eles, «porque não servimos ao Deus deste território». Portanto, buscaram um sacerdote que lhes deu instruções gerais sobre a religião de Israel. . . Mas, eis o que diz a Escritura sobre eles: «temiam o Senhor e ao mesmo tempo serviam aos seus próprios deuses». . . A quem você está servindo? Essa é a questão; e há de ser ou a Deus ou às riquezas.

Studies in toe Sermon on the Mount, ii. p. 94,5.



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O fim Supremo do Ministério de Cristo – Jonathan Edwards



As Escrituras nos levam a supor que Cristo buscou a glória de Deus como o seu fim transcendente e maior.

João 7.18: "Quem fala por si mesmo está procurando a sua própria glória; mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro, e nele não há injustiça". Quando Cristo diz que não buscou a própria glória, não podemos entendê-lo racionalmente nem compreender como ele não possuía qualquer deferência por sua glória, nem mesmo pela glória da natureza humana, pois a glória dessa natureza fazia parte da recompensa que se lhe prometera e do gozo que se lhe fora proposto. Mas devemos entender que esse não era o seu objetivo supremo; não era o fim pelo qual sua conduta era governada acima de tudo. Assim, está em contraste com essa realidade a última parte da frase que ele profere: "mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro", etc. É natural compreendê-lo em razão da antítese e ver que esse era o seu objetivo supremo, o fim máximo que o governava.

João 12.27,28: "Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome". Cristo estava a caminho de Jerusalém, onde esperava ser crucificado em poucos dias; e a perspectiva do seu sofrimento final e iminente lhe era deveras terrível. Diante dessa angústia mental, ele se sustenta com a perspectiva do que seria a conseqüência de seu sofrimento, ou seja, a glória de Deus. É o fim que sustenta o agente em qualquer obra difícil que este se propõe realizar, e mais que tudo, é o fim máximo e supremo que lhe dá forças; pois, aos seus olhos, tal fim é mais do que todos os outros e, portanto, suficiente para compensar a dificuldade dos meios. Esse fim, que é, em si mesmo, agradável e doce para o agente e que, por derradeiro, satisfaz o seu anseio, é o centro de descanso e apoio e, portanto, deve ser a fonte e a síntese de todo o deleite e consolo que ele possui em --suas perspectivas em relação à sua obra. A alma de Cristo se encontra exausta e angustiada diante daquilo que é, infinitamente, a parte mais difícil de sua obra e que está prestes a acontecer. Sem dúvida, se a sua mente busca o apoio em meio ao conflito na perpectiva de seu fim, deve naturalmente se refugiar no seu fim transcendente, que é a verdadeira fonte de todo o apoio possível nesse caso. Podemos muito bem supor que, ao lutar contra as mais extremas dificuldades, sua alma recorre à idéia do seu fim máximo e supremo, a fonte de todo o apoio e consolo que ele tem na obra.

A mesma coisa - a busca de Cristo pela glória de Deus como o seu fim supremo - fica clara nas suas palavras ao se aproximar ainda mais da hora de seus sofrimentos finais, naquela oração extraordinária, a última que faz com seus discípulos na noite antes da crucificação, uma oração na qual ele expressa a síntese de seus objetivos e anseios. Suas primeiras palavras são: "Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti" [Jo 17.1]. Uma vez que esse é o seu primeiro pedido, podemos supor que é a maior das suas súplicas e anseios, e o seu fim supremo em todas as coisas. Se considerarmos as palavras subseqüentes, tudo o que é dito depois na oração parece apenas uma expansão desse pedido magnífico. Creio que, no geral, fica bastante claro que Jesus Cristo buscou a glória áe Deus como o seu fim último e transcendente e, portanto, com base na décima segunda proposição, esse foi o fim supremo de Deus na criação do mundo.

sábado, 10 de julho de 2010

Glorifique a Deus! Mas não o Servindo. - John Piper

Não o servindo, mas sendo servido por Ele

Não glorificamos a Deus atendendo suas necessidades, mas orando para que ele supra as nossas — com confiança em sua resposta. Aqui estamos no cerne das boas novas do prazer cristão.
A insistência de Deus em que lhe peçamos que ele nos dê ajuda para que receba glória (SL 50.15) impõe-nos o fato surpreendente de que temos de parar de servir a Deus e tomar o cuidado especial de deixar que ele nos sirva, para não roubarmos dele a sua glória.
Isso soa muito estranho. A maioria de nós pensa que servir a Deus é algo totalmente positivo. Nunca pensamos que servir a Deus pode ser um insulto para ele. No entanto, meditar no sentido da oração requer que pensemos assim.
Atos 17.24, 25 deixa isso claro: O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais.
Se eu tivesse fome, não to diria, pois o mundo é meu e quanto nele se contém... Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás" (SL 50.12, 15). É evidente que há uma maneira de servir a Deus que o diminuiria, como carente do nosso serviço. "O Filho do homem não veio para ser servido" (Mc 10.45). Ele quer ser o servo. Ele quer receber a glória como doador.

Ainda servo na segunda vinda!

Mesmo em sua glória no fim desta era isso é verdade, não apenas nos dias da sua humilhação terrena. Para mim o quadro mais surpreendente da segunda vinda de Cristo está em Lucas 12.35-37, que retrata o retorno de um senhor de uma festa de casamento: Cingido esteja o vosso corpo, e acesas, as vossas candeias. Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram. Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, quando vier, os encontre vigilantes; em verdade vos afirmo que ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá.

Em que sentido Deus é diferente de todos os outros deuses?

É verdade que nós somos chamados servos — e isso, sem dúvida, significa que devemos fazer exatamente o que nos é mandado. O que é assombroso neste quadro é que o "senhor" insiste em "servir", mesmo na época vindoura, quando ele se revelar em toda a sua glória, "com os seus anjos poderosos, em meio a uma chama flamejante" (2Ts 1.7, NVI). Por quê? Porque o âmago da sua glória é a plenitude da graça que transborda em bondade para com os necessitados. Por isso ele pretende "mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus" (Ef 2.7).
Em que consiste a grandeza do nosso Deus? Em que ele é único no mundo? Isaías responde: Desde a antigüidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera (Is 64.4). Todos os outros ditos deuses tentam conquistar exaltação fazendo as pessoas trabalhar por eles. Ao fazer isso, apenas provam sua fraqueza. Isaías ridiculariza os deuses que precisam ser servidos por seus seguidores: Bel se encurva, Nebo se abaixa; os ídolos são postos sobre os animais, sobre as bestas; as cargas que costumáveis levar são canseira para as bestas já cansadas (Is 46.1).
Jeremias faz coro à ironia: Os ídolos são como um espantalho em um  pepinal e não podem falar; necessitam de quem os leve, porquanto não podem andar (Jr 10.5).
Deus é único. "Desde a antigüidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu..." E sua singularidade é que ele se propõe ser nosso Funcionário, e não vice-versa. Nosso trabalho é "esperar nele".

Deus trabalha para aquele que nele espera

Esperar! Isso significa parar e conscientizar-se com sobriedade da nossa incompetência e da completa suficiência de Deus, buscar conselho e ajuda do Senhor, e esperar nele (SL 33.20-22; Is 8.17). Israel é repreendido por "não lhe ter aguardado os desígnios" (Sl 106.13). Por quê? Porque, ao não buscarem e esperarem pela ajuda de Deus, privaram-no de uma oportunidade de glorificar-se.
Por exemplo, em Isaías 30.15, 16 o Senhor diz a Israel: "Em vos converterdes e em sossegardes, está a vossa salvação; na tranqüilidade e na confiança, a vossa força". Mas Israel se recusou a esperar no Senhor, e disse: "Não! Sobre cavalos fugiremos!" Então, no v. 18, revelam-se a estupidez e a malignidade dessa correria de iniciativa própria: "O Senhor espera, para ter misericórdia de vós, e se detém, para se compadecer de vós, porque o Senhor é Deus de justiça; bem-aventurados todos os que nele esperam". A estupidez de não esperar em Deus está em perdermos nos opormos à vontade de Deus de exaltar-se em misericórdia. Deus pretende exaltar a Si mesmo trabalhando por aqueles que nele esperam. A oração é a atividade essencial da espera por Deus: o reconhecimento da nossa incapacidade e do seu poder, o pedido por sua ajuda, a busca do seu conselho. Assim fica evidente porque Deus manda tantas vezes que oremos: seu propósito no mundo é ser exaltado por sua misericórdia. A oração é o antídoto para a doença da autoconfiança, que se opõe ao objetivo de Deus de obter glória ao trabalhar por aqueles que esperam nele.
"Quanto ao Senhor, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele" (2Cr 16.9). Deus não está à procura de pessoas que trabalhem para ele, tanto quanto está à procura de pessoas que o deixem trabalhar por elas. O evangelho não é um anúncio de Precisa-se de Ajuda. O chamado para o serviço cristão também não. Pelo contrário, o evangelho nos ordena a desistir e pendurar um anúncio de Precisa-se de Ajuda (esse é o sentido básico da oração). Assim então o evangelho promete que Deus trabalhará por nós. Ele não transferirá a glória de ser o Doador.
Mas, será que não existe alguma coisa que podemos lhe dar, que não o rebaixe à condição de beneficiário? Sim, há — nossas ansiedades. É uma ordem: "Lançai sobre ele toda a vossa ansiedade" (lPe 5.7). Deus receberá com prazer qualquer coisa de nossa parte que mostre nossa dependência e sua total suficiência. 

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Não Eu, mas a Graça de Deus Comigo - John Piper


Revestido de Poder para as Missões

Quando Jesus ascendeu ao céu, ele disse aos discípulos: "Toda a auto ridade me foi dada no céu e na terra... E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século" (Mt 28.18, 20). Essa é a autoridade com a qual ele chama suas ovelhas.

Então, para que ficasse evidente que sua autoridade e sua presença concederiam sucesso à missão, ele ordenou aos discípulos que esperassem em Jerusalém até que fossem revestidos do poder do alto (Lc 24.49). Ele disse que a vinda do poder, por intermédio do Espírito Santo, lhes possibi litaria ser suas testemunhas "tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra" (At 1.8). Quando o Espírito vem é o próprio Senhor cumprindo a promessa de edificar sua igreja. De acordo com o que Lucas disse, "acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos" (At 2.47). O Senhor o fez e continuou a fazer pela conversão do maior missionário de todos os tempos (At 26.16-18), orientando os missio nários em suas viagens (At 8.26, 29; 16.7, 10) e dando-lhes as palavras de que necessitavam (Mc 13.11; At 6.10).

"Não Eu, mas a Graça de Deus Comigo"


Paulo estava profundamente ciente de que o sucesso da sua missão era obra do Senhor e não sua. Ele disse: "Não ousarei discorrer sobre coisa alguma, senão sobre aquelas que Cristo fez por meu intermédio, para con duzir os gentios à obediência, por palavra e por obras, por força de sinais e prodígios, pelo poder do Espírito Santo'1'' (Rm 15.18-19). A paixão de Paulo, como sempre, foi concentrar toda a glória sobre a supremacia de Cristo na missão da igreja. O Senhor estava edificando sua igreja.

Como então Paulo fala de seus próprios labores? Ele disse: "Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo" (1 Co 15.10). Paulo trabalhou. Ele combateu o combate e correu a corrida. Mas fez isso, como disse em Filipenses 2.13, porque Deus operava com poder, dentro e sobre ele, "tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade". Usando a imagem de uma fazenda, Paulo assim se expressou: "Eu plantei, Apoio regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento" (1 Co 3.6-7). Paulo era zeloso em defender a supremacia de Deus na missão da igreja.

Esse zelo pela glória de Deus na missão da igreja incentivou os após tolos a ministrar de uma forma que magnificassem sempre a Deus e não a si mesmos. Por exemplo, Pedro ensinou às'jovens igrejas: "Se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo (1 Pe 4.11; cf. Hb 13.20-21). Aquele que concede a força recebe a glória. Assim, Pedro insistiu na abso luta necessidade de servir na força que é dada por Deus e não por nossas forças. Se Deus não edificasse sua igreja, ele não teria glória, e tudo seria em vão, não importando o quanto a obra pudesse parecer "bem-sucedida" para o mundo.