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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Tullian Tchividjian - Contextualizar sem Comprometer



Nos dias 26 e 27 de abril de 2010, eu tive o privilégio de me juntar a homens que eu admiro e respeito, na conferência Advance the Church ("Avance a Igreja" N.T.), em Durham, Carolina do Norte. Minha tarefa foi falar sobre “contextualização sem comprometer”. Eu trato dessa questão mais longamente em meu livro “Unfashionable: Making a Difference in the World by Being Different" (“Fora de moda: Fazendo a Diferença no Mundo Sendo Diferente" N.T.). Os organizadores da conferência pediram-me para compartilhar alguns dos meus pensamentos sobre contextualização. Então, feliz ou infelizmente, aqui estão eles (retirados diretamente do capítulo 8 de Unfashionable).

O princípio por trás da exortação de Paulo em 1 Coríntios 9.22, “fiz-me tudo para com todos”, é o que os pensadores cristãos chamam de “contextualização”. Contextualização é a ideia de que nós precisamos estar traduzindo a verdade do Evangelho em uma linguagem compreendida por nossa cultura. Missionários transculturais e tradutores da Bíblia têm feito isso por séculos. Eles pegam a verdade imutável do Evangelho e a colocam em uma linguagem que se encaixa no contexto que eles estão tentando alcançar. Contextualização simplesmente significa traduzir o Evangelho – tanto em palavras quanto em obras – em termos compreensíveis e apropriados à audiência. É a tradução do Evangelho que é sensível ao contexto.

Genna, minha filha de oito anos, ama ir à Escola Dominical por diversos motivos. Ela ama ver seus amigos e cantar suas músicas favoritas. Mas ela também ama aprender de seu professor que é capaz e criativo. Ele trabalha duro para usar linguagem, conceitos e ilustrações que ela e as outras crianças na classe entenderão, ao mesmo tempo em que ensina fielmente a Bíblia. E como resultado, Genna aprende. Ela anda domingo após domingo animada com o que aprendeu. Isso emociona Kim e eu. Nós dois somos gratos pelo fato do professor de Genna compreender a necessidade de contextualização.

De forma similar, toda tradução bíblica para o português é um esforço para contextualizar as Escrituras (originalmente escritas em hebraico e grego por povos antigos) para uma audiência de fala portuguesa nos dias de hoje.

Contextualizar também envolve construir relacionamentos com pessoas que não creem. Nós não esperamos que elas venham até nós; nós vamos até elas. Nós as conhecemos onde elas estão. Nós entramos no mundo delas procurando nos identificar com suas lutas, gostos, desgostos, ideias. Chuck Colson fala disso como entrar nas “histórias” das pessoas:
Nós precisamos entrar nas histórias da cultura que nos cerca, o que envolve dar ouvidos. Nos ligamos com a literatura, a música, o teatro, as artes e com as questões que expressam as esperanças, sonhos e medos existentes na cultura. Isso constrói uma ponte pela qual podemos mostrar como o Evangelho pode entrar e transformar aquelas histórias.
Edith Schaeffer, esposa do antigo Francis Schaeffer, escreveu sobre uma visita que os dois fizeram a São Francisco em 1968. Uma noite eles foram à Fillmore West para sair com os drogados e hippies, e assistir a um espetáculo de luz. Ela registra quão partido estava o coração deles enquanto eles testemunhavam “a perdição da humanidade na busca por paz onde não há paz”. Ela concluiu: “Um tempo para ouvir é preciso – ouvir o que a próxima geração está dizendo, ouvir as palavras da música que eles estão ouvindo, ouvir o significado por trás das palavras. Se a verdadeira comunicação deve continuar, há uma linguagem a ser aprendida”.

A contextualização começa com um coração partido em favor dos perdidos e um desejo dirigido a ajudá-los a compreender a verdade libertadora de Deus. Somente através de um verdadeiro ouvir e aprender nós podemos esperar comunicar persuasivamente a Palavra imutável de Deus para nosso mundo em constante mudança.

Infelizmente, alguns cristãos bem intencionados concluem o contrário. Para esses cristãos, contextualização significa a mesma coisa que comprometer. Eles crêem que isso significa dar às pessoas o que elas querem e falar a elas o que elas querem ouvir. O que eles não entendem, porém, é que contextualização significa dar às pessoas as respostas de Deus (que elas podem não querer) para as questões que elas estão realmente perguntando, em formas que elas podem entender.

Essa má compreensão da contextualização tem levado essas pessoas a argumentarem que reflexão cultural e contextualização são, na melhor das hipóteses, distrações, e na pior, pecaminosas. Eles nos admoestam a abandonar essas coisas e focar simplesmente na Bíblia. Apesar disso soar virtuoso, acaba sendo tolo por duas razões. Primeira, como já vimos, a própria Bíblia nos exorta a entender nossos tempos de modo que possamos alcançar nosso mundo mutável com a verdade eterna de Deus. Não contextualizar, portanto, é um pecado. E segunda, todos nós vivemos inescapavelmente em um quadro cultural particular, que molda a forma como nós pensamos sobre tudo. Então, se não trabalharmos duro para entendermos nosso contexto, não iremos apenas falhar em nossa tarefa de comunicar eficazmente o Evangelho, mas também acharemos impossível evitar sermos negativamente moldados por um mundo que não entendemos.

Em uma entrevista recente, o pastor Tim Keller disse isso da seguinte forma:
"contextualizar demais para uma nova geração significa que você pode acabar idolatrando a cultura deles, mas contextualizar de menos significa que você pode acabar idolatrando a sua própria cultura. Então, não há como evitar isso”.
Quer traduzindo a Bíblia ou desenvolvendo relacionamentos com não cristãos, nós devemos ter uma mente missionária em tudo o que fazemos. Isso dá trabalho – o duro esforço de manter a grande fotografia e comunicar compreensivelmente e convincentemente àqueles que não compartilham nossas convicções e cosmovisão. Portanto, todo dia e em toda circunstância, precisamos estar conscientemente e rigorosamente traduzindo nossa fé na linguagem da cultura que estamos tentando alcançar.

Este é o desafio: se você não contextualizar o suficiente, a vida de ninguém será transformada porque eles não lhe entenderão. Mas se você contextualizar demais, a vida de ninguém será transformada porque você não estará desafiando seus pressupostos mais profundos e chamando-os à mudança.

Ser “tudo para com todos”, portanto, não significa se encaixar nos padrões caídos deste mundo de modo que não há mais diferença distinguível entre cristãos e não cristãos. Apesar de vivermos “no mundo”, nós precisamos evitar o extremo da acomodação: ser “do mundo”. Isso acontece quando cristãos, em sua tentativa de fazer um contato apropriado com o mundo, saem do seu caminho para adotar estilos, normas e estratégias mundanas.

Quando cristãos tentam eliminar as características contra-culturais e antiquadas da mensagem bíblica porque aquelas características são impopulares na cultura mais ampla – por exemplo, quando nós reduzimos o pecado a uma falta de auto-estima, negamos a exclusividade de Cristo ou ignoramos a realidade da verdade absoluta e cognoscível – nós nos movemos da contextualização para o comprometimento. Quando nos acomodamos à nossa cultura, abandonando temas chaves do Evangelho, tais como sofrimento, humildade, perseguição, serviço e auto-sacrifício, nós, na verdade, fazemos nosso mundo mais mal do que bem. Por causa do amor, o compromisso deve ser evitado a todo custo.

Como a Bíblia ensina, o Senhorio de Cristo tem um sentido de totalidade: a verdade de Cristo cobre todas as coisas, não apenas coisas “espirituais” ou “religiosas”. Mas ele também tem um sentido de tensão. Como Senhor, Jesus não apenas nos chama para Si mesmo, Ele também nos chama para romper com tudo o que entra em conflito com Seu Senhorio.

Contextualizar sem comprometer é o objetivo!

Por Tullian Tchividjian © The Gospel Coalition. Website: thegospelcoalition.org
Original: Contextualization Without Compromise. Website: thegospelcoalition.org/blogs/tullian
Tradução: voltemosaoevangelho.com
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que adicione as informações supracitadas, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Fonte: http://voltemosaoevangelho.blogspot.com/2010/07/tullian-tchividjian-contextualizacao.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Não Eu, mas a Graça de Deus Comigo - John Piper


Revestido de Poder para as Missões

Quando Jesus ascendeu ao céu, ele disse aos discípulos: "Toda a auto ridade me foi dada no céu e na terra... E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século" (Mt 28.18, 20). Essa é a autoridade com a qual ele chama suas ovelhas.

Então, para que ficasse evidente que sua autoridade e sua presença concederiam sucesso à missão, ele ordenou aos discípulos que esperassem em Jerusalém até que fossem revestidos do poder do alto (Lc 24.49). Ele disse que a vinda do poder, por intermédio do Espírito Santo, lhes possibi litaria ser suas testemunhas "tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra" (At 1.8). Quando o Espírito vem é o próprio Senhor cumprindo a promessa de edificar sua igreja. De acordo com o que Lucas disse, "acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos" (At 2.47). O Senhor o fez e continuou a fazer pela conversão do maior missionário de todos os tempos (At 26.16-18), orientando os missio nários em suas viagens (At 8.26, 29; 16.7, 10) e dando-lhes as palavras de que necessitavam (Mc 13.11; At 6.10).

"Não Eu, mas a Graça de Deus Comigo"


Paulo estava profundamente ciente de que o sucesso da sua missão era obra do Senhor e não sua. Ele disse: "Não ousarei discorrer sobre coisa alguma, senão sobre aquelas que Cristo fez por meu intermédio, para con duzir os gentios à obediência, por palavra e por obras, por força de sinais e prodígios, pelo poder do Espírito Santo'1'' (Rm 15.18-19). A paixão de Paulo, como sempre, foi concentrar toda a glória sobre a supremacia de Cristo na missão da igreja. O Senhor estava edificando sua igreja.

Como então Paulo fala de seus próprios labores? Ele disse: "Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo" (1 Co 15.10). Paulo trabalhou. Ele combateu o combate e correu a corrida. Mas fez isso, como disse em Filipenses 2.13, porque Deus operava com poder, dentro e sobre ele, "tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade". Usando a imagem de uma fazenda, Paulo assim se expressou: "Eu plantei, Apoio regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento" (1 Co 3.6-7). Paulo era zeloso em defender a supremacia de Deus na missão da igreja.

Esse zelo pela glória de Deus na missão da igreja incentivou os após tolos a ministrar de uma forma que magnificassem sempre a Deus e não a si mesmos. Por exemplo, Pedro ensinou às'jovens igrejas: "Se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo (1 Pe 4.11; cf. Hb 13.20-21). Aquele que concede a força recebe a glória. Assim, Pedro insistiu na abso luta necessidade de servir na força que é dada por Deus e não por nossas forças. Se Deus não edificasse sua igreja, ele não teria glória, e tudo seria em vão, não importando o quanto a obra pudesse parecer "bem-sucedida" para o mundo.