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domingo, 24 de julho de 2011

O Sofrimento Produz Crentes Fortes – C. H. Spurgeon


Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade.

Lamentações 3.27



Estas palavras são tão boas quanto uma promessa. Tem sido e continuará sendo bom para mim suportar o jugo.


Bem cedo em minha vida, senti o peso da convicção do pecado e, desde então, o jugo tem demonstrado ser algo que enriquece a alma. Eu não teria amado intensamente o evangelho, se não tivesse conhecido, por meio de experiências profundas, a necessidade de ser salvo pela graça. Jabes foi mais ilustre do que seus irmãos, porque a sua mãe o deu à luz em meio a muito sofrimento. Aqueles que sofrem muito para serem nascidos de Deus tornam-se crentes fortes na graça soberana.


O jugo da reprovação é bastante cansativo, mas prepara o homem para honra futura. Não está preparado para ser um líder aquele que não passou pela disciplina do desprezo. O louvor envenena, se não for precedido pela injúria. Os homens que, sem passarem por lutas, são elevados à posição eminência geralmente caem em desonra.


O jugo da aflição, do desapontamento e do trabalho excessivo não é, de maneira alguma, procurado pelas pessoas. Mas, quando o Senhor coloca esse jugo sobre nós, durante nossa mocidade, frequentemente tal jugo desenvolve em nós ti caráter que glorifica a Deus e abençoa a igreja.


Ó minha alma, deves prostrar-te diante de Deus e tomar t tua cruz. Se ela era boa para ti, estando ainda em tua mocidade, ela não te machucará agora. Por amor a Jesus, coloca-a alegremente em teus ombros.
Fonte: [C.H. Spurgeon]

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O Perigo está dentro de nós – C. H. Spurgeon


Então, andarás seguro no teu caminho, e não tropeçará o teu pé. (Pv 3.23)

Isto significa que, se andamos no caminho da sabedoria e da santidade, seremos preservados nelas. Aquele que viaja durante o dia pelas estradas, sob a luz do sol, desfruta de certa proteção. Existe um caminho para cada pessoa, ou seja, sua própria vocação na vida. E, se seguirmos esta vocação no temor de Deus, Ele nos preservará do mal. Talvez não viajaremos em luxo, mas andaremos seguros. Provavelmente não seremos capazes de correr como os jovens, mas seremos capazes de andar como homens bons.

Nosso grande perigo se encontra em nós mesmos: nossos frágeis pés são terrivelmente propensos a tropeçar. Supliquemos a Deus mais vigor moral, para que nossa tendência ao tropeço seja vencida. Alguns tropeçam porque não vêem as pedras no caminho. A graça divina nos capacita a perceber o pecado e a evitá-lo. Reivindiquemos esta promessa e confiemos nAquele que sustenta seus eleitos.

Infelizmente, nosso grande perigo é nossa falta de cuidado; mas contra isso o Senhor nos alertou, dizendo: "Vigiai e orai" (Mt 26.41).

Oh! Oremos por graça para andarmos neste dia sem qualquer tropeço! Permanecer firme agora não é o bastante; nosso clamor deve ser que nossos pés não cometam o menor deslize e que, por fim, adorem Aquele que é poderoso para nos guardar de tropeços.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sem Pontes na Aflição - C. H. Spurgeon


Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimar ás, nem a chama arderá em ti. - Isaías 43.2

Não existe nenhuma ponte. Temos de passar pelas águas e sentir a correnteza dos rios. A presença de Deus nas águas é melhor do que um barco a motor. Seremos provados, mas sairemos triunf antes, pois Jeová mesmo, que é mais poderoso do que as muitas águas, estará conosco. Ainda que em outras circunstâncias o Senhor se encontre afastado de seu povo, certamente estará com eles nos perigos e nas dificuldades. As tristezas da vida podem elevar-se a um nível extremamente alto, mas o Senhor é equivalente a qualquer circunstância.

Os inimigos de Deus podem colocar diante de nós perigos criados por eles mesmos, tais como: perseguição, zombaria impiedosa, que assemelham-se a uma fornalha intensa. O que devemos fazer, então? Andaremos pelo fogo. Se Deus está conosco, não seremos queimados; não, nem mesmo o cheiro de fogo permanecerá sobre nós.

Oh! que maravilhosa segurança desfruta o peregrino nascido do céu e a este destinado! As muitas águas não podem arrastá-lo, nem o fogo, queimá-lo. A tua presença, ó Senhor, é a proteção de teus santos diante dos muitos perigos da jornada. Pela fé, me entrego a Ti, e meu espírito entra em descanso.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O Cálice que Jesus não Bebeu – C. H. Spurgeon




Deram-lhe a beber vinho com mirra; ele, porém, não tomou. – (Mc 15.23)


Uma verdade preciosa se revela no fato de que nosso Senhor recusou-se a beber vinho com mirra. Antecipadamente, o Filho de Deus havia voltado seu olhar para nosso mundo e avaliado a imensa descida às profundezas da miséria dos homens.

Ele somou as agonias que a expiação exigiria e não recusou nenhuma delas. Solenemente, o Filho de Deus determinou oferecer ao Pai um sacrifício expiatório suficiente. Ele tinha de seguir todo aquele caminho, desde o trono de glória até à cruz da mais profunda aflição. Esse cálice de mirra, com sua influência anestésica, teria aliviado um pouco do sofrimento de nosso Senhor; mas Ele o recusou.

O Senhor Jesus não amenizaria todo o sofrimento que deter-minara suportar em favor de seu povo. Muitos de nós temos lamentado depois de livramentos de aflições que nos teriam causados muitos danos! Você sempre ora com ansiedade petulante e obstinada, suplicando alívio de um trabalho árduo e de sofrimento? Suponha que lhe tenha sido dito: "Se você deseja, pode conservar consigo aquilo que você ama, mas Deus será desonrado por meio disso". Você poderia abandonar essa tentação e dizer: "Seja feita a tua vontade"? E agradável ser capaz de afirmar: "Meu Senhor, eu preferiria não sofrer; todavia, se posso te honrar mais por meio do sofrimento e se a perda de todas as minhas coisas terrenas trará glória para Ti, então, que o sofrer seja a minha porção.

Recuso a consolação, se esta se coloca à frente de tua honra". Oh! Que abandonemos disposta e espontaneamente o pensamento de egoísmo e de consolação quando ele interfere na concretização da obra que Deus nos deu para realizarmos!

/ On : 14:14/ SOLA SCRIPTURA - Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê,mas, sim, em si mesmo - AGOSTINHO.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Nosso Medo Desonra Deus - C. H. Spurgeon



- Não te assustarás do terror noturno - Sl 91.5 -

Qual é este terror? Pode ser o grito de incêndio, o barulho de ladrões ou o choro de uma morte repentina. Vivemos em um mundo de morte e pesares. Por conseguinte, podemos esperar dificuldades nas vigílias da noite, bem como sob o esplendor do sol da tarde. Nada nos deveria alarmar, por causa da promessa de que o crente não ficará temeroso.

 Deus, o nosso Pai, está aqui e estará durante todas as horas de solidão. Ele é um Vigilante todo-poderoso, um Amigo fiel, um Guarda que não dorme. As trevas não constituem escuridão alguma para Deus. Ele prometeu ser uma muralha de fogo ao redor de seu povo, quem poderá atravessar essa muralha?

Aqueles que não conhecem a Deus têm de ficar atemorizados, pois eles têm sobre si mesmos um Deus irado, uma consciência culpada dentro de si mesmos e um inferno boquiaberto embaixo de si mesmos. Nós, porém, que descansamos em Jesus estamos salvos de todas estas coisas, por intermédio de sua abundante misericórdia.

Se dermos ocasião ao temor, desonraremos aquilo que confessamos crer e levaremos outras pessoas a duvidarem da veracidade de nosso cristianismo. Devemos ter medo de ficar temerosos, para que não entristeçamos o Espírito Santo, por meio de nossa incredulidade medíocre. Jogue fora presságios sombrios e apreensões sem fundamento. Deus não esqueceu de ser gracioso, nem embargou as suas ternas misericórdias. Pode ser noite em nossa alma, porém ali não há terror, porque o Deus de amor é imutável. Os filhos da luz podem andar por caminhos escuros, mas não serão abandonados. Eles confirmam a sua eleição por meio de confiarem em seu Pai celestial.

Desejando a vontade de Deus – A. W. Tozer

O mal profundo do coração humano é um desejo que se soltou de seu centro, como um planeta que abandonou o sol e começou a girar em torno de algum corpo estranho vindo do espaço externo que pode ter-se aproximado o suficiente para afastá-lo. Quando Satanás disse: "Eu subirei" (Is 14.13), ele rompeu com seu centro normal. O mal com o qual ele infectou a raça humana foi a desobediência e a revolta. Qualquer método adequado de redenção deve levar em consideração esta revolta e encarregar-se de restituir novamente a vontade humana ao seu lugar apropriado na vontade de Deus. De acordo com esta necessidade essencial de livrar-se do desejo, o Espírito Santo, quando efetua Sua graciosa invasão no coração que tem fé, deve conquistar esse coração pela obediência aprazível e voluntária à total vontade de Deus. A cura deve acontecer no íntimo; não haverá nenhuma conformidade externa. Até que o desejo seja santificado, o homem continuará a ser um rebelde assim como um criminoso ainda o é no coração mesmo que esteja prestando relutantemente obediência ao policial que o está levando para a prisão.

O Espírito Santo realiza esta cura interior combinando a vontade do homem remido com Sua própria vontade. Este processo não se dá de uma só vez. E necessário, é verdade, que haja algum tipo de entrega total da vontade a Cristo antes que qualquer obra de graça possa ser realizada, mas é provável que a combinação completa de todas as partes da vida com a vida de Deus no Espírito seja um processo mais longo do que nós, em nossa impaciência como criaturas, gostaríamos que fosse. A alma mais desenvolvida talvez fique abalada e aflita por descobrir alguma área particular de sua vida onde vinha agindo, sem o seu conhecimento, como senhora e dona daquilo que pensou ter entregado a Deus. É a obra do Espírito que habita nela que aponta estas discrepâncias morais e as corrige. Ele não, como às vezes se diz, "viola" a vontade humana, mas a invade e a leva docilmente a uma união harmônica com a vontade de Deus.

Desejar a vontade de Deus é ir além de não protestar o Seu consentimento; é, em vez disso, optar pela vontade de Deus com uma determinação positiva. A medida que a obra de Deus se desenvolve, o cristão se vê livre para escolher o que bem entender, e escolhe com prazer a vontade de Deus como seu maior bem concebível. Esse homem alcançou a maior meta da vida. Ele está acima dos pequenos contratempos que assolam o restante dos homens. Tudo o que lhe acontece é a vontade de Deus para sua vida, e isto é o que ele deseja com mais ardor. No entanto, é justo afir¬mar que esta condição não é alcançada por muitos cristãos ativos de nossa época cheia de atividades. Entretanto, enquanto ela não for alcançada, a paz do cristão não poderá ser completa. È provável que haja certa controvérsia interior, uma sensação de inquietação espiritual que corrompa nossa alegria e reduza consideravelmente nossa força.

Outra qualidade do Fogo que habita em nós é a emoção. Este estado de ânimo deve ser compreendido à luz do que foi dito anteriormente sobre a inescrutabilidade divina. O que Deus é em Sua essência singular não pode ser descoberto pela mente nem pronunciado pelos lábios, mas aquelas qualidades em Deus que podem ser consideradas racionais, e, portanto, recebidas pelo intelecto, foram livremente apresentadas nas Sagradas Escrituras. Elas não nos dizem o que é Deus, mas como Ele é, e a soma dessas qualidades constitui uma descrição mental do Ser Divino como se estivesse a distância e fosse visto por um vidro no escuro.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Uma Estranha Descoberta - John Piper

                                               "Eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer"


Talvez tenha sido simples obediência ao mandamento de Cristo expresso em Atos 9.15, 16. Quando Jesus enviou Ananias para abrir os olhos de Paulo depois de ele ter ficado cego na estrada para Damasco, disse: "Vai, porque este [Paulo] é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome. Em outras palavras, o sofrimento era simplesmente parte do chamado apostólico de Paulo. Para ser fiel ao seu chamado, ele tinha de receber tudo o que Cristo lhe dava: muito sofrimento.

"Dava" é a palavra certa. Porque, ao escrever aos filipenses, Paulo, incrivelmente, chama o sofrimento de dádiva, do mesmo modo que a fé: "Foi-vos concedida a graça (echaristhe - dar gratuitamente) de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele" (Fp 1.29). Mas isso significaria que a "dádiva" dada a ele como parte do seu apostolado não é vista por Paulo como limitada aos apóstolos. Ela é "concedida" aos crentes de Filipos, a toda a igreja.

Outras pessoas têm feito a mesma descoberta estranha, de que o sofrimento é uma dádiva a ser recebida. Alexander Solzhenitsyn falou do seu tempo na prisão, com todo o seu sofrimento, como uma dádiva. "Foi apenas quando eu estava deitado sobre a palha podre da cela que eu senti dentro de mim o bem se movendo pela primeira vez. Gradualmente, foi-me revelado que a linha que separa o bem do mal não passa entre países, nem entre classes, nem mesmo entre partidos políticos, mas bem pelo meio de todo coração humano — e pelo meio de todos os corações humanos. [...] Bendita seja, prisão, por ter feito parte da minha vida." Solzhenitsyn concorda com o apóstolo Paulo em que o sofrimento é — ou pode ser— uma dádiva não apenas para os apóstolos, mas para cada cristão.

Para mostrar que ele era simplesmente um cristão Isso levanta a seguinte pergunta: será que Paulo acatou seu sofrimento porque isso confirmaria que ele era simplesmente um discípulo fiel de Jesus? Jesus dissera: "Se alguém quer vir após mim, a Si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa, esse a salvará" (Lc 9.23, 24). Portanto, não existe cristianismo verdadeiro sem cruz para carregar e sem morrer diariamente — o que se mostra bem parecido com a exclamação de Paulo: "Dia após dia, morro!" (ICo 15.31). Mais que isso, Jesus tinha dito aos seus discípulos: "Não é o servo maior que o seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros" (Jo 15.20). Por essa razão, alguma coisa estaria errada se Paulo não partilhasse os sofrimentos de Jesus. Jesus dera aos seus discípulos uma imagem sinistra do ministério deles: "Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos" (Lc 10.3). E lhes prometera: "Sereis entregues até por vossos pais, irmãos, parentes e amigos; e matarão alguns dentre vós" (Lc 21.16); "sereis odiados de todas as nações, por causa do meu nome" (Mt 24.9).

É evidente que Paulo não pensava que essas promessas de sofrimento restringiam-se aos primeiros doze apóstolos, porque passou-as às suas igrejas. Por exemplo, ele encorajou todos os seus convertidos, dizendo-lhes: "Através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus" (At 14.22). E animou os atribulados crentes de Tessalônica, dizendo-lhes: "Ninguém se inquiete com estas tribulações. Porque vós mesmos sabeis que estamos designados para isto" (lTs 3.3). E, ao escrever para Timóteo, formulou um princípio geral: "Todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos" (2Tm 3.12). Quando falava dos seus sofrimentos, não dizia que eram exclusivos, mas incentivava as igrejas: "Sede meus imitadores" (ICo 4.16). Portanto, seria compreensível se Paulo aceitasse uma vida de sofrimento porque simplesmente confirmaria que ele era cristão. "Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros."
 
Fonte: http://www.ocristaohedonista.com/2010/07/uma-estranha-descoberta-john-piper.html

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Podemos Passar a Noite em um Corredor da Morte? - J. Piper



Charles Wesley dá-nos um exemplo de como alguém pode obedecer a Hebreus 13.13 e sair "fora do arraial", levando o seu vitupério. Em 18 de julho de 1738, dois meses após sua conversão, Charles Wesley fez uma coisa espantosa. Ele havia passado a semana assistindo aos internos da prisão Newgate com um amigo chamado "Bray", que ele descrevia como"um mecânico pobre e ignorante". Um dos homens a quem ele se dirigiu era um negro [escravo] que tinha roubado o seu patrão." ele estava doente, com febre e tinha sido condenado à morte.
Na terça-feira, Charles e Bray perguntaram se podiam ficar na cela durante a noite com os prisioneiros que deveriam ser executados no dia seguinte[isso é fora do arraial!]. Naquela noite eles pregaram o evangelho. Disseram aos homens que "Um homem veio do céu para salvar os pecadores perdidos". Falaram dos sofrimentos do Filho de Deus, sua dor, agonia e morte.

No dia seguinte os homens foram colocados em uma carroça e levados a Tyburn. Charles foi com eles. Cordas foram colocadas em volta do pescoço de cada um, de modo que a carroça, sendo puxada, deixaria-os pendurados no ar e asfixiados até morrer.

O fruto da longa noite de labor Wesley e Bray foi surpreendente. Eis o que Wesley escreveu:

Eles ficaram alegres; cheios de conforto, paz e triunfo; seguramente persuadidos de que Cristo tinha morrido por eles e esperava recebê-los no paraíso.... O negro... saudou-me com seus olhares. Freqüentemente quando seus olhos encontravam os meus, ele sorria para mim com a fisionomia mais serena e alegre que já tinha visto.

Deixamo-los indo encontrar com o seu Senhor, prontos para as bodas. Quando a carroça arrancou, nenhum deles se mexeu ou lutou pela vida, mas suavemente entregaram seus espíritos. Exatamente às doze horas eles partiram. Eu disse umas poucas palavras apropriadas à mul¬tidão ao redor e retornei, cheio de paz e confiança na felicidade dos nossos amigos. Aquela hora sob o patíbulo foi a mais abençoada da minha vida.

Duas coisas surpreendem-me e inspiram nessa história. Uma é o extraordinário poder da mensagem de Wesley sobre a verdade e o amor de Cristo. Todos os prisioneiros condenados foram convertidos. E foram tão profundamente convertidos que podiam olhar a morte face a face (sem qualquer longo período de "acompanhamento" ou "discipulado") e entregaram suas vidas com a confiança de que Cristo os receberia. Seu sofrimento não foi por amor à justiça. Mas a mesma dinâmica estava em operação para sustentá-los. Eles viram seu sofrimento como algo que deveriam atravessar a caminho do céu, e a esperança da glória foi tão real que eles morreram em paz. Ah, que poder tem o testemunho!

Outra coisa que me surpreende foi o simples fato de Wesley ter entrado na prisão e pedir que fosse trancado a noite toda com criminosos condenados que nada mais teriam a perder se matassem outra pessoa. Wesley não tinha um supervisor dizendo-lhe que essa era a sua função. Ele não era um ministro oficial da prisão. Teria sido confortável e agradável passar a noite em casa conversando com seus amigos. Então, por que ele foi?

Deus pôs em seu coração para que ele fosse e Wesley assentiu. Há centenas de coisas estranhas e radicais para as quais Deus está chamando seu povo em benefício das missões mundiais. Não são todos que ouvem o mesmo chamado. O seu poderá ser único. Pode ser alguma coisa que você nunca tenha sonhado em fazer. Pode ser algo que você apenas sonhou em fazer. Mas insisto que você ouça a orientação do Espírito para ver aonde "fora do arraial" ele o está conduzindo, para que você "[leve] o seu vitupério".

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Santidade como o Redirecionamento do Desejo – J. I. Packer


Desejo é o estado do "eu quero" da consciência. Nesta linha de ensino(que nos remonta, pelo menos, aos dias de Origenes, no século 3o, Agostinho, no 5o, e Gregório, o Grande, no 6o), a santidade é vista em primeiro lugar como o afastamento do desejo das coisas criadas para voltar-se ao Criador, por intermédio de Cristo, para expressão e satisfação na - e por meio da - oração centrada em Deus. Mesmo entendendo a importância da vida exterior de justiça, integridade e amor ao próximo, a vida interior de oração, de um coração puro, é considerada (o que, sem dúvida, é certo) algo muito mais importante. Deus chama seus filhos para que lhe entreguem o coração. Descobrir sua plenitude de vida, aqui e agora, no relacionamento de amor, conhecimento e regozijo com Deus será uma antecipação de sua vida no céu. A oração é, assim, o primeiro item na vida de santidade. Na realidade, apenas à medida que a oração for a respiração, a batida do coração e a fonte de energia no íntimo de uma pessoa é que se pode dizer que ela está vivendo uma vida de santidade.

Alcançar e manter uma vida constante de oração e centrada em Deus é uma luta. Os cristãos se encontram em um conflito constante com o Diabo e suas hostes, que, por permissão de Deus, tentam fazer com que pequemos e nos desviemos da obediência com o intuito de obstruir e destruir a santidade em nossa vida interior. A oração sincera brota apenas de um coração sincero, que luta contra o pecado e se examina regularmente para não se enganar. Assim, a essência da estratégia de Satanás é impedir-nos de ter um coração sincero. (Ele não está preocupado com o fato de o nosso comportamento ser irrepreensível aos olhos dos homens contanto que o nosso coração não seja sincero diante de Deus; a absorção e o comodismo do orgulho de nossas fantasias e motivações é tudo que ele precisa para alcançar os seus objetivos.) Deus permite que sejamos, portanto, infiltrados e parcialmente assaltados, para que, pelo menos, possamos estar fortalecidos, aperfeiçoados e ancorados nele de maneira mais profunda, pela experiência de lutar na sua força. Este é o verdadeiro significado do conceito de batalha espiritual (Ef 6.10-20).

Desejar a Deus

O ensino em análise afirma que desejar e contemplar o nosso Salvador e Deus na reciprocidade do amor é a atividade mais importante e nobre da vida. No desenvolvimento desse pensamento, são feitas duas afirmações: primeira, os cristãos freqüentemente perdem a alegria deste relacionamento por sua própria negligência e preocupação com outras coisas; segunda, Deus às vezes não nos deixa sentir a sua presença e amor, que nos concede em outras ocasiões, para nos ensinar lições sobre paciência e pureza de coração que, do contrário, não aprenderíamos. Uma diversidade de abordagens foram desenvolvidas com o objetivo de articular estas verdades. Vamos observar rapidamente algumas delas.

A importância de se distanciar do que deseja o coração tem sido freqüentemente expressada em termos de retirar-se para o"deserto" de solidão, onde os desejos são purificados. O mesmo ponto foi observado no Ocidente por meio do direcionamento dos cristãos à renúncia de todas as distrações que se sobrepõem ao "cone" ou "ápice" de sua alma, e, no Oriente, mediante a exigência da "apatheia" (que não significa impassibilidade interior, mas o domínio próprio que redireciona a paixão para a busca de Deus). Agostinho, Bernardo e Thomas à Kempis, Inácio de Loyola e Francisco de Sales; e puritanos, como Richard Sibbes, Richard Baxter, Thomas Goodwin e John Owen, com muitos outros antes e depois deles, mapearam os caminhos do pensamento e da oração que separam o desejo do apelo magnético deste mundo para atrelá-lo mais firmemente a Deus, em Cristo.

Por um lado, o relacionamento entre a meditação verbal e a petição, e, por outro, a contemplação e o entregar-se pós - e não - verbal ao Senhor, a quem se conhece, confia e ama, foi explorado por mestres do "casamento espiritual", que desenvolveram a analogia da linguagem e comunhão do amor entre os sexos e a aplicaram ao relacionamento de uma pessoa com Deus. Na mesma relação, os cistercienses, franciscanos e outros enfatizaram as ligações entre a contemplação amorosa de Deus e a ação compassiva entre homens e mulheres, enquantoJonathan Edwards, em seu livro Tratado sobre Afeição Religiosa, estabelece testes que mostram se sentimentos fortes em um contexto de devoção são ou não autenticamente espirituais (resultantes da obra do Espírito Santo no coração).Toda esta instrução procura, de qualquer forma, indicar o caminho que conduz àquela satisfação em Deus, que é o supremo valor e glória da vida.

Desejos Frustrados

Outras apresentações clássicas foram feitas sobre o uso de Deus da disciplina de indiferença e do desejo temporariamente frustrado como uma maneira de fortalecer a vida interior de seus servos. Teresa de Ávila e João da Cruz descreveram etapas ou fases diferentes na vida de oração, incluindo as "trevas da alma"que podem preceder a alegria da união observada com Deus. O ensino dos puritanos sobre o "abandono espiritual" foi substancialmente o mesmo que o apresentado pelos dois místicos espanhóis que acabamos de citar.

Deus traz a indiferença, com uma conseqüente inquietação do coração, para induzir a um novo aprofundamento em humildade, uma esperançosa abertura para si, que ele coroa com uma reafirmação que libera e anima o seu amor - que vai além de qualquer coisa que já se sentiu. Como a humilhação e a dor de Cristo na cruz precederam sua exaltação para o gozo de seu trono, assim, repetidamente, experiências humilhantes de impotência e frustração precedem a renovação interior, com uma sensação de triunfo e glória, no coração do cristão. Em conseqüência, o nosso Pai Celestial, com uma sabedoria adaptada a cada temperamento, circunstância e necessidade do cristão, chama e traz seus filhos para mais perto de si. Pense nas palavras de Paulo e do salmista sobre este tema:

Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhe¬cimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para conseguir Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer... (Fp 3.7-10)

Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre. (SI 73.25,26)

Estas declarações são transcrições clássicas de um coração genuinamente santo. O redirecionamento do desejo, de modo que ele se concentre na comunhão com o Pai e o Filho, e o fortalecimento desse desejo assim redirecionado, é a verdadeira essência da santidade. Todas as formas maduras de santidade cristã, ensinadas no decorrer dos séculos, iniciaram-se aqui, vendo isto como o verdadeiro fundamento de todas as coisas na vida cristã e insistindo que o único povo verdadeiramente santo é aquele que tem paixão por Deus. Nós, hoje, temos de começar aqui também.