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domingo, 19 de dezembro de 2010

Excluído da Igreja por ser calvinista!!


Pergunta enviada por uma leitora de nosso blog, membra das Assembléias de Deus, e que teve um amigo excluído por sua fé reformada:

"...faz mais ou menos um mês que um amigo meu de Santa Catarina me disse sobre o Calvinismo (o mesmo até foi expulso de sua própria igreja por ser calvinista),mas enfim,custou um pouco para eu compreender,mas até que compreendi um pouco.Mas eu quero por favor te pedir para me explicar de uma forma simples e correta,as diferenças do Calvinismo e do Arminianismo..."
Olá, irmã B..., paz de Cristo!

A perseguição contra o Calvinismo, infelizmente, é bem comum, especialmente nos círculos pentecostais, onde vivemos. Mas, nunca vi nada tão extremo como uma exclusão. 

Acredito que boa parte do preconceito contra nossa confissão de fé, advém da falta de conhecimento da nossa doutrina. Por exemplo, já perdi a conta de quantas vezes em pregações, ou na EBD, ouvi gente 'descer a lenha' no Calvinismo, pois, segundo alegam, seria nosso ensino favorável a uma vida cristã licenciosa, sem compromisso; em outras palavras, imaginam o Calvinismo como sendo um "carta branca" para o eleito pecar!

Tal confusão é até compreensível, mas não desculpável. É compreensível, pois eles se confundem com um dos nosso Cinco Pontos; estou falando, daquele que fala sobre a Perseverança do Santos, que deu origem ao adágio popular "Uma vez salvo, salvo para sempre". Eles interpretam errado esta doutrina, como se a mesma afirmasse que o eleito será salvo ainda que viva de modo completamente dissoluto, e apartado da Lei do Senhor. Que engano!

Há  um grave equivoco teológico neste preconceito: a expressão perseverança dos santos, por si só, já indica que o Calvinismo acredita que os eleitos perseverarão até o fim! Perseverar tem haver com manter-se no caminho, e não com apostatar-se e ainda ser salvo! Mas, eles se confundem, e não podem ser desculpados muito facilmente, já que bastaria consultar confissões de fé reformadas, como a Westminister, por exemplo, para desfazer-se de tal compreensão enganosa.

Agora, sobre a diferença entre o sistema Arminiano e o Calvinista, eu lhe sugiro pensar em outras duas palavras, ainda mais complicadas que estas duas. Parece extranho tentar explicar termos difíceis, e suas relações, apelando para termos ainda mais difíceis, riso. Mas, estou certo de que a irmã conseguirá acompanhar o raciocínio, e poderá até abrir ainda mais a sua jornada pelo fascinante mundo da Teologia. Anote dois termos em seu vocabulário: "Sinergismo" e "monergismo".

Vamos a algumas breves explicações.

Sinergismo - a irmã certamente já ouviu falar em Sinergia. Ela é muito utilizada para as relações entre líderes e suas equipes no ambiente profissional. Não é o único uso, mas este nos serve de ilustração. Sinergia seria a interação das partes, que cooperam entre si, cada um auxiliando a outra, fazendo sua parte, a fim de obter um fim comum. Na Teologia, descreve-se o Arminianismo como ensinando uma Salvação Sinergista. 

Ou seja, para o Arminianismo, ser salvo depende das ações de duas partes, Deus e Homem. Deus quer salvar todos, mas salvará apenas aqueles que cooperarem com sua Graça. No sistema Arminiano, a salvação depende das obras humanas: crer, perseverar, mortificar a carne, enfim. É, por isso, também descrita como um tipo de Teologia da Retribuição: eu quero algo de Deus, mas Deus apenas faria tal por mim, se eu lhe agrado primeiro. Deus me retribui, tendo por base as minhas ações (obras).

Monergismo - aqui temos exatamente o oposto do Sinergismo. Trata-se da crença em um Deus que é Soberano sobre tudo, e todos. Tudo e todos mesmo, incluindo a vontade humana, e a salvação dos homens. 

Deus, então, não tentou salvar um homem chamado Marcelo Lemos - Deus o salvou, na Cruz; e quando chegou o devido tempo - também definido por Deus - Ele chamou este pecador, por meio da pregação; o tem santificado dia após dia, pelos meios da graça; e o conduzirá em segurança para o céu. 

Eu, Marcelo, respondi, e respondo, positivamente a tal chamado; porém, não por minhas próprias forças, méritos e capacidades pessoais. Minha respota, e a sua, nasce sempre da própria Graça de Deus, que me dá vida!

"E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência.
Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus" - Efésios 2.1-8.
Neste texto, Paulo fala que aqueles que agora são salvos, antes de o serem, eram exatamente iguais aos não salvos. Não havia nenhuma diferença entre mim e o meu vizinho incrédulo, assim como ele, eu estava "morto em delitos e pecados", completamente incapaz de mudar o curso da minha História, e escapar do Inferno inevitável. Tudo que eu sabia fazer, assim como os demais, era estar a serviço da minha Natureza Pecaminosa, que era o meu senhor: "...noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência.Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também".
Ora, mas se era este o meu antigo estado moral e espiritual, e se era tamanha a minha incapacidade de mudar, e torna-me aceitável a Deus, como é possível que eu seja, hoje, um novo homem? Os Arminianos - SINERGISTAS - responderam que, de algum modo, eu fiz o que era certo ao ouvir a Pregação do Evangelho! 
É uma resposta agradável ao nosso ego, todavia,  as Escrituras dizem que única razão que me fez diferente, é a Graça Soberana de Deus: 
"... Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pelasua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus".
Eis a diferença principal entre estes dois sistemas de Teologia: o Arminianismo prega um Deus que quer salvar, mas não pode fazê-lo efetivamente, até que o homem coopere com Sua Graça (sinergismo). O Calvinismo, por sua vez, ensina que Deus salva, por Graça, aqueles que nada podem fazer por sua salvação pessoal, mas que foram amados com Seu amor eletivo. Os salvos, que nada podiam fazer, foram regenerados, santificados e preservados por Deus (monergismo).
Espero ter respondido; mas fique a vontade para enviar outras dúvidas, ou sugestões.

Doutor Bíblia Responde. Envie suas perguntas para marcelolemos.editor@hotmail.com. Para acessar os demais artigos da série clique AQUI.

Sobre o editor: Marcelo Lemos Gonçalves é Bacharel em Teologia, pastor,apaixonado por pregação, liturgia, anglicanismo e escola dominical. Casado, com Meirelene Gonçalvez,  é pai de dois filhos, Yago e Yuri; e nas horas nada vagas, atua como blogueiro. De vez em quando, acha que sabe fritar pastéis, fazer churrasco e escrever artigos.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Breve Histórico das Origens do Arminianismo - Rev. Ewerton Barcelos Tokashiki



Jacob van Harmazoon (1560-1609), ou como é conhecido por seu nome latinizado Jacobus Arminius, nasceu em Oudewater na Holanda. Primeiro estudou teologia na Universidade Marburg em Leyden (1575-1581), também estudou em Basiléia (1582-1583), e posteriormente na Academia de Genebra na Suíça (1584-1586), onde recebeu aulas do próprio reformador Theodoro Beza, sucessor de João Calvino. 

A Igreja Estatal Holandesa havia adotado a doutrina Reformada. Em 1618, endossou como seus Símbolos de Fé: a Confissão Belga [1] e o Catecismo de Heidelberg. [2] Inicialmente foram usados apenas como livros de instrução. Mas ao serem adotados como documentos representantes da fé do Estado Holandês, trouxe muito desconforto para aqueles que advogavam manter a antiga fé Católica, ou, uma postura mais tolerante. 

A Holanda por causa do seu desenvolvimento humanista advogava a liberdade de pensamento. Um dos maiores humanistas holandeses no início da Reforma era Desidérius Erasmus (1466-1536), mais conhecido como Erasmo de Rotterdam, que mesmo fazendo duras críticas a Igreja Católica Romana, morreu como seu submisso filho. [3]

Os Países Baixos ainda estavam sendo minados pelo Semipelagianismo. Mas, Arminius foi escolhido pelo Sínodo holandês em 1589, para defender a doutrina oficial da Igreja Reformada Holandesa. Dirk Coornhert que naquele período era o secretário geral dos Estados Gerais, não havia aderido às doutrinas da Reforma. Arminius que era um filho da Igreja Reformada Holandesa foi indicado para se opor aos ataques teológicos semipelagianos de Coornhert. Entretanto, Arminius não foi feliz em sua defesa. [4] A partir desse debate Arminius começou a questionar e nutrir dúvidas acerca do seu Calvinismo. 

Durante o pastorado da Igreja Reformada de Amsterdã (1588-1603), Arminius realizou uma exposição na epístola de Romanos analisando os capítulos 7-9. Nestas palestras ele questionou a interpretação calvinista desta passagem, preferindo uma forma de Semipelagianismo modificada, o que veio a chamar-seArminianismo . 

Em 1603, Arminius foi nomeado professor de divindade (teologia sistemática) na Universidade de Leyden. Esta era a mais antiga universidade da Holanda. Sua nomeação ocorreu por basicamente três motivos; primeiro, por causa de sua família, que ocupava uma posição proeminente entre a aristocracia holandesa; segundo, possuía muitos amigos, inclusive membros da igreja de Amsterdã que lhe apoiavam; terceiro, o seu currículo acadêmico era inquestionável. Lecionou ali até a sua morte. Durante esse período letivo, Arminius sistematizou seu pensamento fazendo muitos discípulos e simpatizantes políticos. 

Franciscus Gomarus que, primeiramente, foi professor de Arminius, tornou-se seu principal inimigo. Todos os que defendiam a posição calvinista, ficaram conhecidos, naquele período na Holanda, como gomaristas. Gomarus foi uma figura decisiva no Sínodo de Dort, em defesa da opinião calvinista. 

A Igreja Oficial Holandesa era confessionalmente calvinista. Os teólogos e partidários de Arminius não admitiam a limitação confessional, e procuravam obter a revisão dos credos oficiais. Isso causou um transtorno de difícil resolução, pois ambos teólogos, tanto Gomarus como Arminius, possuíam influentes simpatizantes na política estatal holandesa.[5]

A República dos Estados Gerais [6] se encontrava perto de uma cisão. Quando a discussão saiu de dentro das salas da Universidade de Leyden, indo para os púlpitos e em seguida para o parlamento, o caso agravou-se. Ricardo Cerni comenta que 

no sombrio marco desta questão ressuscitou um antigo problema sócio-político polarizado na rivalidade existente entre Maurício de Nassau (filho de William de Orange, e o protetor do proletariado), e Jan Barnevelt, um dos fundadores da república e líder da alta burguesia. Em geral, esta classe social era partidária da postura arminiana, e usando de sua evidente influência política conseguiram, através de Hugo Groot (Grotius, 1583-1645) a publicação de um Edito para que se proibisse nas igrejas a pregação de temas “controvertidos”, incluindo, obviamente, a questão da predestinação. Os calvinistas ortodoxos protestaram imediatamente estimando aquele que era um ato de verdadeira perseguição. [7]

Era um risco muito delicado para a Holanda, principalmente naquele momento, pois a guerra com a Espanha não havia terminado. Maurício de Orange, que era o Conde de Nassau, percebeu claramente o perigo da República Holandesa perder a sua unidade, e resolveu usar a sua influência como governador-geral, quebrando o poder das autoridades partidárias de Arminius. De forma decisiva em 1617, Maurício de Orange desarmou as tropas dos magistrados arminianos, e no mesmo ano decidiu convocar um sínodo. 

O problema teológico de Arminius tinha as suas raízes em sua teontologia [8]. As suas conclusões acerca da salvação, não eram resultados apenas de um conceito errado de livre arbítrio, ou do modus operandi da livre graça de Deus, e sim, do seu conceito acerca da Trindade. Arminius falando do seu conceito da divindade de Cristo e do Espírito, afirma que “esta maneira de falar é nova, herética e sabeliana, e em si, é blasfemo dizer que o Filho de Deus é homoousios (da mesma essência) porque somente o Pai é verdadeiro Deus, o Filho e o Espírito não o são.” [9] Além de demonstrar certa deficiência na área de teologia histórica, a sua teontologia resulta conseqüentemente num Unitarismo. [10] 

A conseqüência dessa teologia em tom unitarista, unida a um conceito errôneo de livre arbítrio é que a sua Soteriologia [11] e todas as demais divisões da dogmática, coerentemente, sofreram modificações bastante significativas. Não é de se estranhar que os discípulos de Arminius distanciaram-se do seu tom protestante original. Os nomes de teólogos arminianos como “Episcopius, Grocius, Curcellaeus, Limborch, e sua elaboração de imponentes volumes, do material dogmático, não conseguem esconder o achatamento de todas as grandes doutrinas, e suas tendências crescentes em direção a Ário, a Pelágio e a Socínio”. [12] 

O próprio Arminius era inconsistente em sua teologia. Embora negava os quatro primeiros pontos do Calvinismo, ele incoerentemente aceitava o quinto. Numa obra chamada Declaração dos Sentimentos (1608) ele defende que Deus possui quatro tipos de decretos, sendo que o quarto “Deus decretou a salvação de certos indivíduos específicos – porque Ele anteviu que eles creriam e perseverariam até o fim”. [13]

Com o propósito de tornar sua teologia mais coerente os remonstrantes também negaram em seu quinto ponto a doutrina da Perseverança Final, conforme exposta pelo Calvinismo. Em sua avaliação sobre o assunto, Wright afirma que 

ele [Arminius] continuou até a crer na segurança eterna dos santos, embora este último aspecto do calvinismo tenha sido abandonado pelos seus seguidores entre os Remonstrantes, poucos anos após a sua morte, enquanto procuravam desenvolver uma teologia mais consistente sobre a graça universal.[14]

Após a morte de Arminius (1609) os seus seguidores, aproximadamente 46 teólogos, se reuniram na cidade de Gouda. Apresentaram um documento chamadoArticuli Arminiani sive Remonstrantia (1610). Neste documento demonstravam que tipo de teologia esposavam em protesto à religião oficial do Estado. 

Após este incidente a Igreja foi obrigada a se declarar com maior clareza acerca destes novos pontos doutrinários através dos Cânones de Dort em reação aos arminianos. O sínodo reuniu-se na cidade de Dordrecht, em 13 de novembro 1618, até 9 de Maio de 1619. Era formado de teólogos não somente holandeses, mas também procedentes de outras partes da Europa. [15] Haviam trinta e cinco teólogos, um grupo de presbíteros das igrejas holandesas e participantes provindos da Grã Bretanha, Eleitorado do Palatinado, Helvétia, República de Genebra, Bremen, Bélgica, Zutânia, Austrália, Nova Zelândia, Frísia, Transilvânia, Groningen, Drentia, Gálica-Belga, Hesse, Suíça, Bradenburg, Utrecht e Balcanquall. 

Os remonstrantes também foram convocados para estarem no Sínodo. Estavam presentes Simon Episcopius professor de teologia em Leyden, o sucessor de Arminius, e mais doze teólogos arminianos. Contudo para eles o sínodo 

não passava de uma conferência e eles negavam competência para agir como um tribunal em questões de doutrina. Eles não queriam ser tratados como réus. A tática do grupo arminiano era a de obstruir as reuniões do sínodo com debates formais. O Sínodo queria discutir os artigos da “Remonstrância”, mas o grupo arminiano se recusava a expor claramente sua posição doutrinária. Após quatro semanas de debates inúteis, o presidente do sínodo dispensou o grupo de arminianos. Com isto o sínodo passou a julgar a doutrina arminiana com base em seus escritos. Os cinco artigos dos arminianos foram discutidos e uma comissão preparou o texto dos “cânones” ou regras de doutrina em que se condenava a doutrina arminiana e se expunha a doutrina reformada. [16]

O Sínodo holandês ratificou a sua fé Reformada (calvinista). Os remonstrantes insatisfeitos reagiram com um manifesto contra a decisão do Sínodo. O resultado desse manifesto foi a expulsão dos ministros arminianos das igrejas Reformadas e a morte de muitos deles.


NOTAS:
[1] - Escrito por Guy de Brés, em 1561.
[2] - Escrito por Caspar Olevianus e Zacharias Ursinus, em 1563.
[3] - Justo L. Gonzalez, Uma História do Pensamento Cristão: Da Reforma ao Século 20 (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 2004), p. 27.
[4] - Ricardo Cerni, Historia Del Protestantismo (Edinburgh, El Estandarte de la Verdad, 1992), p. 127
[5] - Lembrando que a Igreja Reformada e o Estado se encontravam entrelaçadas desde o início da Reforma, e uma heresia, não era simplesmente um erro, ou discordância doutrinária, mas também um crime político contra o Estado.
[6] - Esse era o nome que designava os Países Baixos.
[7] - Ricardo Cerni, História del Protestantismo, , pp. 127-128.
[8] - Estudo do Ser, Atributos e Obras de Deus.
[9] - James Arminius, The Works of James Arminius, vol. 1, p. 335 citado por Paul K. Jewett, Elección y Predestinación (Jenison, TELL, 1992), p. 29.
[10] - Sistema doutrinário que nega a Trindade, afirmando que Deus é apenas um Ser e uma só Pessoa.
[11] - Doutrina da salvação.
[12] - James Orr, El Progresso del Dogma (Terrassa, CLIE, 1988), p. 239.
[13] - Tony Lane, Pensamento Cristão (São Paulo, Abba Press, 1999) p. 24.
[14] - R.K. Mc Gregor Wright, A Soberania Banida (São Paulo, Ed. Cultura Cristã), p. 31.
[15] - Albert H. Newman, A Manual of Church History, vol. II, p. 347
[16] - Os Cânones de Dort (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 1998), p. 11.

Fonte: Monergsimo

sábado, 7 de agosto de 2010

A Fé Reformada e o Arminianismo - John Murray



O Arminianismo deriva seu nome de Tiago Armínio (Jacobus Arminius), um ministro da Igreja Reformada na Holanda, que viveu de 1560 a 1609. Ele se tornou Professor de Teologia na Universidade de Leyden, em 1603. Foi particularmente durante o período de sua atividade como professor em Leyden que ele deu expressão aos rompimentos com a Fé Reformada, os quais desde então têm sido associados ao seu nome. Armínio morreu em 1609, mas ele deixou discípulos que continuaram a ensinar e desenvolver suas doutrinas.

Em 1610, um documento conhecido como o “Remonstrance” [protesto, censura], e freqüentemente chamado de “Os Cinco Artigos Arminianos”, foi assinado por 46 ministros e apresentado às autoridades civis das Províncias Unidas. Esses artigos apresentam a doutrina dos “Remonstrantes” ou Aminianos, como eles vieram a ser chamados, nos assuntos da predestinação, a extensão da expiação, a causa da graça salvadora e a perseverança. Esses artigos eram tantos negativos como positivos - eles negavam uma doutrina e afirmavam outra.

Nos estágios iniciais da controvérsia, o significado e a implicação precisa de alguns dos pontos não se tornaram explícitos; mas, à medida que o conflito precipitado pelos Remonstrantes se desenvolveu, tornou-se evidente que os cinco pontos da Fé Reformada que os Arminianos estavam particularmente insistindo em negar eram: predestinação incondicional, expiação limitada, depravação total, graça irresistível e a perseverança dos santos. Os Calvinistas afirmavam estes e os Arminianos negavam.

Estes cinco pontos não definem para nós o que a Fé Reformada ou o Calvinismo é. A Fé Reformada é um sistema de verdade e é muito mais abrangente do que quaisquer cinco pontos que possam ser enumerados, embora os mesmos sejam importantes e essenciais nele. Contudo, nestes cinco pontos atacados pelos Arminianos, o sistema da verdade conhecido como Calvinismo pode-se dizer ser consolidado. Eles expressam o que este sistema é, em oposição ao sistema Arminiano ou qualquer outro sistema que, de forma similar, lhe for oposto. Eles sempre continuarão a ser pontos decisivos, nos quais o conflito é unido com qualquer sistema de pensamento, que é movido por uma inclinação Arminiana, e dirigida pelos mesmos princípios básicos.

Nenhum de nós pensará que o erro do Arminianismo está confinado a estes cinco pontos. O Arminianimo é uma teologia, e a diferença entre esta teologia e a teologia da Igreja Reformada se expressa em muitos outros pontos. O erro da teologia Arminiana é, contudo, resumido naqueles cinco pontos; e assim, a grande parte da controvérsia no passado está, de uma forma totalmente justificável, relacionada às doutrinas enunciadas neles. Que isto é verdade na realidade, tem sido demonstrado pela história.


Predestinação Incondicional 

O primeiro artigo do Remonstrance de 1610 concerne à predestinação. Todos os antigos Reformadores estavam substancialmente de acordo com a doutrina da predestinação. Foi somente na Igreja Reformada, contudo, que a doutrina da predestinação absoluta, sustentada tanto Lutero como por Calvino, continuou a ser sustentada e defendida. O que isto significa?

Não podemos responder melhor do que citando a Confissão de Fé de Westminster, capítulo III:


I. Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas.

III. Pelo decreto de Deus e para manifestação da sua glória, alguns homens e alguns anjos são predestinados para a vida eterna e outros preordenados para a morte eterna.

IV. Esses homens e esses anjos, assim predestinados e preordenados, são particular e imutavelmente designados; o seu número é tão certo e definido, que não pode ser nem aumentado nem diminuído.



V. Segundo o seu eterno e imutável propósito e segundo o santo conselho e beneplácito da sua vontade, Deus antes que fosse o mundo criado, escolheu em Cristo para a glória eterna os homens que são predestinados para a vida; para o louvor da sua gloriosa graça, ele os escolheu de sua mera e livre graça e amor, e não por previsão de fé, ou de boas obras e perseverança nelas, ou de qualquer outra coisa na criatura que a isso o movesse, como condição ou causa.

Esta declaração da doutrina foi formulada pelos teólogos de Westminster em 1645, mas ela é justamente a bem articulada expressão credal da doutrina sustentada pelos antigos Reformadores, conservada na Igreja Reformada, e atacada pelos Arminianos. O importante da primeira seção citada é justamente isto: que o curso completo da história universal, desde o princípio ao fim, em toda sua extensão e mínimos detalhes, está envolvido no plano e decreto de Deus; que tudo o que ocorre, grande ou pequeno, bom ou mal, Deus desde a eternidade imutavelmente determinou que aconteceria.

Não é, contudo, em relação à total abrangência do decreto de Deus que o conflito com o Armiano em primeira instância se relaciona. É em relação a como este decreto interfere sobre os destinos dos seres racionais, e mais particularmente sobre os destinos dos homens; em outras palavras, como o decreto se torna operativo na predestinação para a vida de alguns da humanidade e a pré-ordenação para a morte de outros. Mas, a doutrina dos decretos gerais interfere diretamente sobre a questão dos destinos dos homens. Se Deus livremente e imutavelmente ordena tudo quanto acontece, e se ocorre que alguns homens são salvos e outros perecem, então ele tem livremente e imutavelmente ordenado estes fatos, tão bem como os outros. Se o Arminiano nega o último, ele deve negar o primeiro.

A predestinação para a vida e a pré-ordenação para morte significa substancialmente que desde toda eternidade Deus, soberanamente, de acordo com o conselho de Sua vontade, escolheu ou elegeu um número definido de indivíduos da raça humana para a vida eterna, que Ele os elegeu individualmente, e que ao fazer esta eleição ele não estava condicionado pela sua previsão de fé ou boas obras ou perseverança em ambos, mas que a eleição foi determinada por aquele soberano beneplácito que encontra todo seu fundamento e explicação em si mesmo e em nada mais. Em outras palavras, Deus por um decreto absoluto, incondicional e imutável, determinou a salvação de certas pessoas como resultado da livre graça e amor, e que de acordo com este decreto ele executa o propósito de sua graça e amor. Aos outros não eleitos, pelo exercício do mesmo soberano beneplácito, ele decretou ignorá-los e ordená-los à destruição eterna, como recompensa pelos seus pecados.

É esta a doutrina que o Arminianismo nega. Nas palavras de Tiago Armínio: “Deus não predestinou absolutamente qualquer homem para a salvação; mas ele tem em seu decreto lhes considerado como crentes”. É peculiarmente importante que este fato seja apreciado. O princípio fundamental do Arminianismo neste artigo de fé é a negação da doutrina apresentada nos símbolos Reformados. Também, freqüentemente a significação e a importância disto são obscurecidas pelo apelo da parte dos Arminianos para o lado positivo de seu ensino. Nós não devemos permitir este obscurecimento. O Arminianismo começa com a negação, a recusa da doutrina da soberana eleição incondicional. Embora a elaboração positiva da posição Arminiana possa incorporar muita verdade, de maneira alguma o Arminianismo deixa de ser uma negação da eleição incondicional, porque este é o centro da questão. Todos que negam a eleição incondicional, negam um aspecto da verdade que é da essência da doutrina Reformada.

A posição Arminiana envolve, como temos já citado, mais do que negação. A Remonstrance diz assim: “Artigo I. Que Deus, por um eterno propósito imutável, em Jesus Cristo seu Filho, antes da fundação do mundo, tem determinado dentre a raça humana caída e pecaminosa, salvar, em Cristo, e por amor de Cristo, aqueles que, através da graça do Espírito Santo, crerem neste seu Filho Jesus, e perseverarem nesta fé e obediência da fé, através de sua graça, até o fim”.

Num exame superficial, pode parecer que não há diferença essencial entre isto e a posição apresentada pelos símbolos Reformados. Não fala ele de um eterno e imutável propósito de Deus, pelo qual ele determina salvar todos aqueles que crerem em seu Filho e perseverarem até o fim? Certamente fala, e ninguém nesta controvérsia negará que o dito é verdade. Deus eternamente e imutavelmente determinou salvar todos aqueles que crêem e perseveram na santidade até o fim. Mas há um abismo de diferença entre o que os Arminianos aqui afirmam e o que os Calvinistas afirmam.

A diferença é justamente esta. O Calvinista afirma que Deus eternamente e imutavelmente decretou a salvação de certas pessoas, as quais ele soberanamente distingue por este decreto, daquelas que não foram ordenadas para salvação. De acordo com este decreto de salvação, ele decreta os fins para sua realização, e assim decreta dar fé e perseverança à todos aqueles predestinados para salvação. O Arminiano nega a existência de tal decreto sobre a salvação de indivíduos, e o que ele afirma é que Deus decreta ou propõe salvar todos aqueles que crêem e perseveram na fé e obediência até o fim. No primeiro caso, há a eterna destinação à salvação de pessoas, que são os objetos da soberana eleição de Deus; no último caso, há o divino propósito de salvar a classe caracterizada pela fé e perseverança. Em última análise, a primeira é a eleição de pessoas, a última é a eleição de qualidades com a condição de que todos que exibam estas qualidades serão salvos.

Alguns Arminianos sob a tensão da discussão, e também em cima de fundamentos exegéticos, percebem a inadequabilidade da posição precedente, e assim, eles dizem que Deus não somente decretou salvar todos que crêem, mas que ele também elegeu todos que crêem. Há, portanto, eles dizem, uma eterna e imutável eleição de indivíduos, cujo número é certo, uma eleição de fato de todos aqueles que finalmente serão salvos. Alguns podem estar dispostos a dizer que isto é exatamente o ensino dos símbolos Reformados. Uma pequena investigação revelará a falácia disto.

A marca distintiva do Calvinismo é a eleição incondicional, e isto é exatamente o que este alto gênero de Arminianismo vigorosamente nega. Ele professa realmente uma eleição fixa e imutável de indivíduos. Mas o que isto significa é que, visto que Deus decreta salvar todos os que crêem e, visto que ele conhece perfeitamente de antemão e desde toda a eternidade quem irá crer, ele, com base nesta previsão, como fundamento e causa, elege estes indivíduos para a vida eterna. Deus elege todos que ele previu que creriam e perseverariam até o fim. Sua eleição então, é determinada por sua previsão de algumas diferenças que viriam a existir entre os homens, uma diferença que ele mesmo não causou, mas que em última análise é devida à soberana escolha por parte da vontade humana. O fator determinante neste tipo de eleição então, não é o soberano beneplácito incondicional de Deus, mas a decisão da vontade humana que Deus desde a eternidade previu. Eleição não é a origem, mas a fé prevista é feita a origem ou condição da eleição.

Em um exame minucioso será evidente que isto não é divina eleição de forma alguma. A soberana determinação de Deus é destronada em um ponto vital, porque a determinação final da discriminação que existe entre os homens é considerada como algo existente nos homens, e não no soberano beneplácito de Deus. Sem dúvida, este tipo de Arminianismo que inicialmente parece ser igual à posição Reformada, somente serve para mostrar claramente a total diferença entre os dois sistemas. A eleição ensinada na Igreja Reformada é a eleição para salvação e para vida eterna e, portanto, também para a fé e todas as outras graças como os meios ordenados por Deus para a realização do seu soberano decreto. A eleição não é, então, condicionada à fé, mas a fé é o fruto da eleição. Deus soberanamente opera fé nos homens porque ele tem em seu eterno conselho lhes ordenado para a salvação. A fé não é a lógica prévia da eleição, mas a eleição é a prévia e eterna origem da fé. O Arminianismo em sua melhor forma, nega todas estas proposições.

A negação da eleição incondicional ataca o coração da doutrina da graça de Deus. A graça de Deus é absolutamente soberana, e cada fracasso em reconhecer e apreciar a absoluta soberania de Deus em sua graça salvadora, é uma expressão do orgulho do coração humano. Esta negação baseia-se sob a demanda de que Deus pode tratar diferentemente com os homens, no assunto da salvação, somente porque eles, por si sós, se fazem diferentes. Em seus elementos finais, significa que o fator determinante na salvação é o que o homem por si só faz, e o que é justamente equivalente a dizer que não é Deus quem determina a salvação dos homens, mas os homens determinam sua própria salvação; não é Deus que salva, mas o próprio homem se salva. Este é precisamente o caso.

Fonte: [Ortopraxia]

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Arminianismo X Calvinismo

Quadro Comparativo:


ARMINIANISMO X CALVINISMO

Categoria

Arminianismo

Calvinismo


1. Livre-Arbítrio ouCapacidade 
Humana

1. Incapacidade Total ou
Depravação Total

Depravação Total

(Is.55:7; Mt.25:41-46; Mc.9:47-48;
Rm.14:10-12; 2Co.5:10)

Embora a queda de Adão tenha afetado seriamente a
natureza humana, as pessoas não ficaram num estado de total incapacidade
espiritual. Todo pecador pode arrepender-se e crer, por livre-arbítrio,
cujo uso determinará seu destino eterno. O pecador precisa da ajuda do
Espírito, e só é regenerado depois de crer, porque o exercício da fé é a
participação humana no novo nascimento.

O homem natural não pode sequer apreciar as coisas de
Deus. Menos ainda salvar-se. Ele é cego, surdo, mudo, impotente, leproso
espiritual, morto em seu pecado, insensível à graça comum. Se Deus não
tomar a iniciativa, infundindo-lhe a fé salvadora, e fazendo-o ressuscitar
espiritualmente, o homem natural continuará morto eternamente.
(Sl.51:5; Jr.13:23; Rm.3:10-12; 7:18; 1Co.2:14; Ef.1:3-12;
Cl.2:11-13)


2. Eleição Condicional

2. Eleição Incondicional

Eleição Incondicional

(Dt.30:19; Jo.5:40; 8:24;
Ef.1:5-6,12; 2:10; Tg.1:14; 1Pe.1:2; Ap.3:20;
22:17)

Deus escolheu as pessoas para a salvação, antes da
fundação do mundo, baseado em Sua presciência. Ele previu quem aceitaria
livremente a salvação e predestinou os salvos. A salvação ocorre quando o
pecador escolhe a Cristo; não é Deus quem escolhe o pecador. O pecador
deve exercer sua própria fé, para crer em Cristo e ser salvo. Os que se
perdem, perdem-se por livre escolha: não quiseram crer em Cristo,
rejeitaram a graça auxiliadora de Deus.

Deus elegeu alguns para a salvação em Cristo, reprovando
os demais. Aos eleitos Deus manifesta a Sua misericórdia e aos reprovados
a Sua justiça. Deus não tem a obrigação de salvar ninguém, nem homens nem
anjos decaídos. Resolveu soberanamente salvar alguns homens (reprovando
todos os demais) e torná-los filhos adotivos quando eram filhos das
trevas. Teve misericórdia de algumas criaturas, e deixou as demais
(inclusive os demônios) entregues às suas próprias paixões pecaminosas. A
salvação é efetuada totalmente por Deus. A fé, como a salvação, é dom de
Deus ao homem, não do homem a Deus.(Ml.1:2-3; Jo.6:65; 13:18;
15:6; 17:9; At.13:48; Rm.8:29, 30-33; 9:16; 11:5-7; Ef.1:4-5; 2:8-10;
2Ts.2:13; 1Pe.2:8-9; Jd.4)


3. Redenção Universal ou Expiação Geral

3. Redenção Particular ou Expiação 
Limitada

Expiação Limitada

O sacrifício de Cristo torna possível a toda e qualquer
pessoa salvar-se pela fé, mas não assegura a salvação de ninguém. Só os
que crêem nEle, e todos os que crêem, serão salvos.(Jo.3:16;12:32; 17:21; 1Jo.2:2; 1Co.15:22; 1Tm.2:3-4; Hb.2:9; 2Pe.3:9;
1Jo.2:2)

Segundo Agostinho, a graça de Deus é "suficiente para
todos, eficiente para os eleitos". Cristo foi sacrificado para redimir Seu
povo, não para tentar redimi-lo. Ele abriu a porta da salvação para todos,
porém, só os eleitos querem entrar, e efetivamente entram.
(Jo.17:6,9,10; At.20:28; Ef.5:15;
Tt.3:5)


4. Pode-se Efetivamente Resistir ao Espírito 
Santo
4. A Vocação Eficaz do Espírito
ou Graça Irresistível

Graça Irresistível
(Lc.18:23; 19:41-42; Ef.4:30;
1Ts.5:19)

Deus faz tudo o que pode para salvar os pecadores. Estes,
porém, sendo livres, podem resistir aos apelos da graça. Se o pecador não
reagir positivamente, o Espírito não pode conceder vida. Portanto, a graça
de Deus não é infalível nem irresistível. O homem pode frustrar a vontade
de Deus para sua salvação.
(Jr.3:3; 5:24; 24:7; Ez.11:19; 20; 36:26-27; 1Co.4:7;
2Co.5:17; Ef.1:19-20; Cl.2:13; Hb.12:2)

A graça de Deus é infalível: acaba convencendo o pecador
de seu estado depravado, convertendo-o, dando-lhe nova vida, e
santificando-o. O Espírito Santo realiza isto sem coação. É como um rapaz
apaixonado que ganha o amor de sua eleita e ela acaba casando-se com ele,
livremente. Deus age e o crente reage, livremente. Quem se perde tem
consciência de que está livremente rejeitando a salvação. Alguns
escarnecem de Deus, outros se enfurecem, outros adiam a decisão, outros
demonstram total indiferença para as coisas sagradas. Todos, porém, agem
livremente.


5. Decair da Graça

5. Perseverança dos Santos

Perseverança dos Santos

(Lc.21:36; Gl.5:4;
Hb.6:6; 10:26-27; 2Pe.2:20-22)

Embora o pecador tenha exercido fé, crido em Cristo e
nascido de novo para crescer na santificação, ele poderá cair da graça. Só
quem perseverar até o fim é que será salvo.

(Is.54:10; Jo.6:51; Rm.5:8-10;
8:28-32, 34-39; 11:29; Fp.1:6; 2Ts.3:3; Hb.7:25)

Alguns preferem dizer "perseverança do Salvador". Nada há
no homem que o habilite a perseverar na obediência e fidelidade ao Senhor.
O Espírito é quem persevera pacientemente, exercendo misericórdia e
disciplina, na condução do crente. Quando ímpio, estava morto em pecado, e
ressuscitou: Cristo lhe aplicou Seu sangue remidor, e a graça salvífica de
Deus infundiu-lhe fé em para crer em Cristo e obedecer a Deus. Se todo o
processo de salvação é obra de Deus, o homem não pode perdê-la! Segundo a
Bíblia, é impossível que o crente regenerado venha a perder sua salvação.
Poderá até pecar e morrer fisicamente (1Co.5:1-5). Os apóstatas nunca
nasceram de novo, jamais se converteram.


Rejeitado pelo Sínodo de Dort

Este foi o sistema de pensamento contido na
"Remonstrância" (embora originalmente os cinco pontos não estivessem
dispostos nessa ordem). Esse sistema foi apresentado pelo arminianos à
Igreja na Holanda em 1610, mas foi rejeitado pelo Sínodo de Dort em 1619
sob a justificativa de que era anti-bíblico.

Reafirmado pelo Sínodo de Dort

Este sistema de teologia foi reafirmado pelo Sínodo de
Dort em 1619 como sendo a doutrina da salvação contida nas Escrituras
Sagradas. Naquela ocasião, o sistema foi formulado em "cinco pontos" (em
resposta aos cinco pontos apresentados pelos arminianos) e desde então tem
sido conhecido como "os cinco pontos do
calvinismo".

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A Falácia do Livre-Arbítrio - John G. Reisinger




Há basicamente somente duas religiões no mundo. Uma diz, “ Se você fizer assim e assado, Deus graciosamente concederá Suas benções sobre você”. As mil e uma variedades desta religião diferem somente no que é o “assim e assado” que você deve estar disposto a fazer. Uma variedade diz que é um rio sagrado, outra te ordena beijar a rocha sagrada na cidade santa, ainda outra diz que seja batizado ou algum rito similar, e em círculos distintamente evangélicos esta religião enfatiza, “ Se você quiser abrir o seu coração, então Deus... ”

Note cuidadosamente as três palavras chaves: SE VOCÊ QUISER...

(1) O perdão de Deus é possível SE ...

(2) O perdão de Deus é possível se VOCÊ ...

(3) O perdão de Deus é possível se você QUISER ...

O sucesso ou fracasso final desta religião é determinado somente pela vontade do homem. Tudo é dependente de um “se”, de um “você”, e de “sua disposição” para fazer sua parte. A redenção é sempre condicional visto que ela depende da cooperação do homem para o sucesso. A grande obra da salvação não é realmente realizada até que Deus encontre alguém que esteja disposto a “cooperar com Ele”. Nossos antepassados chamaram este sistema do “se você quiser” de “religião das obras”. Ele foi chamado também de “Arminianismo” e “semi-Pelagianismo” visto que estes foram os homens que originalmente causaram divisão na igreja introduzindo este erro do livre-arbítrio. Independentemente do nome atribuído a ele pelos amigos ou inimigos, as marcas distintivas são sempre as mesmas – o SE , o VOCÊ , e SUA VONTADE são os fatores decisivos que fazem o plano da salvação funcionar. Esta religião oferece um maravilhoso plano de salvação que é capaz de fazer coisas poderosas se você somente permitir . O Deus desta religião do livre-arbítrio pode somente desejar e oferecer salvar pecadores. Ele é impotente de assegurar, pelo Seu próprio poder, o que Ele deseja fazer. A finalidade da redenção não pode ser alcançada a menos que o homem, de seu próprio livre-arbítrio, escolha permitir que Deus realize Seus propósitos.

A falsa religião do livre-arbítrio, ou das obras, é baseada sob diversas doutrinas antibíblicas. A mais básica destas é o universal e indiscriminado amor redentor de Deus . Deus é dito amar todos os homens do mesmo modo e grau. Ele amou Judas da mesma forma como amou Pedro, Esaú como Jacó, e os bodes tanto como as ovelhas. Visto que Seu amor é universal então o maior dom do Seu amor, Jesus Cristo Seu Filho, deve ter sido dado para prover uma expiação universal, tendo em vista cada indivíduo sem exceção, em Sua morte. Os objetos da expiação do Filho devem ser iguais aos objetos do amor do Pai, assim ambos devem incluir cada um dos homens. Se o Pai amou todos os homens igualmente, e o Filho redimiu cada homem sem exceção, segue-se que o Espírito Santo deve convencer cada homem ou senão a Trindade não está trabalhando juntamente em direção do mesmo fim na tarefa de redimir os homens perdidos.


A FALÁCIA DO LIVRE-ARBÍTRIO

A falácia desta religião é revelada quando nós fazemos uma simples e óbvia pergunta: “Porque todos os homens não são salvos?”. Não é falha do Pai, porque Ele ama todos os homens do mesmo modo. Não é porque Cristo não pagou pelos seus pecados visto que no sistema do livre-arbítrio, Cristo redimiu (mas não salvou?) todos os homens. O Espírito Santo não pode ser culpado visto que Ele convence todos por quem Cristo morreu; isto é, todo homem sem exceção. Alguém pode dizer, “Eu não creio nesta última declaração sobre a obra de convencimento do Espírito Santo”. Se você rejeita isto, então você deve rejeitar os outros dois pontos também. Você não pode crer num amor universal do Pai e numa expiação universal do Filho, e então arruinar tudo isto com uma convicção “limitada” do Espírito. Não, não; isto é tanto universalismo como particularismo. Você não pode tirar proveitos das suas maneiras. Como mencionei, aqui está a falácia. Um “plano de salvação” que tem o amor de Deus o Pai atrás dele, a expiação de Deus o Filho como seu fundamento, e o poder de Deus Espírito Santo aplicando-o certamente terá êxito, mas, ah, o plano da redenção é frustrado pelo poder do livre-arbítrio do homem toda a vez que uma alma vai para o inferno! Nós repetimos nossa questão, “Por que ele falha? Por que alguns homens perecem?” A religião do livre-arbítrio responde, “Ele falha porque o homem não está desejoso de fazer sua parte”. Aqueles que perecem assim o fazem somente porque eles não aceitam o que o amor do Pai deseja lhes dar, o que a morte agonizante do Filho comprou para eles, e o que o poder eficaz do Espírito Santo incansavelmente tenta persuadi-lo a aceitar. “ Se você fizer somente sua parte” é a mensagem que devemos pregar. Se você apenas fornecer a fé! Se você apenas der o primeiro passo em resposta à oferta de Deus! Se você somente cooperar e der a Deus uma chance para fazer Seu plano funcionar! Se você fizer ...então Deus! Este é o ardente, mas não menos patético, clamor dos pregadores da religião do livre-arbítrio!

Deveria ser amplamente claro que esta religião das obras, ou do livre-arbítrio, baseada num amor universal e numa expiação universal, faz todo o sistema da redenção de Deus depender do homem para o seu sucesso. O amor de Deus prevalecerá se o homem permitir. A expiação de Cristo realmente redimirá se o homem permitir. O Espírito Santo aplicará os benefícios adquiridos na redenção se o homem permiti-LO assim o fazer. Não admira que C.H. Spurgeon, aquele grande ganhador de almas, chamou o livre arbítrio de “uma completa tolice”, e a expiação universal de uma “doutrina monstruosa similar a uma blasfêmia”.

Agora bem, a segunda religião é a mensagem da Bíblia. É o evangelho da LIVRE GRAÇA. Ele não procura em Deus por uma provisão e então se volta para o homem para encontrar o poder , mas ousadamente proclama que a mesma graça soberana que planejou a salvação para pecadores impotentes, também lhes fornece a habilidade para desejá-la e recebê-la. Esta segunda religião não somente começa em um ponto diferente; ela trabalha sobre um princípio diferente e se move em direção a um objetivo diferente. Em resumo, ela é uma religião totalmente diferente. A religião baseada no livre-arbítrio (Arminianismo – Se você quiser...), e aquela baseada na livre graça (Calvinismo – Deus nos faz dispostos...) são religiões tão distintas e opostas que diferem em cada ponto teológico no qual se encontrem. Qualquer indivíduo que piamente diga, “Isto realmente não é importante, é meramente uma questão de ênfase ”, ou é deliberadamente desonesto ou completamente ignorante da doutrina da Bíblia na história da igreja. O Sínodo de Dort e o Conselho de Trento clarificaram a vital importância do assunto de uma vez por todas. Eu desafio qualquer homem a ler a introdução do Dr. J.I. Packer à obra A Morte da Morte na Morte de Cristo de John Owen, e então falar sobre ênfase. Packer claramente mostra que o livre-arbítrio e a livre graça são religiões totalmente diferentes, e além disto, que elas são inimigos irreconciliáveis.

A dificuldade em nossa presente geração é com o assim chamado “Cal-miniano”. Ele pensa que um Calvinista é uma pessoa que crê na eterna segurança, e que Arminiano é uma pessoa que crê que você pode ser salvo e ainda se perder. O Cal-miniano é totalmente desapercebido que o assunto na história da igreja, bem como nas Escrituras, envolve a vontade do homem e a aplicação da salvação, e não a vontade de Deus e a duração da salvação. O grande abismo entre Arminianismo (livre-arbítrio) e Calvinismo (livre graça) não é se você pode ser salvo e então se perder. Este é um ponto mais secundário comparado ao assunto como entendido pelos Puritanos e Reformadores. O centro do assunto é, “ Quem realmente efetua a redenção? ”. Não é apenas uma questão de quem a conclui uma vez que tenha sido iniciada, mas de quem é o poder que aplica o evangelho no início da conversão bem como quem conduz a mesma até o fim. A Bíblia assevera que a necessidade de um pecador é tão grande antes da conversão, que ele é incapaz de obedecer, arrepender ou crer. O Cal-miniano diz, “Não, o pecador tem todo o poder que ele necessita para se tornar um Cristão, mas somente Deus pode guardá-lo após ele ter ‘decidido aceitar Cristo' e se tornado um Cristão”. O pecador tem a força de vontade para levantar do túmulo do pecado e vir a Cristo, mas somente Deus pode guardá-lo de cair depois que ele tiver “dado o primeiro passo”.


QUEM VESTE A COROA?

Como você pode ver, o fundamento real da batalha é a natureza do homem, e o prêmio a ser ganho é a Coroa de Crédito for fazer o plano da redenção realmente funcionar. É a livre graça, dada soberanamente pelo Pai, o decisivo fato que faz o eleito crer em primeiro lugar, ou é a vontade do homem, exercida soberanamente pelo indivíduo, o fator decisivo que faz que Deus escolha aqueles que Ele “previu” que estariam dispostos a crer? Quem ganha o direito de veste a coroa de glória, Deus ou o homem? E por qual poder este direito é ganho – livre-arbítrio ou livre graça?

A diferença básica entre estas duas religiões opostas pode também ser resumida fazendo-se outra pergunta, uma pergunta vitalmente relacionada à primeira. No lugar de perguntar como alguns pessoas perecem, e sermos informados que “o homem não fez a sua parte que era simplesmente crer”, agora perguntamos, “Por que alguns homens são salvos?”. Como a obra do Pai, do Filho e do Espírito Santo é capaz de lograr êxito em alguns casos, mas não em outros? A religião do livre-arbítrio humildemente (?) responde que “ o homem faz isto totalmente possível por estar disposto a abrir seu coração e dar a Deus uma chance! ” Não importa se estejamos falando daqueles que perecem ou daqueles que são salvos, sempre voltaremos para aquele se você quiser . Realmente, o evangelho baseado no livre-arbítrio nunca poderá ser mais do que um evangelho de mera possibilidade . Ele é um plano de redenção que não pode verdadeiramente redimir por seu próprio poder, mas pode somente efetuar salvação real quando encontra alguém que esteja disposto por si mesmo de fazer a “sua parte”. Esta não é uma questão de se um homem deve se tornar, ou se torna, disposto antes de poder ser salvo – todos nós cremos nisto; mas, a questão é: quem e qual poder faz o pecador disposto? O homem, de si mesmo, escolhe se tornar disposto, ou Deus, por Seu soberano poder, faz Seu eleitos disposto “no dia de Seu poder” (Salmos 110:3)? Parece tanto lógico como judicialmente necessário corar com glória o indivíduo que faz o plano da salvação realmente funcionar, e o crente no livre-arbítrio não hesita em estender a mão para a coroa e a colocar na cabeça da soberana e livre vontade do homem.

Algumas pessoas podem sentir que estamos trabalhando este ponto ao extremo, mas realmente este é o cerne do assunto. Quem realmente merece toda a glória pela salvação do homem? Não pode ser tanto Deus como o homem, nem pode ser, como muitos implicam, meio a meio. Ou Deus salva pecadores “fazendo-lhes dispostos no dia de Seu poder”, ou eles salvam a si mesmos fazendo a si mesmos dispostos no “dia da decisão do livre-arbítrio”.

Deixe-me demonstrar rapidamente quão agudo e claro o contraste é e quão obviamente Deus ou o homem recebe a glória em cada ponto.

(A) LIVRE-ARBÍTRIO – Deus escolhe aqueles que Ele previu que de seu próprio livre-arbítrio decidir-se-iam a aceitá-LO. (B) LIVRE GRAÇA – Deus dá a fé àqueles que Ele soberanamente escolheu.

(A) LIVRE-ARBÍTRIO – O sangue de Cristo redimiu cada homem, mas somente naqueles dispostos a “aceitar” o que Cristo realizou, são salvos. È realmente a nossa fé que nos salva. (B) LIVRE GRAÇA – Cristo salva cada pessoa que Ele redimiu com Seu sangue.

(A) LIVRE-ARBÍTRIO – Aqueles que estão dispostos a crer, capacitam o Espírito Santo a lhes regenerar, ou dar-lhes um novo coração. (B) LIVRE-GRAÇA – O Espírito Santo regenera o eleito, ou lhe dá um novo coração, e capacita os pecadores a crerem.

Talvez alguém esteja pensando, “Mas tudo isto realmente importa enquanto apenas pregamos o simples evangelho? Não são estes problemas teológicos que não têm implicações práticas e somente causam argumentações e divisões entre Cristãos e, portanto, é melhor deixá-los de lado?” Nosso Senhor e Seus Apóstolos achavam estas coisas de vital importância. Os Puritanos e Reformadores criam que a pregação do livre-arbítrio era um erro fundamental. Em suas mentes pregar o livre-arbítrio era demolir o próprio evangelho. Eles sentiam que era o dever deles a Deus e à Sua igreja, fazer tudo ao seu alcance para refutar a falsa idéia do livre-arbítrio. Deveria ser acrescentado que Roma sentia exatamente o oposto. Ela instruía seus missionários para ir aos países protestantes e “começar a demolir estas doutrinas diabólicas pela reafirmação do livre-arbítrio do homem”. Os Jesuítas diziam que a livre graça era o inimigo real dos seus sistema de obras, ou melhor, do sistema deles do livre-arbítrio. Estes são fatos históricos! Que aqueles que crêem que isto é somente uma ênfase, ao mesmo leiam o que homens como Martinho Lutero disse em sua monumental obra O Cativeiro da Vontade . A História tem marcado a palavra “erro” em cima da doutrina do livre-arbítrio, e marcado aqueles que a pregaram como inimigos, mesmo se inconscientemente disso, tanto do evangelho como das almas dos homens.

Ora, estou consciente de que muitos têm perdido seu gosto para a confirmação histórica da mensagem que eles declaram, mas isto é somente porque eles não gostam da companhia que eles são forçados a sustentar à medida que voltam no tempo. Os homens hoje gostam de sentir que eles estão na tradição de Knox, Lutero, Whitefield, Spurgeon, etc., mas quando a história, os credos e as confissões, e os Reformadores e Puritanos são vistos como unidos em sua franca condenação do livre-arbítrio, então os homens exclamam, “Nós cremos na Bíblia e não nos Credos. Nós cremos no que Deus diz, e não no que os homens dizem”. Na realidade, este clamor defensivo significa isto, “Nós cremos nos nossos próprios credos em oposição àqueles formulados na história. Nós aceitamos o que nossos líderes dizem hoje e rejeitamos o que os homens disseram ontem”. J.C. Ryle, em sua introdução ao seu livro Santidade , respondeu a esta atitude melhor do que eu possa fazer. Ryle não está discutindo o mesmo ponto de doutrina (ele está discutindo sobre Romanos 7) que nós estamos, mas ele está examinando o mesmo tipo de pessoa mencionada acima. Ele mostra que a atitude piedosa que não olha para a história e para os credos sobre o pretexto de exaltação da Bíblia como nossa única regra é freqüentemente na realidade somente uma evasão para se esquivar de encarar os assuntos.

Os comentadores que não assumiram essa posição...são os Romanistas, os Socínios e os Arminianos. Contra eles lançamos o juízo de quase todos os Reformadores, de quase todos os Puritanos...Naturalmente, replicar-me-ão que ninguém é infalível, que os Reformadores, os Puritanos...podem ter estado inteiramente equivocados, e que os Romanistas, Socínios e Arminianos podem estar inteiramente com a razão! Sem dúvida, nosso Senhor ensinou que a ninguém chamemos mestre. Porém, se não peço que alguém chame de “mestres” aos Reformadores e ao “Puritanos”, pelo que as pessoas leiam o que eles disseram sobre o assunto e que respondam aos argumentos deles, se puderem. Isso até hoje não foi feito! Dizer, como alguns dizem, que eles não querem “dogmas” e “doutrinas” de origem humana não serve de réplica. A questão inteira em jogo é esta: “Qual é o sentido...das Escrituras? Qual é o verdadeiro sentido de suas palavras?” Seja como for, lembremo-nos de que há um fato importantíssimo que não podemos negligenciar. De um lado avultam as opiniões e interpretações Reformadores e Puritanos, e do outro as opiniões e interpretações dos Romanistas, Socínios e Armininanos. Que isso seja claramente compreendido pelos leitores . ( Santidade , por J.C. Ryle, página xiii)

Nós adicionamos às palavras de Ryle: creia e pregue o livre-arbítrio se você tiver coragem, mas seja honesto ao menos para admitir que você não é nem mesmo um primo de décimo grau dos Reformadores. Diga às pessoas que você teria sido forçado a opor-se contra Knox, Spurgeon, Edwards e Whitefield sobre as Doutrinas da Graça se tivesse vivido em seus dias.

Antes de concluir, apontarei alguns problemas atuais que devem seu nascimento, nutrição e presente crescimento à doutrina Arminiana do livre-arbítrio. Eu não estou insinuando que todo aquele que crê no livre-arbítrio é culpado destas práticas específicas. Estou dizendo que cada uma dessas práticas é um resultado direto e lógico da crença e pregação do livre-arbítrio num período de tempo.

PRIMEIRA: Coloca a Pessoa Errada em Julgamento

Cristo é descrito como estando em julgamento diante do homem. O grande amor de Deus foi entregar Seu filho em nossas mãos e nós devemos “fazer algo com Jesus”. Ora, isto contradiz dois importantes fatos Bíblicos sobre os quais o verdadeiro evangelho está edificado. Primeiro, todos os homens já fizeram algo com Jesus , e este foi o maior de todos os crimes que já cometemos. Segundo, Deus já fez algo com Jesus, e o que Deus fez é nossa única esperança de salvação.

É verdade que Deus colocou Seu Filho dentro do alcance das mãos humanas, mas quando Ele o fez, todos nós mostramos o ódio de nossos corações e gritamos, “Fora com este! Crucifica-O!” E além do mais, Romanos 8:7,8 nos ensina que se a oportunidade fosse dada a nós novamente, ainda O desprezaríamos e declararíamos “Não queremos que este homem reine sobre nós”. Lucas 19:17 registra o que decidimos fazer com Jesus.

Ora, Deus o Pai também fez algo com Seu Filho. Ele O ressuscitou dos mortos e Lhe deu todo poder, ou autoridade, sobre toda carne. Este “todo poder” (Mateus 28:18; Romanos 1:4) é a autoridade total sobre cada indivíduo em particular. Somente Cristo tem a autoridade para julgar todos os homens (Atos 17:31). Ele também recebeu poder para salvar alguns homens (João 17:2). Neste exato momento Jesus Cristo é o Senhor de cada homem. A despeito da cor ou credo, todos os homens, sem uma única exceção, estão em Suas mãos para serem condenados ou salvos. Somente Cristo tem o poder para salvar ou condenar alguém, e Ele deve fazer um ou outro com cada indivíduo em particular. A questão não é, O que você fará com Jesus? , mas antes, O que Jesus, Que foi declarado ser o Senhor, fará com você? Leia Atos 2:32-36 e responda para si mesmo o que os “portantos” significam. Pedro está declarando que a maravilhosa exibição de poder em Pentecostes não foi devido a influência de vinho, mas foi uma demonstração do poder do Cristo exaltado sobre toda a carne. Pedro não está tentando fazer com que os pecadores façam algo com Jesus “decidindo-se por Ele”, ele estava relembrando-lhes do que eles já tinham feito – crucificado o Senhor da Glória e Príncipe da Vida. O Apóstolo mais adiante declara o que Deus fez – colocou Jesus sobre um trono eterno com as chaves da vida e da morte e Lhe deu a autoridade exclusiva para usar aquelas chaves para abrir e fechar a porta dos céus para “quem Ele quiser”. Foi este poder, e não o poder do assim chamado livre-arbítrio, que fez os homens clamarem, “Que faremos, homens e irmãos?”

Você vê que a religião do livre-arbítrio faz da fé e do arrependimento uma mostra do poder de escolha do homem, mas as Escrituras fazem deles uma mostra do poder do Cristo exaltado de fazer homens mortos viverem. Para o livre-arbítrio Arminiano, fé e arrependimento são a contribuição do pecador para o plano de salvação. Ele apresenta estes como dons a Deus para mostrar que ele “decidiu aceitar a Cristo”, ou melhor, ele decidiu “dar uma chance a Cristo”. Contudo, a Bíblia deixa claro que a fé e o arrependimento são os dons do Senhor exaltado que Ele adquiriu para Suas ovelhas. Regeneração não é a resposta do Espírito à nossa fé, mas é o chamado eficaz do Pastor que capacita Suas ovelhas a ouvir Sua voz, voltar de seu caminho errante, e abraçar salvificamente a promessa de perdão do evangelho.

SEGUNDA: A Pessoa Errada Recebe o Crédito

Quando alguém “aceita” Jesus, esta pessoa é congratulada por sua coragem e determinação em “dar um passo para Cristo”, o evangelista é exaltado por sua pregação poderosa, e as pessoas que deram dinheiro e oraram pela campanha são elogiadas por fazer tudo isto possível. A glória da eleição e a graça da chamada eficaz não são somente não mencionadas; elas são deliberadamente negadas. Os relatórios no próximo dia são: “Nós tivemos vinte e uma decisões noite passada”. Leia as biografias de Bonar, McCheyne, Edwards, Whitfield, Spurgeon, ou qualquer outro gigante do passado e você nunca ouvirá uma linguagem tão desonrante a Deus e exaltadora do homem como esta. Eu desafio você a ler David Brainerd e tentar imaginar este homem piedoso dizendo, “Tive seis decisões noite passada”. A própria idéia é um insulto à memória deste homem piedoso.

Porque todos estes homens de Deus, homens que como mencionei, tiveram uma verdadeira experiência de reavivamento do Espírito Santo sob a pregação deles como nossa geração jamais viu, relatam os relacionamentos de Deus com suas próprias almas e com as almas influenciadas sob o seu ministério de uma maneira totalmente diferente da dos homens de hoje? Eles sabiam que cada conversão era uma amostra da eleição de Deus, da expiação específica do Filho e do chamado eficaz do Espírito Santo.Era apenas natural para eles atribuir a glória e o louvor à origem que causava o efeito. Eles louvavam o Deus Triuno porque Ele era o responsável pelo poder que eles viam manifestado toda vez que uma alma era nascida de novo. Visto que nossa geração é Arminiana, isto é, crê no livre-arbítrio, é naturalmente dado o crédito àqueles que sentem serem os responsáveis pela realização da obra. O pecador, cuja “decisão” mostra tanto seu bom julgamento como o poder de sua vontade para alcançá-lo, deve ser congratulado. Seria tanto cruel como injusto excluir do louvor o evangelista que “ganhou” a pessoa para Cristo por sua persuasão para que ele fizesse a escolha certa, e devemos também mencionar todas as pessoas que “fazem tudo isto possível” com dinheiro e orações.

TERCEIRO: A Verdadeira Natureza do Pecado e da Culpa é Negada

Os pecadores são informados que eles são culpados da incredulidade, mas esta incredulidade é descrita como meramente um trágico engano que o homem está fazendo. Este engano consiste na indisposição do pecador para “aceitara” os muitos benefícios maravilhosos que Deus deseja lhe dar. Sua incredulidade é realmente não mais do que um engano tolo que lhe priva de algumas bênçãos. Os homens são tratados como “neutros” com respeito ao caráter de Deus e Seus direitos como nosso Criador nunca são mencionados. Nossa tarefa como testemunhas é meramente persuadir os pecadores à cuidadosamente considerar tudo o que eles estão perdendo por recusar a “aceitar a oferta de Cristo”. Os Apóstolos não viram o pecado em geral, nem o pecado da incredulidade em geral, em tal luz. Aqueles pregadores inspirados consideravam a incredulidade um crime vil contra Deus, Sua lei e Seu reino. Os homens não são inquiridos a modelarem suas mentes e se decidirem por Jesus ; eles são ordenados em termos não incertos à mudar suas mentes e cessar com sua rebelião – ou algo parecido! Certamente os Apóstolos falaram da piedade para os pecadores, mas eles também demandavam arrependimento e evidencia de que esta era genuína. Novamente eu encorajo você a ler a introdução de Packer ao livro A Morte da Morte para um claro contraste entre a mensagem do “antigo evangelho” como pregada pelos Apóstolos, Reformadores e Puritanos e o “novo evangelho” como pregado pela maioria dos evangélicos e fundamentalistas hoje.

QUARTO: Ela diz ao Pecador para Olhar na Direção Errada

O erro mais drástico na religião do livre-arbítrio reside no próprio cerne de sua mensagem. No ponto onde o impotente pecador mais necessita da ajuda e do poder de Deus, o pecador é deliberadamente e dogmaticamente apontado para longe de Deus e informado que deve olhar para si mesmo. O Arminianismo fala para os homens que Deus quer, todavia, não pode, fazer algo mais do que Ele já fez. Lei o artigo de C.H. Spurgeon, “ Deveríamos Pregar a Depravação Total? ”, na página 7, e veja como ele enfatiza a necessidade de “lançar ao pó os pecadores em total desamparo”. O livre-arbítrio informa o pecador que ele não é impotente no início da conversão; de fato este erro ousadamente declara que é somente o poder do pecador que pode fazer esta tarefa neste ponto. Deus espera para que o homem forneça o poder – a força de vontade . O pobre pecador é informado, “Deus fez tudo que Ele poderia fazer, agora é tudo com você”. No lugar de arremessar os pecadores ao pó, isto lhes exalta. No lugar de forçá-los a olhar para Deus em total desamparo para encontrar graça e força, o livre-arbítrio coloca Deus em desamparo e exala o homem como sendo o único com a habilidade para alcançar a vitória!

Agradeça a Deus por Sua salvação não ser uma mera possibilidade baseada sobre um se você quiser ... então Deus pode ..., mas ela é baseada sobre uma certeza. Ela é uma certeza absoluta porque Deus ...!

O pecador deve estar disposto para vir a Cristo antes dele poder ser salvo? Certamente ele deve, mas esta não é a questão. É o homem capaz de por si mesmo se dispor para vir? Absolutamente não. O esquema inteiro da graça de Deus falhará por causa da inabilidade e insubordinação do homem? Não, meu amigo, a Bíblia nos assegura que o Deus da graça é também o Deus de poder . “O Teu povo apresentar-se-á voluntariamente no dia do Teu poder...” (Salmos 110:3) é uma promessa segura! Aqueles que creram no evangelho em Atos 13:48 estavam dispostos para serem salvos? Lídia em Atos 16:14 voluntariamente abriu seu coração para Cristo à medida que Paulo pregava para ela? Os homens em Atos capítulo dois queriam buscar misericórdia? A resposta é óbvia, certamente eles estavam dispostos – em todos três casos. A questão real é esta: ‘Quem e o que lhes fez dispostos?"Leia cada caso e veja se foi o poder do livre-arbítrio ou o poder da graça soberana. A questão real é esta: “Como pode um pecador morte como uma mente carnal ativamente oposta à Deus e à justiça ser assim mudado para estar disposta e sinceramente desejoso de ser salvo para santidade? Exatamente como Deus realiza este grande e glorioso “mistério” (João 3:8) está além do meu alcance, mas eu sei que Ele assim o faz, e eu também sei que TUDO é obra Sua .

Eu não sei como esta fé salvadora,

À mim Ele impartiu, Nem como crendo em Sua Palavra,

Paz foi forjada dentro do meu coração,

Eu não sei como o Espírito se move,

Convencendo os homens do pecado,

Revelando Jesus através da Palavra,

Criando fé nEle.



Mas eu sei em QUEM eu tenho crido!